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Nem o triplo nem o dobro: apenas o q.b. para ser líder isolado

Provavelmente na exibição mais pálida deste início de época, o Benfica sofreu para levar de vencida o Farense, que deu uma excelente réplica na Luz, apesar da derrota (3-2)

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A autoconfiança de Jorge Jesus é sobejamente conhecida, pelo que ninguém se admirou quando, no regresso ao Benfica, o ex-treinador do Flamengo prometeu colocar a equipa a jogar o triplo - na primeira vez em que ingressou na Luz, JJ tinha prometido dobrar o rendimento do plantel.

Se há exibições em que, de facto, o Benfica já demonstrou o dobro ou até mesmo o triplo do rendimento, a de hoje, frente ao Farense, não foi o caso.

Apesar de ter como tónico a derrota do FC Porto no sábado à noite, o Benfica não foi tão galvanizador como tem sido habitual no ataque, também devido a uma boa réplica do recém-promovido Farense, que ainda não tem pontos na Liga mas que não se apresentou de "autocarro" na Luz.

Pelo contrário, a equipa de Sérgio Vieira foi saindo no ataque sempre que possível, assustando o Benfica várias vezes no decorrer do jogo - e, logo no início, Nikola Stojiljkovic quase marcava de cabeça.

Ainda assim, foi a equipa de Jorge Jesus a começar por cima: aos 15', numa saída de bola do Farense, Rafa recuperou a bola e lançou-se no contra ataque, oferecendo o golo inaugural a Pizzi.

Mesmo em desvantagem, o Farense ia tentando manter a pressão forte sobre os homens do Benfica, o que limitou a fluidez do jogo encarnado - que ia passando muito por Gabriel, que não esteve em grande nível esta tarde -, ainda que, sempre que essa pressão era ultrapassada, houvesse muito espaço para Everton e Rafa acelerarem.

Com o estreante Otamendi em excelente plano na construção de jogo - a história seria diferente na 2ª parte -, o Benfica ia claramente dominando o jogo, mas sem conseguir criar grandes oportunidades claras de golo.

Foi assim que as equipas entraram para a 2ª parte, mas, logo de início, o jogo mudou: Otamendi pisou Stojiljkovic na área e o VAR mandou marcar penálti. À primeira, Gauld rematou para defesa de Odysseas e Falcão marcou na recarga, mas o árbitro mandou repetir, entendendo que os jogadores entraram na área demasiado cedo. À segunda, Gauld voltou a permitir a defesa de Odysseas e, desta vez, não houve recarga, com a bola a seguir para canto.

Contudo, a festa seria curta: no canto, Jonatan Lucca saltou mais alto do que os restantes e fez o 1-1.

O empate desagradava claramente a JJ, que fez questão de demonstrá-lo: mandou sair Waldschmidt, Gabriel e Rafa e fez entrar Seferovic, Weigl e Pedrinho.

Só que foi o Farense a continuar a incomodar: Ryan Gauld assistiu Fabrício, que marcou, mas o escocês ex-Sporting estava fora de jogo, pelo que o lance foi invalidado pelo VAR. Depois, foi Nikola Stojiljkovic a estar muito perto do golo, mas Odysseas voltou a estar em bom nível.

O Benfica não conseguia criar oportunidades de golo e ia sofrendo calafrios lá atrás, pela atitude arrojada do Farense de Sérgio Vieira. Só aos 79', depois de um cruzamento largo de Grimaldo, é que Seferovic conseguiu finalmente fazer o 2-1 para o Benfica - já com Ferro também em campo, depois de Jardel se lesionar.

Na mesma semana em que Vinícius foi emprestado ao Tottenham, Seferovic fez mesmo questão de dizer presente, já que, aos 87', descansou JJ: após assistência de Darwin, em contra ataque, fez o 3-1.

A vantagem, mesmo assim, não fazia o Farense desistir de atacar: a equipa de Sérgio Vieira voltou a chegar-se à frente e ainda fez o 3-2, por intermédio de Patrick, em mais uma jogada para esquecer de Otamendi, que perdeu a bola para o avançado adversário.

Mesmo sem uma exibição consistente, o Benfica venceu e assegurou a liderança isolada da Liga NOS, somando agora nove pontos, mais três do que o FC Porto.