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Reticências do PS à nova sede da Liga de futebol "envergonham" Rui Moreira. Autarca garante que projeto será aprovado

Pedro Proença apresentou, esta segunda-feira, o projeto "icónico" da nova sede da Liga, no Porto, que promete rivalizar com o edifício da Casa da Música. O novo edifício, cuja inauguração está prevista para 2023, conta com um investimento privado de €18 milhões e uma comparticipação da autarquia de €642 mil, verba questionada pela vereação socialista, tal como o secretismo negocial entre a Liga e a Câmara

Isabel Paulo

O novo edifício da Liga Portugal, no Porto, será assim, com sete andares

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A Arena Liga Portugal, a construir num terreno cedido pela antiga governação autárquica socialista em 1988, na Rua de John Whitehead, na freguesia de Ramalde, no Porto, gerou esta segunda-feira uma acesa discussão política entre a vereação do PS e Rui Moreira, que afirmou sentir-se “envergonhado, enquanto portuense” com as dúvidas suscitadas quanto à perda de receita municipal de €645 mil na permuta de terreno da futura sede da entidade gestora do futebol profissional e a atual.

Apesar do projeto ter sido aprovado por maioria, com os votos contra das vereadoras Odete Patrício, do PS, e de Ilda Figueiredo, da CDU (que quer ouvir antes a posição do partido), o presidente da Câmara do Porto lamentou que o PS local resista a aprovar um empreendimento, privado, para albergar no Porto a “indústria com maior visibilidade do mundo”.

As primeiras reticências foram colocadas pela CDU em relação às contrapartidas do contrato-programa firmado entre autarquia e a Liga, consideradas "elevadas" por Ilda Figueiredo, mas foram sobretudo as avançadas pelos socialistas que irritaram Rui Moreira. Embora Fernanda Rodrigues tenha frisado que ficou “em sentido” com a envergadura do projeto, comparado por Pedro Proença a um dos mais emblemáticos e modernos do Porto - a Casa da Música do arquiteto Rem Koolhaas -, e com a auto sustentabilidade da indústria que o líder da Liga lembrou gerar receitas de €880 milhões/ano, €150 milhões em impostos e representar 0,3% do PIB do país, a vereadora 'rosa' contestou o “secretismo negocial” do empreendimento ao longo dos últimos três anos.

Para os socialistas, a regra da “confidencialidade” - que Rui Moreira advertiu ser neste caso a alma do negócio, dada a “cobiça” de outros municípios em acolher a casa do futebol profissional - não deveria incluir a vereação, tendo Pedro Proença, em defesa do autarca, advertido que “este preceito” foi imposto pela Liga Portugal. Discórdia causou ainda a renda temporária de €50/mês a pagar pela Liga à Câmara do Porto durante o os três anos de construção da nova sede, tendo Moreira feito questão de recordar que o terreno onde vai ser edificada a sede da Liga foi cedido à Liga pelo gestão socialista, há mais de 20 anos, “a custo”, sem que nunca tenham existido reparos.

“Este valor temporário fez parte do compromisso, são os custos de oportunidade”, retorquiu o autarca independente, que lembra que se a palavra dada para manter a sede da Liga no Porto, a cidade que acolheu este organismo desta a sua criação em 1978, não fosse honrada acabaria no “sítio do costume”, expressão também usada pelo vereador do PSD, Álvaro Almeida, que aprovou sem reparos a proposta.

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A resistência maior ao contrato-programa que será votado em Assembleia Municipal e que Rui Moreira afiança que será aprovado, apesar de não ter a maioria absoluta neste órgão, partiu, contudo, da vereadora Odete Patrício, que questionou a razão pela qual quem vai investir €18 milhões não investe antes €18,642 milhões, enquanto os €642 mil da autarquia seriam canalizados para outras prioridades - e não foi apresentado com o projeto da sede um estudo de impacto macroeconómico.

Às interrogações, o presidente da Câmara do Porto respondeu que se o projeto fosse em Lisboa o PS nada questionaria, “daria o terreno e edifício”, além de questionar porque não levantam os socialistas as mesmas dúvidas em relação aos custos do erário público em projetos efémeros como a WebSummit, que custa €11 milhões ao estado por edição.

Rui Moreira lamentou ainda que os socialistas do Porto não sejam capazes de “olhar largo”, que tenham uma “visão afunilada” dos investimentos na cidade. “Esta é uma questão política que assumo e até agradeço que votem contra para se perceber o posicionamento do PS, que vive aprisionado ao Bloco de Esquerda e submissos a Lisboa para garantirem os vossos lugares”, afirmou Moreira, que diz serem bem-vindos investimentos privados na cidade nesta altura de crise pandémica.

Na hora da votação, o autarca apelou a que quem não concordasse para votar contra e quem tivesse dúvidas que se abstivesse: “Isto é política, o resto é maionese”.

Sete pisos, 'fun zone' e museu

Na apresentação da nova sede, gizada pelo gabinete de arquitetura OODA, da Escola de Arquitetura do Porto, o líder da Liga avançou que o edifício será composto por sete andares, contará com um auditório para 400 pessoas, um museu das competições profissionais e uma loja onde estarão representadas as 34 marcas da I e II Ligas.

O projeto contempla ainda uma zona verde , um Centro Hightech e uma Fun Zone para 1000 pessoas em dias de jogos.

Pedro Proença revelou ainda que o Porto vai acolher a primeira licenciatura a nível mundial de Organização e Gestão de Futebol Profissional, já aprovada pela Universidade Católica e que resulta ainda de uma associação com a La Liga do país vizinho, Espanha.