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Tiago não está na lista de candidatos aceites, nem tem os anos de requisito, mas está a tirar o curso de nível IV da FPF

O novo treinador do Vitória de Guimarães está a participar no curso UEFA Pro da Federação Portuguesa de Futebol, apesar do seu nome não constar na lista de candidatos aceites que foi divulgada pela entidade, nem ter o requisito mínimo de três épocas feitas em campeonatos profissionais, enquanto treinador. O clube vimaranense deverá ficar sem Tiago ao longo da temporada, pois o curso obriga a que todos os inscritos participem em três ou quatro períodos em regime de internato

Diogo Pombo e Mariana Cabral

Patricio Realpe/Getty

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A 10 de julho, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) divulgou a lista dos candidatos selecionados para participarem nos cursos de UEFA A e UEFA Pro (nível IV). Significaria, necessariamente, alegrias para uns e agruras para outros, porque a entidade recebeu 460 pedidos de inscrição para 30 vagas no nível III e 199 para as 40 do grau IV, divididas por duas turmas. Em nenhuma lista surgia Tiago Mendes Cardoso.

Mas, sabe a Tribuna Expresso, o ex-jogador está a participar na formação geral do curso UEFA Pro, único nível que lhe falta para completar a sua formação enquanto treinador. Mesmo que, além do seu nome não constar entre os candidatos publicamente anunciados, Tiago não cumpra um dos requisitos exigidos a qualquer pessoa, segundo o regulamento da FPF: ter exercido "a função de treinador durante um mínimo de três épocas desportivas nos campeonatos nacionais ou ligas profissionais".

O antigo internacional português, de 39 anos, confirmado esta segunda-feira como novo treinador do Vitória de Guimarães, nunca teve funções de técnico principal.

Em 2017/18, trabalhou como um dos adjuntos de Diego Simeone no Atlético de Madrid, clube no qual se retirara no final da temporada anterior. Depois, em junho de 2019, passou a integrar a estrutura técnica das seleções de Portugal entre os sub-15 e os sub-20. "Como é sabido, no seu percurso de excelência, demonstrou, desde cedo, grande vontade e grande aptidão para abraçar a carreira de treinador. Tenho a certeza de que a FPF e a estrutura técnica da formação nacional vão ficar ainda mais fortes", disse, na altura, Fernando Gomes, presidente da federação.

A Tribuna Expresso questionou a FPF sobre as razões para a presença de Tiago no curso de nível IV, mas, até ao momento, não obteve resposta. Nem da parte do Vitória, que, poderá inscrevê-lo como treinador principal porque o Regulamento das Competições da Liga de Clubes assim o permite, apesar de tudo: treinador principal: "bastará que o treinador principal esteja a frequentar o curso para obtenção do grau exigido [IV], devidamente comprovado por declaração emitida pela FPF e, no máximo, por seis meses".

E, até concluir a formação, o Vitória ainda terá de ficar sem Tiago em três períodos distintos da próxima época.

O regulamento da FPF para o curso UEFA Pro divide-o em formação geral, formação específica e tarefas complementares. A segunda parte exige a todos os candidatos um "regime de internato" de 190 horas, com "alimentação e dormidas incluídas" e avaliações "presenciais". Essa formação específica divide-se em três períodos: de 27 de julho a 21 de agosto; de 5 a 10 de outubro; e de 9 a 14 de novembro.

Isto se Tiago estiver no curso 1, pois a federação, sob autorização da UEFA, abriu duas turmas para o curso do nível IV. Caso esteja inserido no curso 2, o 66 vezes internacional por Portugal terá de participar em quatro fases de regime de internato que ocorrerão noutros períodos: de 31 agosto a 8 de setembro; de 5 a 10 de outubro; de 9 a 14 de novembro; e de 22 a 30 de março de 2021.

Tiago tirou os cursos de UEFA B e A em Belfast, na Irlanda do Norte, onde a federação local apenas exige um ano de experiência a treinar com o grau anterior, ao contrário da FPF.

A Tribuna Expresso sabe que há ainda outras duas pessoas a participar nos cursos da FPF cujos nomes não constam nas listas divulgadas publicamente pela entidade.