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Futebol nacional

Conceição: “O que se passa no campo, fica no campo. Não sou eu quem vai dizer o que o Pote e o Nuno Santos disseram para o nosso banco”

Na projeção do jogo com o SC Braga, segunda-mão da meia-final da Taça de Portugal (quarta-feira, 20h15), o treinador do FC Porto referiu-se a algumas incidências do último dérbi, pediu reflexão sobre o tempo útil de jogo e deixou um elogio rasgado e inesperado a Carvalhal e à sua equipa

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JOSÉ SENA GOULÃO

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Atitude do Braga
"A atitude e a postura do Braga não a posso controlar. Posso é perceber o que é que o Braga faz, que dinâmica tem, quais os pontos fortes. Obviamente, isto é uma meia-final e tem de ficar decidido amanhã. Se conseguirmos, é a terceira final desde que cá estamos no FC Porto. Clubes grande são assim, vivem assim".

O que se passa no campo...
"Aquilo que se passa no campo, fica no campo. Se for contar tudo aquilo que eu disse ou que adversários me disseram a mim, num desporto cheio de paixão, jogado no limite. Se fosse contar o que é dito dentro de campo, começava aqui hoje e só acabava daqui a dez anos. Isso não é bonito, não se faz. Tenho ouvido muitas coisas... Sei que é mais importante isso do que aquilo que fizemos com o Braga ou com o Sporting, que foi o nosso último jogo, em que não permitimos um único remate enquadrado do adversário e tivemos várias oportunidades para fazer golo - e ninguém fala sobre isso. Fala-se de pormenores, de situações mais bonitas e menos bonitas - e concordo que houve atitudes menos bonitas, mas não veio cá para fora tudo porque nem tudo se sabe - mas não sou eu quem vai dizer o que o Nuno Santos e o Pote disseram ao nosso banco de suplentes... Agora, quem usa isso para mascarar outras situações - que, para mim, são as mais importantes - pronto, é o que vende. Faz parte, parece. Mas quem comenta, parece que não fala de futebol, mas sobre o que está à volta do futebol. Deviam falar de nuances, estratégia, etc. O jogo com a Juventus... fizemos um grandíssimo jogo, falou-se do que fizemos? O que condicionámos o adversário? Não. Porquê? Porque não há tempo. Quem é subserviente, para ter o seu tachinho, comenta o que está à volta. Então, o que foi importante para mim em Braga foram as duas grandes exibições até às nossas expulsões, em que ficámos a jogar com 10 e depois 9 jogadores. E mérito ao Braga também nesses dos jogos. Amanhã será outro jogo".

Jogos nas pernas
"Somos das equipas como mais jogos disputados e ainda para mais jogos da Liga dos Campeões, em que o desgaste é muito grande. Falamos muito aqui no chip, na concentração e no foco. E depois também temos o campeonato, a Taça da Liga, a Taça de Portugal... mas nunca me queixei de um resultado por causa da densidade de jogos disputados. Não me queixo, porque acho que não me devo queixar. Mas é impossível haver igualdade. Igualdade, para mim, é ter o mesmo tempo de descanso e o mesmo número de jogadores".

Reflexão
"É preciso fazer uma reflexão: o tempo útil de jogo, a calendarização, VAR. Aquilo que o André Horta disse, e o que dizem outros treinadores que jogam na UEFA, e não é fácil jogar contra equipas de ligas Top 5. O ritmo é muito acima da média, é tudo diferente na forma de abordar o jogo. No último jogo e às quatro da manhã estava a mandar mensagens: a cada 10, 15 segundos o jogo parava. Parava! O tempo útil foi de 47, 48 minutos. Mas depois, o mais grave... Eu não quero entrar muito pela arbitragem. É evidente que há jogadores que têm de ser assistidos, mas depois tem de se olhar para o tempo de compensação. Agora, com cinco paragens para substituições, árbitros que vão ao banco, e dá-se três minutos de compensação? Tem de haver uma reflexão de toda a gente, porque é muito importante para chegarmos à UEFA e fazermos boa figura".

Pepe, Sérgio Oliveira e Marcano
"Não treinaram com o grupo, não sabemos se é possível a sua utilização amanhã. São situações que ficaram mais claras. O Marcano voltou agora à competição, é importante para nós, eventualmente pode ir para estágio connosco. Está com um ritmo competitivo baixo, claro, e este é um jogo decisivo no qual não podemos ter dúvidas sobre o estado físico ou anímico".

A linha
"Há linhas defensivas de quatro, cinco, seis. O importante é ver que tipo de dinâmicas com bola e sem bola, o que fazem quando defendem. Há uma forma de defender na primeira fase de construção, depois pode até ir ao 5x4x1. É uma equipa muito bem trabalhada, com jogadores de clube grande e com um grande treinador. Quando tem bola, o Braga é a equipa que melhor joga em Portugal".