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Futebol nacional

Se o Rio Ave descer de divisão, já não será com Miguel Cardoso: o treinador terá sido despedido

Vinte jogos e apenas quatro vitórias após regressar ao clube, a agência "Lusa" avança que Miguel Cardoso terá sido despedido do Rio Ave esta quinta-feira, quando a época ainda nem terminou para a equipa: falta jogar a segunda mão do play-off de promoção/despromoção com o Arouca, que derrotou os vilacondenses por 3-0

Diogo Pombo

Octavio Passos/Getty

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Em vinte jogos feitos, somente quatro vitórias e uma aura de regresso a bons resultados passados não cumprida que, esta quinta-feira, termina abruptamente e sem o esplendor de há três anos, quando deixou o Rio Ave a ser sinónimo de futebol atacante, de posse e paciente a sair de trás, que valeu um 5.º lugar no campeonato.

O Miguel Cardoso que saiu do clube em alta, em 2017/18, é o treinador que agora se vai embora em baixa, despedido. Fonte do clube confirmou-o à agência "Lusa", agora que o Rio Ave está na iminência de ser despromovido à II Liga, descida de degrau não vista desde 2005/06 - e imprevista no papel face aos plantéis formados pelo clube desde então.

Houve muitos com qualidade abundante para o contexto do Rio Ave, incluindo o de há três temporadas, quando Miguel Cardoso treinou a equipa até ao 5.º lugar, a uma então melhor pontuação de sempre (51 pontos, batidos o ano passado pelos 55 com Carlos Carvalhal) e a um estilo de jogo que colheu elogios pelo caminho.

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Também o plantel atual é povoado de indivíduos talentosos, há Fábio Coentrão, Carlos Mané, Francisco Geraldes, Filipe Augusto, Gelson Dala ou o eterno Tarantini, todos estiveram a um penálti de entrarem na fase de grupos da Liga Europa em vez do AC Milan quando ainda eram treinados por Mário Silva, antes de Pedro Cunha segurar o barco por cinco jogos e Miguel Cardoso chegar no final de janeiro.

A equipa estava no 10.º lugar e terminou o campeonato no 16.º, com o tombo a pique a terminar no único sítio onde a queda ainda seria amparada por alguma esperança em trocar o mau pelo menos mau - jogar o play-off de promoção/despromoção com o terceiro classificado da II Liga, no caso o Arouca.

A primeira mão dessa eliminatória aconteceu na quarta-feira, tarde e no que seriam más horas para o Rio Ave, que perdeu 3-0 e agora também terá de jogar contra o improvável no próximo domingo (19h, Sport TV1). "A última imagem é a que fica e a nossa segunda parte foi muito má", disse o treinador, depois de alguns ditos e feitos ao longo da temporada pouco comuns no clube.

Além da troca de técnicos a meio da época, as câmaras televisivas apanharam o próprio Miguel Cardoso a esticar dedos das mãos desrespeitosos contra o Boavista e, uns jogos depois, ouviu-se o desabafo sem filtros de Fábio Coentrão: “Muita posse de bola, muito domínio, mas isso não vale nada. Dependemos de nós próprios e temos de acreditar. Temos de conseguir a manutenção, é uma vergonha o que estamos a fazer. Já chega. Estar nestas posições com as condições que o Rio Ave nos dá, não pode ser,” conclui o jogador.

Os episódios coincidiram com a progressiva descida do Rio Ave classificação abaixo, até aos iminentes 90 minutos que lhe restam para tentar evitar a despromoção de um clube que desde 2015 ficava sempre entre os sete primeiros lugares.