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Futebol nacional

O que se passa em Guimarães?

A época do clube de Guimarães tem sido um turbilhão: a Tiago Mendes, João Henriques e Bino seguir-se-á Moreno, o quarto homem a treinar a equipa principal do Vitória, que está no 6.º lugar do campeonato e sem hipóteses de escalar na classificação

Diogo Pombo

Octavio Passos/Getty

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Bino Maçães foi futebolista e, a 5 de abril, era um proverbial homem da casa, treinava a equipa B do Vitória e o presidente pôs a mira dentro do clube para, pela terceira vez esta época, escolher alguém para se ocupar da equipa principal do clube de Guimarães.

Bino assumiu, mas as coisas não melhoraram por aí além em sete jogos: ganhou dois, empatou um e perdeu quatro, o último dos quais na casa despida dos exigentes e fervorosos adeptos, contra o Famalicão. Aconteceu na quarta-feira e, no dia seguinte, mais um comunicado anunciador de novas trocas.

O Vitória informou que Bino apresentou a demissão e, pouco depois, deu contra de que será Moreno a cuidar da equipa nas duas derradeiras jornadas do campeonato. Ele que já foi adjunto da primeira equipa esta temporada, que desceu à B quando Bino ascendeu, que lá venceu três dos quatro jogos, é quem agora assumirá. "Ficará com o plantel", foi a expressão utilizada na comunicação do clube.

Esse plantel é outra baldroca neste 2020/21 do Vitória, porque entre o verão e o inverno foram contratados, pelo menos, 15 jogadores e 25 foram embora e a miscelânea que ficou foi evidenciando algumas lacunas no plantel - não há um avançado garante de golos em barda, os defesas centrais têm sido permeáveis ao erro e no centro do campo falta estabilidade.

Esta temporada do Vitória tem sido uma caldeirada de ingredientes a serem acrescentados e retirados, mas com "um plano traçado, basicamente, desde agosto de 2019", dizia Carlos Freitas à Tribuna Expresso, no início da época, quando ainda era o diretor-geral do clube - saiu a meio de março, devido a "questões de saúde".

Antes já Tiago Mendes saíra, levado por um sopro repentino com apenas três jornadas realizadas o campeonato (uma vitória, um empate e uma derrota). A sua contratação fora soprada pela surpresa, além de ser a sua primeira experiência enquanto treinador principal, era sem o português ter o requisitado nível IV - não era, de todo, caso único. Soube-se, também, que entrara no mais recente curso aberto pela Federação Portuguesa de Futebol, apesar do seu nome não constar nas listas oficiais divulgadas pela entidade.

O clube encarou a saída como "uma manifestação de insegurança". Seguiu-se João Henriques, para ser a mais duradoura experiência do Vitória esta temporada, os 25 jogos (nove vitórias, seis empates e 10 derrotas) com o treinador deixaram o Vitória no 6.º lugar do campeonato. Na despedida, "registou e enalteceu a forma como" o treinador "serviu o clube".

A Bino seguir-se-á Moreno, sem que se ponha travão à vida errante da equipa este ano que, aos poucos, expôs o reverso da medalha da juventude na qual o Vitória apostou sem pudores.

Defendia Carlos Freitas, em setembro de 2020, que o clube "tem uma marca e uma plataforma superinteressante para jogadores deste padrão - jovens talentosos, jovens potros que se queiram afirmar e estejam, de alguma forma, ainda tapados no seu crescimento", oferecendo "visibilidade, pressão e competitividade".

Octavio Passos/Getty

O próximo a sair, contudo, seria Dominik Glawogger, treinador despedido em dezembro da equipa de sub-23 para a qual fora contratado fruto do "pensamento estruturado dentro de casa". O austríaco, ele próprio um jovem de 31 anos, entretanto interpôs uma ação de impugnação judicial no Tribunal de Guimarães, contra a "licitude do despedimento".

Recapitulando as coisas e cingindo-as ao relvado, a época do Vitória começou, também, com a contratação de Ricardo Quaresma, anunciado com a pompa de o apresentar montado a cavalo, em Guimarães, fazendo por soar mais ainda a sonante contratação que estava a fazer. O senhor trivelas chegava com os 37 anos para acrescentar experiência a todos os caçulas.

As circunstâncias raramente têm ajudado a que haja um contexto estável para ele, ou outros, darem o melhor de si. Marcus Edwards ainda não apanhou a sua sombra da época transata que passou esta temporada a perseguir, o talento novato de André Almeida nunca se estabilizou na equipa e nem a chegada de Rúben Lameiras, vindo do Famalicão, teve um impacto por aí além.

A exceção maior será Rochinha e os bons jogos que tem feito. Só que já não há pontos disponíveis que cheguem para a equipa alcançar o 5.º lugar do Paços de Ferreira, última porta para a Liga Europa. E assim vai o Vitória candidato, por tradição, a entrar nas provas da UEFA, mas que está na mesma posição desde a 14.ª jornada do campeonato, a aguentar-se à tona do mar da sua instabilidade.