Tribuna Expresso

Perfil

PUBLICIDADE
Futebol nacional

Em Portugal, joga-se pouco à bola: em média, cada jogo tem 49 minutos de tempo útil

A Tribuna Expresso analisou todos os jogos de todas as jornadas da Liga até agora disputadas para chegar a uma conclusão: praticamente só se joga uma parte das duas que compõem um encontro de futebol. Culpa dos árbitros? Dos jogadores? Uma questão cultural? Ou estará tudo misturado num só bolo sensaborão

Diogo Pombo

Jose Manuel Alvarez/Quality Sport Images/Getty Images

Partilhar

É uma regra de ouro: sabemos há não sei quanto tempo que, por cada substituição feita num jogo, o árbitro concede uns 30 segundos compensatórios, uma espécie de bónus pelo tempo perdido a verem-se jogadores a entrar e a sair de campo. Um jogo ter mais três minutos no final para se jogar — como um exercício de contrabalanço por seis substituições feitas — é, porém, quase um ato de repetido gozo na cara de quem vê, joga ou trabalha em futebol. Sobretudo se o fizer em Portugal.

A piada faz-se sozinha, por ser tão descarada: num desporto cujas regras ditam que a duração é sempre de 90 minutos, a média de tempo em que a bola esteve a mexer nas 21 jornadas da Liga NOS já realizadas esta época é de 49,26 minutos, segundo dados da InStat recolhidos pelo Expresso. Chama-se a isto tempo útil de jogo; em Portugal, parece ter o defeito da inutilidade, porque uma partida de futebol tem duas partes e neste burgo não se joga em praticamente uma delas.