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Futebol nacional

Flamengo volta à carga na compra do Tondela: “A gente queria ainda este ano”. Mas falta dinheiro e ainda ninguém voltou a falar com o clube

O vice-presidente do departamento financeiro do Flamengo repetiu, em entrevista à "Globoesporte", que o clube com 46 milhões de adeptos está à procura de um ou de vários investidores para entrar na SAD do clube beirão com €50 milhões até ao final do ano, mas fonte do Tondela garantiu à Tribuna Expresso que, desde o verão, quando responsáveis do Flamengo visitaram as instalações, ninguém contactou de novo os dirigentes do atual 10.º classificado da I Liga. O plano seria colocá-lo na Liga dos Campeões em oito ou 10 anos

Diogo Pombo

MB Media

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Em Tondela mora o único clube do interior, é da Beira Alta e desde 2015 que se mantém a toda a altitude no futebol cá do burgo, agarrando-se consecutivamente à manutenção com meios modestos, orçamentos curtos e plantéis justos à cintura de um clube que tem feito muito com pouco. E o seu verão na Beira Alta foi agitado por um farejador de oportunidades de investimento vindo do Brasil, que terá analisado a estrutura acionista de oito clubes em Portugal até ficar com um, por estar “bem localizado” e ser “representante da região central”.

O Flamengo, gigante brasileiro com badalados 46 milhões de adeptos, escolheu o Tondela.

Foram escritas e repetidas notícias sobre o interesse do mamute futebolístico do Rio de Janeiro em entrar na Sociedade Anónima Desportiva do clube beirão, apetecível para a ideia do Flamengo por ter um declarado acionista maioritário — David Belenguer, antigo jogador espanhol que comprou 80% das ações em novembro de 2018, sendo desde então presidente da SAD. Desde setembro que o assunto ficou em banho-maria, mas, esta quarta-feira, o tema voltou a ser falado do outro lado do charco atlântico.

Rodrigo Tostes, vice-presidente do departamento financeiro do Flamengo, falou do objetivo intacto do clube comprar uma posição maioritária no Tondela, por 50 milhões de euros, para ser a primeira pedra posta numa obra para o clube ter a sua marca em equipas de Alemanha, Espanha, França, África e China. “Essa estratégia não vai funcionar se for um clube só fora do Brasil”, resumiu, em entrevista à “Globoesporte”, na qual indicou que, uma vez no Tondela, a ideia é, em três anos, colocá-lo “nas primeiras posições” da I Liga.

Buda Mendes/Getty

O dirigente explicou que ainda estão a conversar e à procura de parceiros para conseguiram os 50 milhões de euros de investimento inicial no Tondela, num plano — terá demorado dois anos a ser idealizado para ser apresentado a potenciais investidores — em que o Flamengo cederia a marca “a troco de 35% do negócio”, com um olho claro na colocação de futebolistas vindos da formação do clube brasileiro: “em média, de 40 jogadores que cumprem toda [a formação], somente cinco são aproveitados no elenco profissional, com outros 10 sendo emprestados e 25 dispensados”.

Sem desvendar como este intercâmbio de sentido único seria feito, ou que possíveis alterações no nome ou símbolo no Tondela o investimento poderia implicar, o vice-presidente das finanças do Flamengo estipulou que o que falta é “dinheiro”, embora garanta que o clube “ainda trabalha com o prazo deste ano” para tentar entrar na SAD do Tondela. Uma vez lá, escreve o “Globoesporte”, haveria uma meta a cumprir: competir na Liga Conferência em dois anos, estar na Liga Europa em quatro épocas e chegar à Liga dos Campeões entre sete a oito temporadas depois.

Em seis participações seguidas na I Liga, o melhor que clube logrou foi acabar no 11.º lugar, em 2017/18.

Este plano de fazer do Tondela o primeiro degrau numa escadaria para alastrar o Flamengo da América do Sul para o mundo, por enquanto, não voltou a ter ecos concretos no clube português. Fonte do Tondela garantiu à Tribuna Expresso que nenhum dirigente brasileiro voltou a entrar em contacto desde o verão em que, de facto, houve responsáveis da equipa a visitar as instalações. “Mostraram interesse, mas não passou disso”, resumiu.

Na altura, as ideias faladas por dirigentes do Flamengo aos homónimos do Tondela eram pouco realistas e ajustadas ao contexto do clube, pois terão falado em ter a equipa a lutar pela Liga dos Campeões em oito ou 10 anos, expetativas mais inflacionados do que as relatadas, agora, pelas declarações de Rodrigo Tostes. “Era muito global e nada adaptado à nossa realidade”, dizem-nos. Passados alguns meses, talvez ainda não tenham conseguido aferi-la muito mais, dado o argumentário do dirigente do Flamengo quando questionado sobre eventuais alterações ao nome, símbolo ou cores do clube:

“Mudar a cor do uniforme? Eu diria que não faria isso. Mas eu acho que teremos de contratar gente especializada para apresentar uma proposta. Antes de a gente aportar 46 milhões de torcedores a seja lá um milhão ou 500 mil que o time lá tenha, a gente tem de respeitar os torcedores que estão lá, para não perder os 500 mil em detrimento dos 46 milhões. Estamos fazendo esse projeto para a torcida do Flamengo, mas não podemos perder a torcida do outro time, ou dos outros times que o Flamengo terá em outros lugares. Esse é um pré-requisito.”