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Volta, Pepe, eles precisam de ti

Sem Pepe, que testou inconclusivo à covid-19, o FC Porto teve muitas dificuldades perante um excelente Paços de Ferreira e acabou por ser derrotado, por 3-2, na abertura da 6ª jornada da Liga

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JOSÉ COELHO

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Tudo começa com o nome. O dele é Képler Laveran Lima Ferreira, uma sequência de palavras pouco vista que complica o que afinal é simples, já que a alcunha dele facilita a vida a quem quer falar dele: Pepe. Ele é, na verdade, um facilitador daquilo que parece complexo: a estabilidade coletiva de um setor composto por cinco jogadores, desde guarda-redes, passando por centrais e acabando em laterais.

Aos 37 anos, Pepe é o capitão do FC Porto e é o homem que manda na defesa, e é o esteio do qual Sérgio Conceição nunca abdica: cumpriu todos os minutos da equipa na Liga e na Champions, esta época, depois de já em 2019/20 ter somado um registo impressionante de 37 partidas.

Mas, esta noite, em Paços de Ferreira, surpresa: Pepe não constava no onze portista, nem sequer no banco, o que só podia indiciar algum problema físico de quem costuma mandar na defesa (soube-se, já no final, que testou "inconclusivo" à covid-19) e, também, na equipa portista, dentro das quatro linhas - isto mesmo admitiu Corona, já depois do jogo, na flash interview na SportTV, com cara de poucos amigos.

Certo é que, sem Pepe (e com Diogo Leite, que se estreou esta época), o FC Porto sofreu muitíssimo. Também sem Fábio Vieira (por opção) e Zaidu (por castigo) no onze, os portistas entraram em campo com Grujic (mais atrás no meio-campo) e Evanilson (na frente de ataque, com Marega a encostar à direita) mas nem eles nem os restantes escolhidos pareceram ter interiorizado o que disse Sérgio Conceição na conferência de imprensa de antevisão do jogo: "Em termos teóricos e práticos é dos jogos mais difíceis que vamos ter. É um campo difícil e uma equipa muito organizada".

As palavras proféticas do treinador não demoraram muito a concretizar-se. Bem organizado por Pepa, como habitualmente, e com vontade de sair com qualidade para o ataque e aproveitar os espaços concedidos pela defesa portista, o Paços de Ferreira, habilmente liderado pelo médio Stephen Eustáquio, foi o primeiro a chegar à vantagem, logo aos 13'.

Corona, esta noite de regresso a lateral, corta a bola dos pés de Luther, mas coloca-a em Dor Jan, avançado que aparece isolado em frente a Marchesin e acaba por fazer o 1-0.

O primeiro golo premiava a ousadia do Paços e também a eficácia, já que logo no primeiro lance de perigo marcava golo, castigando o processo defensivo do FC Porto, que pareceu sempre muito desequilibrado ao longo do jogo.

De qualquer modo, logo após o golo, os portistas reagiram: Evanilson esteve muito perto de marcar, mas o guardião Jordi evitou o empate, e, depois, foi a vez da trave impedir o golo, após livre direto de Sérgio Oliveira.

Depois de uma má entrada no jogo, o FC Porto reagia, mas o Paços estava bem mais vivo: Luther Singh, depois de ultrapassar Mbemba, isolou-se e atirou ao lado; e, a seguir, o mesmo jogador marcou mesmo, mas o golo acabou anulado pelo VAR, devido a uma alegada falta de Dor Jan sobre Mbemba - todo o banco do Paços reclamou e Pepa acabou mesmo por ser expulso.

De qualquer modo, o 2-0 surgiria mesmo, nos minutos seguintes, por intermédio do melhor jogador do Paços e do jogo: Stephen Eustáquio.

Em cima do intervalo, o FC Porto via-se aflito, mas já a acabar a 1ª parte surgiu um balão de oxigénio: o árbitro Nuno Almeida marcou penálti a um toque na bola com a mão de Eustáquio e Sérgio Oliveira fez o 2-1.

A desvantagem já era menor, o que abria as perspetivas portistas para a 2ª parte e Sérgio Conceição parecia querer abanar a equipa: fez sair Grujic e Uribe e colocou em campo Nakajima e Luiz Diaz.

Só que nem essas alterações beneficiaram o jogo portista, sempre pouco ligado. Aos 71', aliás, quando Sérgio Conceição troca Evanilson por Felipe Anderson, o FC Porto ainda nem tinha conseguido somar um remate enquadrado com a baliza do Paços - acabaria o jogo com três, dois deles feitos na 1ª parte; enquanto o Paços somou... o dobro.

Logo desde início, a 2ª parte não correu de feição aos portistas: na área, Marega tocou com a mão na bola e Bruno Costa, ex-portista, concretizou o respetivo penálti para colocar o marcador em 3-1.

A vantagem do Paços era, de facto, justa e podia até ter aumentado, depois de um remate perigoso de Eustáquio ter embatido na trave.

Mesmo assim, o FC Porto ainda conseguiu reduzir, já aos 78', através de um remate de Otávio, mas nem assim o Paços tremeu.

O FC Porto perdeu - e perdeu bem - frente a um excelente Paços e, ao contrário do que desejava Sérgio Conceição na antevisão, começa a deixar fugir o comboio da frente: tem 10 pontos em cinco jogos, enquanto Benfica e Sporting, que ainda vão jogar, têm 15 e 13 pontos, respetivamente. E, atrás, o Braga segue com 9.