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Futebol nacional

André Villas-Boas defende continuidade de Conceição: "Joguei esta época contra o Sérgio e perdi, e bem, os dois jogos"

Técnico português, que jogou frente ao FC Porto na Champions esta temporada, acredita que os dragões são uma equipa "bem trabalhada", elogia a "regularidade", diz que o seu futuro deve passar pelo estrangeiro e que a ser presidente do FC Porto só se for numa "escolha unânime dos portistas"

Lusa

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O treinador português André Villas-Boas defendeu esta segunda-feira a continuidade de Sérgio Conceição no comando técnico do FC Porto, segundo classificado na I Liga de futebol, considerado que a equipa "está bem trabalhada".

"Joguei esta época contra o FC Porto do Sérgio [Conceição] e perdi, e bem, os dois jogos. É uma equipa bem trabalhada, com um treinador muito focado, que leva tudo aos limites na motivação e preparação. Não sei quais as suas ambições de carreira, mas tudo que for continuidade será mais fácil para o FC Porto", disse André Villas-Boas.

O técnico, que está atualmente sem clube, tem estado focado no desporto automóvel, e vai participar como piloto na próxima edição do Rali de Portugal, que arranca na quinta-feira, ostentando as cores da sua associação ‘Race for Good', que defende causas solidárias.

Apesar dessa incursão pelo desporto motorizado, André Villas-Boas continua atento ao que se passa no panorama futebolístico nacional e elogiou a carreira do Sporting esta época, que culminou com a conquista do título de campeão.

"Demonstraram uma regularidade excelente. Foram quase imbatíveis, com um sistema interessante e um grupo bem trabalhado. Há equipas que se excedem na motivação. Passou-se o mesmo com o ‘meu' FC Porto em 2010/11 e agora com o Sporting. Uma equipa que se fechou num objetivo de atingir uma regularidade pontual fora do normal", analisou André Villas-Boas.

Ao fazer o paralelismo da prestação dos ‘leões' com a sua passagem pelo FC Porto como técnico principal, André Villas-Boas recordou a conquista da Liga Europa, que na terça-feira [18 de maio] assinala 10 anos, após a vitória [1-0] frente ao Sporting de Braga, na final disputada em Dublin.

"É uma data muito especial para mim. Todas estas celebrações ligadas aos 10 anos dos quatro títulos conquistados pelo FC Porto 2010/11 tocam-me emocionalmente. Estou ligado para a eternidade com esse êxito. Foi o meu ano de maior sucesso e a conquista da Liga Europa é um sentimento especial", partilhou.

Questionado se, no contexto atual do futebol nacional e europeu, esse êxito poderá ser repetido, o treinador respondeu afirmativamente, lembrando as boas prestações do FC Porto nos últimos 10 anos nas provas da UEFA.

"O FC Porto e as equipas portuguesas podem sempre conquistar troféus. O FC Porto é um clube nacional com mais sucesso europeu e os títulos só não acontecem todos os anos porque o futebol está equilibrado. Mas há sempre surpresas, temos, esta época, o Villarreal na final da Liga Europa, uma equipa que em 2010/11 eliminámos", concluiu André Vilas Boas.

Futuro passa pelo estrangeiro

André Villas-Boas revelou ainda a intenção de orientar uma seleção nacional, mas afirmou que o seu próximo desafio profissional deve passar pelo estrangeiro, dizendo estar a "escolher bem o projeto".

"Devo continuar a minha carreira no estrangeiro. Sou de ideias muito precisas e, tal como disse, não devo ultrapassar os 15 anos como treinador, pelo que me restam apenas quatro. Tenho de escolher bem o projeto, e gostaria que passasse também por uma seleção. Vamos ver o que se passa no Campeonato da Europa e como é que o mercado se agita", disse o técnico.

André Villas-Boas reconheceu que o mercado para treinadores está atualmente "muito fechado" e mostrou preocupação pelo facto de muitos técnicos portugueses estarem atualmente sem projetos desportivos.

"É altura de se fazer uma reflexão e de a Associação Nacional e Treinadores nos juntar para debatermos esta incógnita. Temos uma marca interessante no futebol europeu e este paradigma pelo qual estamos a passar não é bom", analisou André Villas-Boas.

O técnico, que está atualmente sem clube desde que deixou o comando dos franceses do Marselha, considerou que o momento é "de alerta", notando que "há alguns anos os treinadores portugueses eram a referência na Europa, mas agora o paradigma está a mudar".

"O mercado do treinador de futebol está inundado, apostam cada vez mais em jovens e ex-jogadores, por causa do sucesso do Guardiola e Zidane. É algo para discutir e perceber o que se passa. Temos uma marca boa que é importante defender. Espero que seja apenas um hiato e que o treinador português volte a deixar a sua marca na Europa", analisou André Villas-Boas.

Além das suas ambições como treinador, André Villas-Boas nunca escondeu o desejo de, no futuro, assumir a presidência do FC Porto, mas considerou que ainda não é o momento de abordar esse tema, apesar do atual mandato de Pinto da Costa terminar em 2024.

"O meu clube está muito bem entregue e bem gerido. Temos um presidente que nos levou ao sucesso nacional e internacional como nenhum outro e continuo a defendê-lo sempre. Tudo o que fizer em relação à presidência do FC Porto teria de ser algo arrebatador, no sentido de ser uma escolha unânime dos portistas. Se não for assim, não vale a pena", rematou André Villas-Boas.