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Futebol nacional

O dono do Boavista veio pela 1.ª vez a Portugal: “Investi €15 milhões. Podiam chegar 11 Messis, mas, se têm todos 19, 20 anos, é difícil”

No dia em que o empresário de Alireza denunciou, ao "MaisFutebol", alegados salários em atraso no Boavista, o empresário que se tornou acionista maioritário do clube em julho do ano passado foi, pela primeira vez, ao Estádio do Bessa. "Por acaso, adoro a cidade do Porto. Muita gente não sabe, mas o primeiro clube que estive a ver foi o Boavista", disse Gérard Lopez

Lusa com Tribuna Expresso

PHILIPPE LOPEZ/Getty

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A visão estratégica do Boavista, da I Liga de futebol, passa por assumir-se como um “clube competitivo” em Portugal para regressar às competições europeias dentro de “dois a três anos”, frisou, esta segunda-feira, o acionista maioritário Gérard Lopez.

“É um projeto com ideias de voltar a jogar as provas europeias num futuro não muito longínquo, mas de maneira muito sólida. É mais interessante ter uma coisa construída desde a base, muito fundamentada e sólida, não para dois, três ou quatro anos, mas sim para muitos mais”, explicou aos jornalistas o empresário hispano-luxemburguês, antes de assistir à receção dos ‘axadrezados’ ao Belenenses SAD, em jogo da nona jornada.

Gérard Lopez, de 49 anos, deslocou-se pela primeira vez no Estádio do Bessa, no Porto, desde que adquiriu em julho 50,78% do capital social da SAD do Boavista, admitindo que as visitas ao recinto do clube campeão nacional em 2000/01 serão mais regulares.

A visita calha no mesmo dia em que o empresário de Alireza, guarda-redes iraniano do Boavista, denunciou alegados salários em atraso no clube. "O prémio de assinatura do jogador não foi pago, a minha comissão pela transferência não foi paga e os salários do jogador não têm sido pagos. Pagaram apenas um pouco, qualquer coisa à volta de um mês ordenado, mas mesmo esse veio atrasado", criticou Farshid Karimi, ao "MaisFutebol".

“Muita gente não sabe, mas o primeiro clube que estive a ver foi o Boavista. [A compra] Não se pôde fazer, por razões diferentes. Quando voltou a haver oportunidade, entrei. É um clube com história muito importante, adeptos fantásticos e um estádio fenomenal. Por acaso, adoro a cidade do Porto. Depois, pela importância no mundo futebolístico de Portugal, que tem capacidade incrível para extrair anualmente jovens talentosos”, notou.

A entrada do grupo de Gérard Lopez foi aprovada por unanimidade pelos associados, numa assembleia-geral efetuada em 10 de outubro de 2020, no arranque de uma época atribulada para as ‘panteras’, que garantiram a manutenção na I Liga na última jornada.

“Quando chegam muitos jovens, a primeira época é sempre complicada. Podiam chegar aqui 11 Messis, que, se eles têm todos 19/20 anos, é sempre um bocado difícil. Pode haver erros, mas a política tem de ser a mesma. Por exemplo, o Lille foi campeão francês [em 2020/21] com muitos jovens e outros experientes, mas isso precisa de tempo para funcionar”, ilustrou Gérard Lopez, aludindo à fase em que era proprietário dos ‘dogues’.

Priorizando essa mistura de irreverência com maturidade competitiva na construção do plantel, o investidor admite que essa visão estratégica “está a correr muito melhor” esta temporada, na qual a eliminação precoce da Taça de Portugal tem sido compensada com um tranquilo oitavo lugar no campeonato e a presença na terceira fase da Taça da Liga.

“Investi perto de 15 milhões de euros no Boavista. Se pusermos mais 10 milhões, se calhar vamos ter resultados nos próximos seis meses, mas ninguém dá garantias de que isto vai ficar bem. O investimento tem de ser feito muito inteligentemente e é nisso que estamos a trabalhar. Os números não têm uma importância muito grande”, defendeu.

Gérard Lopez descartou a necessidade de encontrar uma alternativa para colmatar a saída no verão do ex-diretor geral Admar Lopes, com quem continua a trabalhar nos franceses do Bordéus, do qual o hispano-luxemburguês se tornou proprietário em junho.

Ao lado do presidente Vítor Murta, o investidor rejeitou ainda comparar a sua aposta no Boavista com outros recentes projetos de investimento em clubes do futebol português, cuja I Liga é “muito dura, forte em termos técnicos e apresenta muitos bons jogadores”.