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Pedro Proença: "A desculpa de que os adeptos no futebol têm outro comportamento não conta. Permitam-nos fazer os testes, ponham-nos à prova"

O presidenta da Liga de Clubes falou à "Sport TV", à saída de um evento da entidade, e criticou a postura do Governo e da Direção-Geral de Saúde por não autorizarem testes às estruturas dos clubes para o regresso de público aos estádios. Pedro Proença alertou para as consequências económicas que a falta de receitas de bilheteira poderá implicar e revelou que a Liga vai começar, na terça-feira, "um ciclo" de briefings sobre "os números relativos à covid"

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ESTELA SILVA/LUSA

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A ausência dos adeptos dos estádios

"O futebol foi das poucas atividades que não foi apoiada no período de covid. Portanto, temos de ter a clara noção de que o futebol apresentou os seus planos de contingência a tempo e horas, solicitou que fossem feitos testes a tudo o que são as suas infraestruturas e foi-nos vedada esta possibilidade [de ter adeptos nos estádios]. Temos assistindo, em termos internacionais, a uma abertura das portas ao público.

Vejam os números [30% da lotação, pouco mais de 20 mil pessoas] que teve a última Supertaça organizada pela UEFA, em Budapeste, e portanto, o que solicitamos e pedimos é que permitam a Liga testar as suas estruturas. O plano que apresentámos demonstrava, claramente, a inserção de público nos estádios. Se não for dada esta possibilidade aos clubes de futebol, se a decisão demorar muito tempo, teremos consequências de natureza económica e temos de começar a perceber quais são e quem vai assumir estas responsabilidades.

A falta de receitas

"O futebol profissional não poderá viver sem esta área de receita. E já não faço comentários sobre as implicações no futebol não profissional. Quem conheço o futebol distrital e amador sabe que a receita de bilhética é absolutamente fundamental para a sua sustentabilidade. Não pensem que no dia a seguir a se tomar a decisão de abrir as portas tudo vai acontecer de forma natural. Há aqui perdas, de termos tido as portas fechadas, que não se recuperam num dia. Vamos ter muita dificuldade em recuperar o nosso público.

A Liga tinha feito uma aposta clara na questão de aumentar as assistências nos estádios, estávamos a conseguir, e a verdade é que este hiato de tempo em que não podemos aceder ao nosso público tem várias consequências. Não vamos ter exatamente as mesmas pessoas depois de abrirmos as portas. Vamos ter tranquilidade, estamos muito expectante com a reunião de dia 2 [de outubro, com o secretário de Estado da Saúde], para que possa traçar um plano que dê tranquilidade a nós, à Direção-Geral de Saúde e ao próprio Governo, de que podemos estar nos estádios de futebol com todo o controlo e distanciamento social.

A desculpa de que os adeptos no futebol têm outro tipo de comportamento não conta. Tenho a certeza absoluta que, no dia em que tivermos de regular esta atividade, como aconteceu, por exemplo, em concertos e na Festa do Avante, com muito sucesso, o futebol também terá essa capacidade."

Sobre o Benfica e nega da DGS em ter sócios no camarote

"Não vou comentar observações dos nossos clubes, é uma política da Liga. Mas o que sinto é que é um sentimento que começa a crescer. Os clubes têm respeitados as indicações e normativas da DGS, perceberam que tiveram um regime de excecionalidade para ser retomada a última época, mas o que começam, também, a sentir, é o desencanto por não haver por parte do Governo e da DGS é uma abertura para o futebol não ser discriminado.

São reações de quem começa a sentir que não há um princípio discricionário, a que o futebol é alheio, e que não pode, de forma alguma, ser tornado um exemplo para algo que é prioritário: o regresso do público aos estádios. Os clubes estão numa fase em que percebem que o futebol é feito para os seus próprios adeptos. O vértice dos adeptos desapareceu por completo.

Não colhe o argumento de que o futebol pode ser visto pela televisão, porque as competições profissionais são apenas 18 jogos por semana. E a quantidade de jogos que existe no país? Quer entre competições profissionais e não profissionais? Temos, claramente, de encontrar soluções para que outras realidades que já acontecem em termos internacionais possam acontecer em Portugal. Porque podem acontecer. Não vivemos isolados do resto do mundo e da Europa.

Itália já tem um plano de integração de público. Esta semana já assistimos a diversos jogos com acesso do público, que foram feitos de forma ordenada e regimentada. Permitam-nos fazer os testes que sugerimos à DGS, ponham-nos à prova, e podem ter a certeza que terão a mesma reação que tiveram às 10 jornadas que jogámos na época passada."