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“Voltou a choradeira: não se pode tocar num menino do FC Porto, porque no banco de suplentes podem estar 150 gajos em pé”

Renato Paiva, antigo treinador da formação e da equipa B do Benfica, dissertou sobre questões motivacionais nos rivais dos encarnados numa entrevista. Diz que se Sérgio Conceição não tivesse entrado no FC Porto, o clube estaria mal, porque o técnico recuperou a antiga matriz

Nuno Botelho

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Renato Paiva, antigo treinador da formação e da equipa B do Benfica e agora técnico principal do Independiente del Valle, deu uma entrevista ao podcast Visão Vermelha, de adeptos encarnados, e fez uma reflexão sobre motivação, amor à camisola e o que vale uma liderança forte no balneário

O mérito de Sérgio

“Os piores anos do FC Porto foi quando se perderam as referências, não havia líderes. Os que estavam há mais tempo foram-se embora e os mais novos não sentiam aquilo; o Luisão também não foi logo capitão no Benfica. Se eles não tivessem ido buscar o Sérgio Conceição, não sei onde é que estariam agora. Lá está, é aquela história do FC Porto, da mística - bom, não é bem mística, mas o estar contra todos, os coitadinhos, os calimeros e ninguém gosta da gente e não sei quantos. É a verdade: é a capital! Encontraram ali uma mola para se motivarem e durante algum tempo isso perdeu-se. E agora recuperaram-na: voltou a choradeira, não se pode tocar num menino do FC Porto porque no banco de suplentes podem estar 150 gajos em pé e se não puderem estar 150 gajos em pé, ninguém gosta do FC Porto, é uma vergonha, o Governo. O FC Porto alimenta-se disso, ponto final parágrafo.”

O rival Sporting

"Bruno de Carvalho ganhou as eleições como? Pensou: 'vou ser anti-Benfica. Ele até a cor dos extintores queria mudar em Alcochete, mas os bombeiros é que não deixaram. Isto é o que o fez ganhar as eleições.

O amor à camisola

"Mas eu compreendo: tem de se sentir a camisola, porque isso se perde. Por exemplo, o Morato [jovem brasileiro] não pode ter o benfiquismo do Rúben Dias ou do Tiago Dantas. Cabe a quem gere não deixar que isto morra, porque os balneários fortes ajudam a ganhar campeonatos".