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Agência Antidopagem: Pedro Gonçalves “não violou qualquer norma” e denúncia de corrupção “não tem provas factuais”

ADoP confirma que futebolista do Sporting testou positivo num controlo antidopagem realizado no final da época passada, quando ainda representava o Famalicão, mas, em resposta à Tribuna Expresso, explicou que Pedro Gonçalves deu "prova clínica" de que a substância "entrou de forma legal no seu organismo" e, como tal, não chegou a ser suspenso preventivamente. E classifica a denúncia de alegada corrupção como "um ato cobarde"

Diogo Pombo e Rui Gustavo

Carlos Rodrigues/Getty

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Pedro Gonçalves participou num controlo antidopagem a 5 de julho do ano passado, após o Tondela-Famalicão, da 30.ª jornada da Liga NOS, e testou positivo para a presença de triamcinolone, uma substância proibida em certas doses e conforme a sua administração, confirmou a Agência Antidopagem de Portugal (ADoP) à Tribuna Expresso, defendendo, contudo, que "em bom rigor" o jogador "não violou qualquer norma".

O então futebolista do Famalicão - o clube não quis comentar o caso - nunca chegou a ser suspenso preventivamente, como prevê a Lei Antidopagem no Desporto e indicou o semanário "Novo", que noticiou originalmente o caso esta sexta-feira, na sua versão impressa.

O artigo 37.º da dita lei estipula que "o praticante desportivo em relação ao qual o resultado do controlo seja positivo, logo com a primeira análise ou depois da análise da amostra B, quando requerida, é suspenso preventivamente, por notificação da ADoP, até ser proferida a decisão final do procedimento, salvo nos casos em que for determinada pela ADoP a realização de exames complementares".

Mas, segundo as respostas enviadas pela entidade, Pedro Gonçalves prestou "prova clínica (de forma imediata)" de que a substância "entrou de forma legal no seu organismo", tendo sido remetida para o Colégio Disciplinar da ADoP, que "decidiu pelo seu arquivamento".

A Agência Antidopagem acrescentou que os praticantes "só são suspensos preventivamente" quando "não têm uma Autorização de Utilização Terapêutica" para a substância em causa, ou "não apresentam uma justificação clínica plausível para o sucedido". Foi o caso de Pedro Gonçalves.

Mas, tendo em conta as datas em que a ADoP comunicou o teste positivo ao jogador e ao Famalicão - a 24 e 27 de julho de 2020 -, a Tribuna Expresso questionou também se, de acordo com a Lei, não deveria ter sido aplicada a suspensão até ao dia em que o futebolista prestasse a referida prova clínica. A entidade ainda não respondeu.

Carlos Rodrigues/Getty

A denúncia de corrupção

A notícia desta sexta-feira do semanário "Novo" deu conta, igualmente, de uma denúncia anónima que terá originado uma investigação do Ministério Público a suspeitas de corrupção.

Em causa estaria um suposto pagamento, na ordem dos €80 mil, feito por Jorge Pires, empresário de Pedro Gonçalves, a cinco membros da Agência Antidopagem de Portugal, para tentar prolongar o processo e impedir que este afetasse uma eventual transferência do jogador para um clube grande - que viria acontecer, em agosto de 2020, quando foi contratado pelo Sporting.

O médio acabaria esta época como o melhor marcador da I Liga, com 23 golos, tendo sido chamado pela primeira vez na carreira à seleção nacional, como um dos 26 convocados para o Campeonato da Europa.

O Ministério Público não respondeu à pergunta sobre se está, ou não, a decorrer uma investigação ao caso. Entre os membros do ADoP que teriam alegadamente recebido subornos incluem-se Manuel Brito, presidente da entidade, e António Júlio Nunes, diretor-executivo.

Nas respostas enviadas à Tribuna Expresso pelo segundo, por indicação do primeiro, a entidade classifica a denúncia como "um ato cobarde e falso de alguém escondido no anonimato, que pretende pôr em causa – sem quaisquer provas factuais - a integridade das entidades antidopagem nacionais e a honestidade de quem nelas trabalha". A ADoP assegurou que os visados na notícia do "Novo" vão "agir judicialmente, de forma a repor a verdade dos factos".

Outro dos visados da denúncia divulgada pelo referido jornal é o médico Luís Horta, que já foi diretor do Conselho Nacional de Antidopagem (atual ADoP) e hoje é membro do Colégio Disciplinar deste órgão.

Luís Horta emitiu um parecer no sentido de arquivar o processo disciplinar contra Pedro Gonçalves, uma vez que este provou que a substância foi administrada através de uma infiltração, o que é permitido. "Eu só tive contacto com o processo quando ele veio da ADoP, já instruído", defende, contactado pela Tribuna Expresso.

O médico diz estar a ser alvo de uma "calúnia monstruosa" e garante que "não" conhece o empresário do jogador, Jorge Pires, que supostamente o teria corrompido. "Nunca fui aliciado por ele ou por alguém. Estou há 18 anos na antidopagem e as pessoas conhecem-me e sabem que não valeria a pena. E se alguém tentasse, eu denunciaria o caso ao Ministério Público. Simplesmente nunca aconteceu", argumentou.