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As tormentas de um surto inesperado e de um cabeceamento de Tormena

Num jogo muito dividido, o Sporting de Braga venceu o Benfica, por 2-1, e avançou para a final da Taça da Liga (onde já está o Sporting), com a equipa de Jorge Jesus a sentir falta de alguns dos habituais titulares, infetados com covid-19

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Carlos Rodrigues

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Não é fácil, porque já lá vai quase um ano de pandemia, mas tentemos imaginar, por um instante, que não havia pandemia. E o Benfica entrava em jogo, como entrou esta noite em Leiria, com Helton Leite, João Ferreira, Todibo, Jardel, Cervi, Pizzi, Weigl, Taarabt, Rafa, Seferovic e Darwin.

Não se pode dizer, na verdade, que este seja um mau onze, mas também é verdade que, afinal de contas, esta era uma equipa "secundária" do Benfica para defrontar o Sporting de Braga, dado que, devido à covid-19, havia sete ausências já conhecidas antes do jogo: Nuno Tavares, Otamendi, Vertonghen, Grimaldo, Gilberto, Waldschmidt e Diogo Gonçalves.

Ou seja, os cinco primeiros jogadores enumerados, em teoria, seriam titulares da equipa de Jorge Jesus, tal como foram contra o FC Porto, pelo que é certo que fariam falta esta noite para ultrapassar os bracarenses, já que o conjunto de Carlos Carvalhal estava praticamente na máxima força, com exceção de Paulinho, que começou no banco, por ainda estar a recuperar de lesão.

Precavendo as possíveis dificuldades coletivas do Benfica perante o habitual 3-4-3 bracarense, Jesus respondeu com uma nuance que já havia sido vista anteriormente, mas que esta noite foi permanente: a atacar, Weigl colocava-se entre Todibo e Jardel (e mesmo a defender também), com Pizzi claramente colocado no meio com Taarabt, Darwin descaído na esquerda, Rafa pela direita e Seferovic pelo corredor central. Ou seja, também com um 3-4-3.

Carlos Rodrigues

Numa primeira parte muito dividida, foi o Benfica o primeiro a criar perigo, através de dois remates de Darwin, sempre muito ativo pelo corredor lateral esquerdo, apesar da fraca pontaria.

Já o Braga parecia mais estável com bola do que o adversário, mas só assustou Helton com um remate frouxo de Abel Ruiz para as mãos de Helton.

Aos 28', o primeiro golo do jogo surgiu na sequência de uma bola parada, situações em que houve sempre perigo. A primeira bola na área, batido o canto, não entrou, mas após o corte da defensiva benfiquista houve uma segunda bola de Ricardo Horta para a área e, aí, bastou um desvio subtil de Ruiz (por trás estava ainda Tormena) para fazer o 1-0.

Após o 1-0, houve obviamente reação do Benfica: da esquerda para dentro, Darwin rematou com potência, mas acertou no poste, e, na recarga, Cervi ofereceu o golo a Rafa, mas David Carmo salvou o empate ao desviar a bola pela linha final. No canto que se seguiu, mais perigo: Seferovic cabeceou de forma quase perfeita, mas Matheus fez uma grande defesa para segurar o empate.

Mas, já em cima do intervalo, o corredor lateral esquerdo do Benfica - por onde a equipa mais atacava, com Cervi muito adiantado -, voltou a criar perigo: Cervi cruzou e Darwin foi carregado por David Carmo, com o árbitro Fábio Veríssimo a marcar penálti e Pizzi a concretizar para o 1-1.

Na 2ª parte, o Benfica entrou mais forte, com Darwin a voltar a criar problemas pela esquerda e Pizzi a rematar para grande defesa de Matheus. Mas o Braga não se deixava ficar: após livre lateral, Fransérgio acertou de cabeça na trave.

E, aos 59', o segundo golo do Braga pareceu uma réplica do primeiro: bola para a área, a defesa do Benfica corta-a e sobe... mas um novo cruzamento apanha os defesas em contrapé e o central Tormena, de frente para Helton, cabeceia para o 2-1... e acaba por se tornar o homem do jogo.

Em desvantagem, Jesus decidiu mexer: Pedrinho, Everton e Ferro entraram, Rafa, Seferovic e Todibo (falta de ritmo evidente do central que ainda só tinha jogado contra o Estrela) saíram.

Aí, o Benfica apertou mais na frente, com Everton a tentar criar perigo em situações de um contra um junto à área, mas nunca assustou verdadeiramente Matheus.

Por outro lado, o Braga voltou a ter uma oportunidade clara, cortesia de uma perda de bola de Ferro: Paulinho, acabado de entrar para o lugar de Ruiz, rematou para a defesa de Helton.

No final, vitória do Sporting de Braga, mas fica a dúvida sobre o que poderia ter feito o Benfica caso tivesse os habituais titulares entre as escolhas. Certo é que, sábado, haverá final inédita: Sporting de Braga-Sporting. Ou seja, o clube que venceu a Taça da Liga na época passada contra o clube que tem o treinador que a venceu em 2019/20.