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Futebol nacional

Se não vai um, vão outros

O Sporting venceu o Vitória de Guimarães, com um golo de Gonçalo Inácio, patrão da defesa na ausência de Coates, e Rúben Amorim ainda teve tempo para estrear Dário Essugo, jovem de 16 anos que terminou o jogo a chorar

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PATRICIA DE MELO MOREIRA

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2070 minutos, ou seja, 23 jogos completos: até este sábado, Sebastián Coates era o único jogador de campo que ainda somava todos os minutos de utilização nesta Liga 2020/21, à semelhança do que também acontece com alguns guarda-redes, uma boa posição que obviamente sofre de bem menos questões de rotatividade.

A ausência do capitão sportinguista poderia ser sentida pela equipa, mas o rapaz que ocupou o lugar vago no centro da defesa, Gonçalo Inácio, que habitualmente tem jogado mais à direita (hoje jogou Neto aí), cumpriu praticamente na perfeição a função e ainda marcou o golo que deu a vitória ao Sporting.

E isto num jogo em que Rúben Amorim também estreou Dário Essugo, jovem de 16 anos que passou a ser o mais novo de sempre a jogar no Sporting, mais novo ainda do que Nuno Mendes, o lateral de 18 anos que esta semana foi chamado pela primeira vez à seleção e que, na 2.ª parte do jogo desta noite, chegou a ter pela frente alguém com o dobro da sua idade, Ricardo Quaresma, um homem que foi campeão pelo Sporting em 2001/02, o último título nacional conquistado pelo clube.

Título esse que, apesar do lema de "jogo a jogo" de Rúben Amorim (secundado pelo lema "onde vai um vão todos"), parece cada vez mais próximo de Alvalade, já que a equipa continua a demonstrar estofo para aguentar praticamente todos os adversários que lhe aparecem pela frente.

Esta noite, além da entrada de Neto para o onze, Rúben Amorim reservou outra surpresa: Daniel Bragança foi titular, quando se esperava que Paulinho, já recuperado de lesão, pudesse regressar ao onze, dado que Nuno Santos não estava disponível, também por lesão.

Por isso, o ataque do Sporting foi mais móvel do que o habitual, com Bragança a atuar como uma espécie de falso 9, e Tiago Tomás e Pote mais soltos na frente de ataque. A mobilidade do ataque complicou as contas à defesa do Vitória, esta noite disposta com uma linha de cinco jogadores, ao contrário do que é habitual.

O objetivo de João Henriques deveria ser conter o ataque sportinguistas, mas a equipa da casa entrou de forma muito assertiva em campo, criando até muito mais ocasiões de golo do que nos jogos anteriores: primeiro, um remate de João Mário defendido por Varela; depois, um remate frouxo de Pote, isolado por uma excelente passe de Inácio; e a seguir um tiro de Pote à trave, após cruzamento de Porro.

O Sporting empurrava o Vitória para trás e chegaria mesmo à vantagem à meia-hora de jogo, depois de uma bela assistência de Pote para Tiago Tomás... mas o golo seria anulado pelo VAR, já que a bola teria saído do campo previamente, quando estava nos pés de Porro.

O Vitória ainda pouco tinha feito no jogo, mas, de repente, teve duas oportunidades de golo seguidas: Edwards irrompeu em jogada individual pela área e obrigou Adán a defender contra a trave; e, no canto seguinte, Óscar Estupiñán cabeceou à trave.

Mas a primeira resposta do Vitória não seria um momento desconfortável para o Sporting, já que o golo surgiu logo a seguir: na sequência de um livre para a área, Gonçalo Inácio marcou o seu primeiro golo pelo Sporting, de cabeça.

O Sporting entrava confortável na 2.ª parte, e rapidamente Palhinha - imperial a impedir os contra ataques adversários - iria ameaçar com um remate de longe, mas o Vitória regressava ao campo com outra estratégia para criar desconforto, ao pressionar bem mais alto a saída de bola do anfitrião.

João Henriques acabaria mesmo por decidir entretanto desfazer a defesa a cinco, para colocar mais gente na frente e procurar o empate, e os visitantes conseguiram empurrar o Sporting mais para trás, mas Amorim respondeu com as entradas de Tabata e Paulinho - o ex-avançado do Braga, a fechar o jogo esteve perto de marcar.

Apesar de ser ter visto o Vitória mais perto da área do Sporting, a equipa da casa foi sempre muito consistente defensivamente, como já tem sido habitual - é a equipa menos batida da Liga - e Amorim também aproveitou os últimos minutos para colocar em campo Matheus Reis, fresco contra Ricardo Quaresma, que também tinha entrado na segunda metade.

O Sporting soube guardar a vantagem e continua então a ser líder da Liga, com 64 pontos, mais 10 do que o FC Porto, quando o campeonato irá agora parar por duas semanas, para compromissos das seleções. E, no final do jogo, um momento que vale mais do que pontos: o menino Dário Essugo a chorar de emoção pela sua estreia como profissional.