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Futebol nacional

É isto a festa da Taça

Depois de uma 1.ª parte de loucos, com quatro golos e uma expulsão, o Sporting de Braga aproveitou mesmo a sua excelente entrada no Dragão para sair vitorioso sobre o FC Porto (2-3) e passar à final da Taça de Portugal

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Octavio Passos

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Tudo começa nas palavras de Sérgio Conceição, que deu o mote para aquilo que se viu na perfeição na 1.ª parte do FC Porto - SC Braga: "Quando tem bola, o Braga é a equipa que melhor joga em Portugal".

Quanto teve bola, na 1.ª parte, o Braga foi mesmo a melhor equipa em campo, atropelando o FC Porto numa meia-hora de altíssimo nível, conduzida de forma soberba por uma grande exibição de Lucas Piazón.

Ainda não tinham decorrido 10 minutos quando o médio brasileiro - depois de uma jogada que começou em Matheus, passou por Raúl e foi ter a Esgaio, que desmarcou finalmente Piazón - ofereceu o primeiro golo do jogo ao avançado Abel Ruiz, que ainda contou com um desvio de Mbemba a enganar Diogo Costa, esta noite de Taça titular no lugar que é habitualmente de Marchesin.

Se a nota artística do primeiro golo bracarense já tinha sido elevada, mais ainda o foi no segundo tento, apenas cinco minutos depois.

Novamente uma grande ação de Piazón a obrigar Sarr - esta noite colocado a lateral esquerdo, no lugar que tinha sido de Zaidu frente ao Sporting - a perder a bola. Depois, Musrati recebeu, desmarcou Ricardo Horta na área e o extremo, de calcanhar, ofereceu novo golo a Abel Ruiz, que finalizou com um belo remate por cima do guardião portista, que ainda nem tinha tido tempo para reagir depois do golo anterior.

A entrada de sonho da equipa de Carlos Carvalhal não era obra do acaso: pouco depois, nova jogada perigosa dos bracarenses, com Ruiz a rematar, já na área, à trave da baliza de Diogo Costa.

A exibição do Braga contrastava claramente com a do FC Porto, que parecia atarantado, e Sérgio Conceição não demoraria a abanar a equipa: logo aos 23', Taremi e Zaidu entraram em campo, por troca com Grujic e Mbemba - este último saiu tocado, com Sarr a passar a acompanhar Pepe no centro da defesa.

Mas as mexidas de Conceição mal tiveram tempo de ter efeito: aos 28', Piazón marcou de forma soberba um livre direto à entrada da área portista e fez mesmo o 3-0.

A vantagem bracarense, mesmo que incrivelmente eficaz, era merecida e apenas depois do 3-0 é que se começou a ver uma reação portista. À passagem da meia-hora de jogo, mais um grande momento de futebol no Dragão: Corona isolou Otávio e o médio brasileiro matou a bola com o peito e rematou para o 3-1.

O golo dava finalmente um tónico ao FC Porto e a loucura da 1.ª parte continuaria pouco depois: Marega fugiu a Borja junto à área do Braga e foi tocado em falta - Artur Soares Dias amarelou o ex-sportinguista mas, depois de avisado pelo VAR, acabou mesmo por puxar do cartão vermelho.

Carlos Carvalhal reequilibrou imediatamente a equipa com a entrada de Bruno Rodrigues, saindo Galeno, e ficando Piazón a fechar o corredor esquerdo com Raúl Silva. Mas o melhor equilíbrio para os bracarenses eram mesmo os golos marcados, uma vez que a 1.ª mão tinha terminado 1-1, o que significa que, com o 1-3, o FC Porto estava obrigado a marcar ainda mais três golos para conseguir ultrapassar os bracarenses.

Não se pode dizer que a equipa de Sérgio Conceição não tenha tentado fazê-lo: na 2.ª parte, aliás, praticamente só deu FC Porto, com Marega e Taremi a serem os primeiros a estar perto do 3-2.

O treinador portista também não demorou muito a voltar a mexer: saíram Manafá e Uribe e entraram Francisco Conceição e Sérgio Oliveira para mexer com o jogo, mas o muito caudal ofensivo do FC Porto embatia quase sempre em Matheus, que rubricou uma excelente exibição, negando o golo a quem lhe ia aparecendo pela frente.

O guardião do Braga só não conseguiu impedir o golo de Marega, aos 75', quando o avançado aproveitou uma recarga para fazer, finalmente, o 3-2.

Sérgio Conceição já tinha entretanto arriscado tudo, fazendo entrar Evanilson e tirando Sarr, mas o FC Porto já não se livraria da derrota e da consequente eliminação da Taça de Portugal, depois de mais uma 1.ª parte fraca, à semelhança do que aconteceu contra o Boavista para a Liga, quando o treinador portista disse que aqueles tinham sido os piores 45 minutos da sua carreira.

Pelo contrário, esta noite, o Braga terá protagonizado uma das melhores primeiras partes da carreira de Carlos Carvalhal e segue para a final da Taça de Portugal, prova que conquistou pela última vez em 2016, precisamente frente ao FC Porto.