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Portimão ❤️ F1: reportagem na cidade onde os doces têm agora a forma de carros de corrida

Por toda a cidade há referências ao Grande Prémio que se realiza este fim de semana. Câmara quer que a prova continue nos próximos anos, já sem o perigo de pandemia

João Mira Godinho (texto) e Ricardo Nascimento (foto)

Marina Yarmenko, do cafe Casa Inglesa na zona Ribeirinha de Portimao, associada a presenca do evento F1 com bolos e montra decorada com desenhos de criancas

Ricardo Nascimento

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Marina Yaremko pega na bandeja, com cerca de duas dezenas de típicos bolos de amêndoa algarvios, e coloca-a em cima do balcão. Os doces, em vez de terem as habituais formas de frutos, estão moldados como se fossem carros de Fórmula 1. “Também temos iguais à bandeira de Portugal, não há nenhum português entre os pilotos mas achámos que era uma boa ideia”, explica.

Marina trabalha há mais de 20 anos na Casa Inglesa, uma das mais emblemáticas pastelarias de Portimão, e os bolos de amêndoa foram uma das formas do estabelecimento se associar ao Grande Prémio que, este fim de semana, se realiza na cidade algarvia. “Também têm de fotografar a montra”, insiste a mulher, natural da Ucrânia. No expositor estão cartões e imagens igualmente alusivos à Formula 1. “Eu pedi à professora e foram feitos pelo meu filho e pelos colegas. Escreva lá que são da turma do 1º C da Escola Major David Neto, e a professora chama-se Florbela Guerreiro”, pede Marina, orgulhosa.

Portimão recebeu o Grande Prémio de braços abertos, principalmente num ano em que a pandemia afetou de uma forma muito negativa o turismo, a principal atividade económica do Algarve. Lojas, restaurantes, cafés… um pouco por todo o lado há referências à prova. Numa tentativa para atrair eventuais clientes. “Há muita gente, muitos estrangeiros mas também portugueses”, avalia Pedro Pinheiro, do stand Mecurito, especializado em viaturas clássicas. É de Amarante mas a presença do Mundial de F1 levou-o a fazer a viagem até ao sul do País, para expor os veículos na zona ribeirinha de Portimão. “Trouxemos 11 carros, num valor total de 2 milhões de euros. E já fizemos uma venda”, revela.

Como o Mecurito, outros stands aceitaram o convite da autarquia local para participar no Portimão Motorsports - Uma área junto ao rio Arade, onde viaturas de várias épocas e diferentes estilos estão estacionadas para serem vistas e fotografadas. Há ainda jogos eletrónicos (de condução, claro) que podem ser experimentados e simuladores que prometem fazer sentir as emoções de conduzir um Formula 1. Além de ecrãs gigantes para se acompanhar os treinos e a corrida que decorrem no Autódromo Internacional do Algarve (AIA), situado a poucos quilómeros da cidade, há um palco que recebe, todas as noites, concertos - com destaque para o espetáculo de Mariza, este sábado, às 21h30.

“Foi tudo feito de acordo com as determinações da Direção Geral de Saúde”, garante Isilda Gomes, presidente da Câmara local. “Os concertos são apenas com 640 lugares sentados e é preciso levantar um bilhete, gratuito, para assistir”, exemplifica a autarca, que destaca o impacto positivo do Grande Prémio na economia local: “É claro que não temos o mesmo número de pessoas que teríamos num ano normal, sem pandemia, mas depois de um verão como o que tivemos, qualquer aumento da procura é um balão de oxigénio para a hotelaria e para o comércio”.

Ainda assim, até esta sexta-feira não era muito notório o aumento de pessoas pelas ruas de Portimão. Talvez por 85% dos 27 500 bilhetes disponíveis para a corrida (limite imposto pela DGS) terem sido vendidos a portugueses, que só devem rumar ao Algarve durante o fim-de-semana. E nem os elementos das equipas de Fórmula 1 aumentam o movimento na cidade, pois apenas circulam entre os hotéis onde estão instalados e o AIA, para garantir a segurança e impedir casos de Covid-19 entre o staff.

A esperança está no futuro e na continuidade do Grande Prémio de Portugal em F1 nos próximos anos, já sem pandemia. “Essa é a nossa grande aposta, queremos que a Fórmula 1 continue em Portugal e vamos fazer tudo para que isso se concretize”, garante Isilda Gomes.