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Futebol nacional

Carvalhal: "Será horrível para o futebol português parar. Só espero que não seja a pressão dos clubes denominados grandes a fazer parar"

Na conferência de imprensa de antevisão do Sporting de Braga-Benfica (quarta-feira, 19h45, SIC), Carlos Carvalhal disse que o futebol português não pode parar e recordou que os bracarenses também foram jogar a Alvalade sem oito jogadores infetados: "A não ser que se abra um regime de exceção para os clubes denominados mais poderosos e haja um pé de desigualdade perante os outros"

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HUGO DELGADO/LUSA

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O Benfica

"Os jogos são todos diferentes, o do passado não está relacionado com o de amanhã. São duas equipas boas que vão querer ganhar o jogo. A minha equipa tem intenção de seguir e esperamos fazer um grande jogo. Esperamos vencer, é o nosso grande objetivo. É possível vencê-lo, mesmo defrontando um grande Benfica. Queremos tentar chegar à final."

Casos de covid-19 no futebol

"Não sou epidemiologista e não pertenco à DGS. Sou treinador de futebol, licenciado em ciências do desporto, com especialização em futebol. Essa é a minha área e é dessa área que tenho de falar. O que posso é reportar ao que já aconteceu connosco esta época em Alvalade, quando tivemos 8 jogadores indisponíveis, o que recaiu mais na defesa até, e fomos a jogo, seguimos em frente. Temos de ter consciência que vivemos nesta situação. Temos de fazer andar o futebol, dar exemplo à sociedade que é possível coabitar com o vírus. Evidentemente todas as equipas podem ser penalizadas por um surto mas o timing não sabemos. Fomos a jogo na altura e sentimos que estávamos desfalcados mas não nos lamentámos das ausências. Não me queixei em momento algum, fizemos um grande jogo, e contra o Boavista também. Estamos preparados para jogar amanhã."

O futebol deve parar?

"Se isso acontecer será péssimo para o futebol. Agora estamos numa situação má, essa será péssima. Será ruinoso parar. Em termos simbólicos, será uma catástrofe de mensagem passada à sociedade: mesmo numa profissão regulada, em que somos testados duas ou três vezes por semana... Estamos a dar exemplo de que é possível coabitar com o vírus. Se baixarmos os braços, o vírus vence o futebol. Neste momento está a ganhar 5-0 e pode dar uma goleada de 10-0 se pararmos, poderá ser dramático para o futebol português."

Tem havido pouco cuidado com os contactos no futebol?

"O futebol tem feito um trabalho extraordinário. Os casos são normais perante a amostra que temos na sociedade. Acho que estamos na profissão mais controlada, inclusivamente mais do que os profissionais de saúde... Como já disse, tenho familiares que são profissionais de saúde e que foram testados uma vez, eu já fui testado para cima de 60 vezes. Portanto... Se é motivo para parar? Se não houver Taça da Liga, então não vai haver Liga, porque não faz sentido. A não ser que se abra um regime de exceção para os clubes denominados mais poderosos e haja um pé de desigualdade perante os outros... Acho que será horrível para o futebol português parar. Só espero que não seja a pressão dos clube denominados grandes a fazer parar o campeonato. A não ser que seja a DGS a entender que se deve parar, aí é outra coisa."

Paulinho está disponível?

"Não sei, ainda está em dúvida. Amanhã é que vamos saber, não é bluff."

António Salvador disse que quer renovar com Carlos Carvalhal. Quer renovar com o Braga?

"Não é uma situação em que pense muito. Primeiro é a administração gostar do trabalho, depois os jogadores e depois a massa associativa. Se estes três vetores convergirem, não é dinheiro nem outra situação que me faz demover. Quando estava no Sheffield Wednesday, podia ter ido para a Premier League e não fui quando me convidaram porque estava bem. Agora isto pode durar um mês, um ano ou dez anos. No futebol é inevitável."

Favorito na Taça da Liga por ser detentor do título

"Remeto a resposta para a entrevista que o senhor António Salvador deu hoje ao jornal "O Jogo", uma resposta de uma pessoa consciente. Situa o Braga no panorama do futebol português, seremos sempre outsiders, mas os outsiders lutam dentro do campo e às vezes conseguimos passar a perna aos três grandes, como disse o nosso presidente. Isso não nos tira uma ponta de ambição, vamos para todos os jogos e todos os campos para ganhar. Vamos a jogo e vamos discuti-lo. Dentro do campo."