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Futebol nacional

Cartão do Adepto. Os clubes estão contra, os adeptos criticam, as bancadas não enchem. Quem apoia a nova obrigação no futebol em Portugal?

Benfica, FC Porto, Braga e Vitória, quatro dos cinco clubes com as maiores médias de assistência em 2018/19, última época completa antes da pandemia, assumem à Tribuna Expresso estarem contra o novo Cartão do Adepto, obrigatório desde o início desta temporada para quem queira assistir a jogos da I e II Ligas nas novas zonas com condições especiais de acesso. Todos criticam a medida e a forma como está a ser implementada pela Autoridade de Prevenção e Combate à Violência no Desporto, que se defende: "não está em causa nenhuma categorização de adeptos e está assegurada a opção de escolha"

Diogo Pombo

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

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A publicação da Portaria n.º 159/2020 aconteceu a 26 de junho de 2020, mas, perante o que a rodeava, foi engolida pelas circunstâncias. Portugal e os seus futebóis estavam, ainda, a digladiarem-se devido aos efeitos da pandemia e a aguardarem do que poderia sair dos arrufos entre os dirigentes dos clubes, a liderança da Liga e os governantes do país sobre o retorno tão adiado dos adeptos aos estádios. O documento ficou no forno.

Esta época, com o regresso autorizado das gentes às bancadas até 33% da lotação dos recintos, a tal Portaria que "regulamenta" o batizado Cartão do Adepto pode, na prática, ser implementada: qualquer clube a competir no futebol profissional em Portugal passou a estar obrigado a definir, no seu estádio, "Zonas com Condições Especiais de Acesso e Permanência de Adeptos", para onde uma pessoa só poderia comprar bilhete caso tivesse o tal cartão.

Custa 20 euros e implica o registo na Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência no Desporto, que pede vários dados pessoais: nome completo; morada de residência; morada de entrega do cartão do adepto; tipo de documento de identificação; número do documento de identificação; data de nascimento; número de identificação fiscal; endereço eletrónico; número de telefone; promotores de espetáculos desportivos que apoia. A teoria por trás da medida justifica-a com o propósito de "controlar e promover as boas práticas de segurança e combater ao racismo, xenofobia e intolerância nos eventos desportivos".

Na prática, o Benfica "não concorda" com o Cartão do Adepto e considera-o "discriminatório e lesivo dos interesses dos clubes". O FC Porto vê-o como "uma barreira administrativa aos adeptos". O Sporting de Braga fala de "uma medida ultrapassada, sem efeitos práticos na valorização do desporto e que vai contra os valores defendidos pelo futebol" e o Vitória Sport Clube, de Guimarães, critica-a por "afastar as famílias dos estádios" e "implementar entraves adicionais" no acesso aos estádios.

Quatro dos cinco clubes que, em 2018/19 — última época completa com adeptos nas bancadas, antes da pandemia — registaram as melhores médias de assistência na I Liga, responderam às questões da Tribuna Expresso. O Sporting não conseguiu responder em tempo útil.

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