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Pedro Gonçalves não foi suspenso porque Famalicão prestou prova clínica antes de o jogador ser notificado do resultado antidopagem positivo

A Agência Antidopagem de Portugal explicou à Tribuna Expresso que o hoje futebolista do Sporting não foi suspenso preventivamente, após acusar a presença de uma substância proibida, na época passada, porque o Famalicão, clube que então representava, apresentou "a prova clínica da forma como a substância entrou no organismo do futebolista" antes de o jogador receber o resultado do teste

Diogo Pombo, enviado ao Euro 2020

Gualter Fatia/Getty

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O artigo 37.º da Lei Antidopagem no Desporto define que um atleta deve ser suspenso preventivamente se testar positivo por uma substância proibida, mas Pedro Gonçalves, após acusar a presença de triamcinolone no organismo, a 5 de julho de 2020, nunca chegou a cumprir qualquer suspensão, facto já confirmado, na sexta-feira, pela entidade responsável por regular a atividade.

Mas, em resposta a questões posteriores da Tribuna Expresso relativas à notícia originalmente avançada pelo semanário "Novo", a Agência Antidopagem de Portugal (ADoP) explicou que, quando o então jogador do Famalicão foi notificado do resultado do teste antidopagem, já o seu clube prestara prova clínica de que a dita substância tinha sido administrada de forma legal.

Daí a não aplicação da suspensão preventiva prevista - apesar de nada constar na lei sobre esta forma de atuar.

A 24 de julho, explicou a entidade, foi enviado um ofício ao Famalicão, por correio, a informar do resultado do teste. O clube recebeu-o a 27 de julho e teria 24 horas para "informar se era pretendida a análise da amostra B".

Só que, "nesse mesmo dia", o Famalicão enviou "prova clínica da forma como a substância entrou no organismo do futebolista". No caso, terá sido administrada de forma legal. De acordo com a ADoP, o jogador apenas recebeu o dito ofício a 29 de julho, logo, dois dias após o clube enviar a referida documentação, "pelo que não se justificava a aplicação de uma suspensão preventiva".

A agência acrescentou que o caso foi "oportuna e devidamente comunicado e justificado à FPF, à UEFA, à FIFA e à Agência Mundial Antidopagem [WADA]", defendendo que "nenhuma destas entidades entendeu que tinha sido realizado algum procedimento legal por parte da ADoP que ferisse as normas antidopagem em vigor".

A UEFA, contudo, revelou à Tribuna Expresso que "não foi informada pela ADoP" quanto ao teste positivo de Pedro Gonçalves pela substância triamcinolone.

A instituição que rege o futebol europeu aludiu aos critérios da WADA para a comunicação de resultados de antidopagem, pois estes estipulam que "qualquer descoberta analítica adversa deve ser reportada à FIFA e à WADA", confirmando que essa responsabilidade é da "organização antidopagem que iniciou e dirigiu a recolha da amostra".

A notícia avançada pelo semanário "Novo" dava conta, também, de que estará uma investigação a decorrer no Ministério Público relativa a este caso, após uma denúncia de corrupção.

Jorge Pires, empresário de Pedro Gonçalves, teria alegadamente pagado €80 mil a cinco membros da ADoP com vista a arrastar o processo em causa no tempo e não prejudicar uma eventual transferência para um clube grande, que viria a acontecer em agosto de 2020. O médio foi comprado pelo Sporting, acabou esta época como o melhor marcador (23 golos) da Liga NOS e Fernando Santos convocou-o - pela primeira vez - para estar no Campeonato da Europa com a seleção nacional.