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Sporting: nenhum homem é uma ilha

A sexta vitória seguida do Sporting no campeonato chegou com um 2-0 contra o Portimonense, que entrou em Alvalade a marcar ao homem e com muitas referências individuais que emperraram o jogo ofensivo do adversário durante muito tempo. A equipa de Rúben Amorim, que não teve Paulinho, devido a lesão, chegará ao clássico com, pelo menos, 10 pontos de vantagem sobre o FC Porto

Diogo Pombo

Sporting CP

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João Paulo Dias Fernandes é o homem, Paulinho é o diminutivo para os conhecidos que, pela labuta escolhida e a ascensão conseguida, são todos e cada um dos incontáveis acompanhadores de futebol cujo sobrolho ter-se-á erguido, ou pelo menos desformado, quando não o viram entre os onze felizardos da ficha de jogo do Sporting, nem nos traseiros mandados sentar no banco.

Paulinho em parte incerta, o que é feito do enchedor de capas e rumores durante meses, o mais do que pretendido avançado e alvo de um desejo do tamanho de €16 milhões, uns minutos passam-se até o Sporting informar que foi no treino de sexta-feira, é uma lesão e esclarecido está o paradeiro do homem, e homem é a palavra-chave.

Porque é ao homem que o Portimonense marca, várias jogadas se veem, por exemplo, os laterais Moufi ou Anzai a perseguirem Nuno Santos e Pedro Gonçalves para todo o lado, o carnaval já foi e eles mascarados de sombras, fiéis às referências individuais em que a equipa assenta o comportamento sem bola a campo inteiro. Até na primeira fase das ideias do Sporting o faz, e fá-lo com uma pressão alta e encostada à área quando há pontapés de baliza.

Os vindos do Algarve para a chuvada de Lisboa não olham tanto para os espaços, não fecham linhas de passe como prioridade, não dividem zonas do campo nos posicionamentos, não. Todos, salvo os centrais, se preocupam em encostar na marcação e tapar caminhos ao homem que têm de marcar, um encaixe de duetos do antigamente futebolístico que durante a primeira parte que mantém afastadas as chegadas do Sporting à sua área em organização ofensiva.

Mas, nesse tempo, há dois golos e ambos surge fora destes momentos: aos 27’, um falta sobre Nuno Mendes pára a bola a meio do meio-campo, Pedro Gonçalves curva-a letalmente e Feddal desvia-a; aos 31’, uma tentativa de passe atabalhoada de Maurício é reclamada por Nuno Santos, que já na área atira um remate esperto pelo espaço inesperado.

Viram-se ainda um remate de Nuno Santos, à esquerda, no final de uma correria com a bola (6’), que minutos depois por um triz não foi desviada por Tiago Tomás, na área, após ser cruzada por Feddal na ressaca de um canto (22’). Uma transição e uma segunda bola. Em posse e a ter que manejar a marcação ao homem, o Sporting não criava espaços para jogar.

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

Se lograssem avançar por entre esta forma de defender, o Portimonense recolhia, depois, com os seus onze atrás da linha da bola, por vezes cerrados em duas linhas recuadas e abdicados de lutar pela posse. Evitavam buscas do Sporting pela profundidade, desse modo as segundas bolas que daí sobrassem e assim eram homens focados em contra-atacar rapidamente. O avançado Beto, na pequena área, desviou por cima da barra a bola cruzada por Henrique, no fim de uma cavalgada pela esquerda (33’).

A segunda parte trouxe um progressivo degradar do relvado, cada vez mais aguado e enlameado. Qualquer passe ganhou peso, cruzou-se a fronteira da relva que acelerava a bola era agora a relva que a atrasava e o jogo, aos poucos, também ganhou lentidão.

O Portimonense largaria a fixação ao homem, nenhum homem é uma ilha a ter que ser habitada por outro, os algarvios passaram a defender mais os espaços e a orientarem-se por eles e, com isso, o Sporting cresceu com a bola. Já descobria Pedro Gonçalves a receber nos espaços entre linhas, Jovane já era o avançado deambulante, as subidas de Porro pelo corredor já lhe permitiam participar nos últimos 30 metros do ataque.

E os algarvios, pressionando a todo o momento perto da área alheia, afastavam as suas linhas e deram esses espaços, em que Pedro Gonçalves (74’) e Jovane (79’) remataram para arreliar o guarda-redes Samuel Portugal. Do outro lado, o espanhol Adán também enlameou o equipamento para se estender aos pés de Salmani e evitar a consequência-maior em uma das três vezes que o Portimonense soube explorar as costas da linha defensiva do Sporting.

No fim mantinha-se o 2-0, números da sexta vitória seguida do Sporting no campeonato e garante de, pelo menos, 10 pontos de vantagem para o clássico da próxima jornada, no Dragão. Lá, nenhum homem será mesmo uma ilha, escreveu John Donne que tal assim é porque nenhum é completo em si próprio, neste caso seria a equipa que incompleta ficaria se Coates ou Nuno Santos tivessem visto um cartão amarelo. Não viram.

Falta ver se o homem que hoje e aqui faltou faltará também no próximo sábado.