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Futebol nacional

"Devotos de Neno" e uma notícia devastadora e inesperada: "Era uma das boas pessoas do futebol"

Admiradores todos os jogadores de futebol têm, mas nem todos lhes dedicam tal devoção que o colocam no lugar de Deus e lhe são tão fiéis que não faltam a um único “Nenatal”, todos os dias 27 de janeiro, para comemorar o seu nascimento. Nuno Reis, membro do grupo "Devotos de Neno" recorda o ídolo

Rita Meireles

JOÃO PAULO TRINDADE/LUSA

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Nuno Reis recorda Neno, antigo guarda-redes do Benfica e do Vitória de Guimarães, como “uma das boas pessoas do futebol”, um desporto que pode ser um pouco ingrato, considera. E foi exatamente esse o motivo que o levou a admirar o jogador, mesmo antes de se juntar a um grupo de amigos com o nome “Devotos de Neno”, que descreve como uma espécie de sátira à igreja, colocando Neno como Deus.

Através de amigos foi um dia ao evento mais importante do grupo, o suficiente para se tornar um dos devotos até hoje. Trata-se do Nenatal, que o grupo, nas suas redes sociais, descreve da seguinte forma: “A cada aniversário do Senhor, no dia 27 de Janeiro, juntamo-nos à mesa, numa tasca de Santarém, celebrando a sua consoada: o NENATAL”.

Neno fez-se sempre presente. O “núcleo duro” do grupo era-lhe próximo, mas Nuno teve ainda uma oportunidade de conhecer pessoalmente o ídolo. Confessa que no dia estava ansioso, mas a simplicidade de Neno fez com que fosse muito fácil privar com ele. “Simplicidade acima de tudo, estávamos todos ao mesmo nível, o Neno sempre nos fez sentir dessa forma. Não era ele a estrela, éramos todos e isso era uma das coisas interessantes”, afirma Nuno.

As histórias de balneário que ouviu prefere guardar para si. De Neno fala da boa disposição, a gargalhada característica e a boa onda. A nível desportivo, considera-o “um guarda-redes de referência e um excelente profissional” e não esconde o orgulho quando fala dos anos em que Neno representou as cores do seu clube: o Benfica.

Receber a notícia da sua morte foi devastador e inesperado. “O Neno era uma pessoa saudável, não era uma pessoa de vícios”, afirma, realçando que ainda hoje o antigo guarda-redes praticava muito desporto e treinava com a equipa principal. Depois do espanto e da negação, os devotos passaram a madrugada a trocar mensagens ou, em alguns casos, reunidos presencialmente para se apoiarem uns aos outros.

Como não poderia deixar de ser, o grupo já se organizou para estar presente no funeral, ainda que estejam conscientes da situação pandémica e saibam que não podem estar no local tantos membros quanto desejariam. “Eu penso que seja amanhã [sábado] ou domingo, ainda não sabemos, estamos à espera, mas o nosso grande objetivo é ir ao funeral. planeamos ir até Guimarães”, garante Nuno.

Neno morreu vitima de doença súbita, aos 59 anos.