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Exclusivo. Porque é que o Feirense - Chaves foi adiado à última hora? A DGS suspeita que houve comportamentos de risco

Um convívio entre infetados e não infetados e a violação da regra da existência de bolhas terá levado ao cancelamento em cima da hora do jogo da II Liga. "Não sabemos se há mais infetados" confessa uma fonte da autoridade médica

Rui Gustavo

MANUEL DE ALMEIDA

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O protocolo de segurança definido pela DGS com a Liga não prevê, de facto, que uma equipa entre em quarentena no caso de haver casos positivos de covid - 19 entre elementos do plantel. O ponto 27 do modelo 036 da DGS, aliás, diz que quando há um infetado, esse é colocado em isolamento mas a equipa não pára.

Mas no caso do Feirense - Chaves, adiado já com os jogadores em campo por decisão do delegado de saúde local com o respaldo da Direção Geral de Saúde, terá havido uma violação do protocolo porque houve um convívio entre os vários elementos do plantel – jogadores e equipa técnica – e há suspeitas fortes de que os jogadores e treinadores infetados tenham estado presentes nesse convívio.

“Não sabemos se há mais infetados”, explica uma fonte das autoridades médicas. A regra da vivência em bolhas – grupos fechados que se cruzam o menos possível ou não se cruzam de todo – também terá sido quebrada com a convivência entre jogadores e técnicos fora do espaço especifico do treino.

Uma fonte oficial da Direção-Geral de Saúde especifica que, “relativamente ao futebol, tal como para outras situações, as autoridades de saúde procedem a uma avaliação do risco baseada em inquéritos epidemiológicos”.

Ainda segundo a entidade que tem coordenado o combate à pandemia, “essa avaliação é feita não só de acordo com a regras existentes, mas em função da situação específica e dos respetivos fatores de risco, sejam de ordem epidemiológica, social (múltiplos contactos entre pessoas, por exemplo) ou outra”.

Em relação ao caso especifico do Feirense – Chaves, a DGS diz que “as decisões relacionadas com o adiamento de um jogo são tomadas em conjunto pela autoridade de saúde local, territorialmente competente, pela autoridade de saúde de nível regional e pela autoridade de saúde nacional, a fim de ponderar os critérios e agir de acordo com o princípio da equidade”.