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Antijogo? Antigolos

O Marítimo surpreendeu o FC Porto em contra ataques fulminantes e venceu no Dragão, por 3-2, na 3ª jornada da Liga portuguesa, mas os portistas só se podem queixar de si próprios: Alex Telles falhou o penálti que poderia ter dado o empate

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No mesmo dia em que FC Porto e Marítimo se encontravam, havia também um outro jogo a marcar a agenda futebolística, em Inglaterra: Leeds-Manchester City. O duelo entre Marcelo Bielsa e Pep Guardiola, uma espécie de mestre vs discípulo, foi caracterizado previamente pelo treinador argentino que subiu o Leeds à Premier assim: "Guardiola causou muitos danos ao futebol, porque, sem querer, proporcionou a invenção de um sistema para as equipas adversárias se defenderem das suas equipas. Esse sistema é ficar com dez jogadores dentro na própria metade do campo, atrás do círculo central. É um sistema para neutralizar as equipas de Guardiola, de Klopp, aqueles que tentam realmente jogar".

A lucidez de Bielsa calha bem para o que se sabia que iria ser o FC Porto-Marítimo: uma equipa a atacar de forma mais frequente, outra a manter um bloco baixo em frente à sua área - com mais ou menos antijogo, tema que dominou a antevisão da partida, depois da falta de tempo útil de jogo no Marítimo-Tondela.

Foi, em termos gerais, exatamente isso que aconteceu na noite deste sábado no Dragão: muita bola para o FC Porto (que hoje só mudou na baliza, por lesão de Marchesin, entrou Diogo Costa; e no ataque, entrou Díaz e saiu Uribe), que se instalou no meio-campo alheio, e muitos jogadores - aliás, todos eles - atrás da linha da bola para o Marítimo, que estava confortável a defender em 5-4-1.

Contudo, talvez mais do que seria expectável, o FC Porto não soube contrariar as saídas rápidas da equipa de Lito Vidigal para o contra ataque, abrindo crateras na sua defesa, que permitiram aos insulares criar perigo todas as vezes que se lançavam para a frente. Logo aos 12', depois de um cruzamento de Hermes - que teve sempre muito espaço pelo corredor direito portista -, Correa marcou golo, mas o VAR corrigiu a ação: o jogador estava nove centímetros fora de jogo.

Ainda assim, o aviso estava dado e o domínio do FC Porto nunca foi capaz de ser concretizado em oportunidades de golo, ao contrário do que sucedeu na outra área. Aos 24', Pepe desposiciona-se do corredor central, abrindo uma passadeira para Rodrigo Pinho receber uma bola longa de Winck - depois, Pinho tirou Mbemba da frente e fez o 1-0.

A vantagem premiava a estratégia do Marítimo, mas não duraria muito. Os portistas foram chegando mais à frente e Corona foi o primeiro a estar perto de marcar, mas Amir defendeu o remate. O mesmo Amir que, aos 40', deixou-se cair pela primeira vez no jogo - ele que tantas vezes se "lesionou" frente ao Tondela... - e ouviu logo das boas por parte de Pepe: "É uma vergonha".

Tanto se revoltou o capitão portista que, no canto subsequente, saltou e... marcou o golo do empate.

Terminada a 1ª parte, as estatísticas mostravam o que já sabíamos: mais FC Porto, como era esperado - 67% de posse bola contra 33% - mas, surpreendentemente, também mais Marítimo do que era esperado - os visitantes fizeram cinco remates, apenas menos dois do que os portistas.

Na 2ª metade, o FC Porto entrou com gás e Díaz foi o primeiro a ter uma oportunidade, mas sem sucesso. Pelo contrário, foi novamente o Marítimo a surpreender. Aos 52', um grande remate de Getterson embateu com estrondo na barra, depois do livre direto batido contra a barreira, e abola sobrou para Rodrigo Pinho, que, na área, só teve de cabecear para o 2-1.

Em desvantagem, Sérgio Conceição mexeu imediatamente na equipa, abandonando o 4-3-3 para apostar no 4-4-2: entrou Taremi para se juntar a Marega na frente de ataque e saiu Díaz.

Danilo foi o primeiro a procurar o empate, com um remate perigoso de longe, mas sem sucesso. Aos 60', o guarda-redes Amir voltou a pedir assistência médica, com o jogo a parar dois minutos. Pouco depois, parecia que o FC Porto chegava ao golo, depois de um cruzamento de Corona que bate na trave e fica em cima da linha de golo... mas Renê Santos tirou dali a bola.

O tempo começava a fugir e Sérgio Conceição dava sinais de querer apostar tudo: tirou Mbemba e Sérgio Oliveira e fez entrou Fábio Vieira e Zé Luís.

Só que, depois, houve show de Amir - no bom sentido. Defende um remate de Marega dentro da área, defendeu um remate de Otávio fora da área e, por fim, já em cima do final, defendeu um penálti de Alex Telles (Jean pareceu tocar na bola antes de derrubar Marega, mas o árbitro Rui Costa entendeu que era suficiente para penálti.)

Do final... dos 90 minutos, porque o árbitro acabou por compensar as paragens com mais 10' minutos de jogo. E foi aí que Nanu aproveitou para, num contra ataque rapidíssimo, fazer o 3-1, com um grande remate.

Mesmo assim, o FC Porto nunca desistiu de ir atrás do golo e ainda conseguiu reduzir, já mesmo no último minuto de jogo, por intermédio de Otávio - num remate que, aí assim, não deu hipótese para Amir.

O Marítimo aguentou o resultado inédito - nunca tinha conseguido uma vitória no Dragão - até ao final, mesmo já depois de Lito Vidigal ter sido expulso pelo árbitro, aparentemente por palavras, e o FC Porto perdeu pela primeira vez na Liga 2020/21, depois das vitórias frente ao Sporting de Braga (3-1) e frente ao Boavista (5-0).

Mas, na verdade, só se pode queixar da sua própria falta de eficácia lá na frente. Ao contrário do que aconteceu com o Marítimo.