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Futebol nacional

Covid-19. Quase três quartos dos futebolistas da I e II Liga estão vacinados

Dados da Liga revelam que 73,7% dos futebolistas dos campeonatos profissionais tomaram a vacina contra a covid-19. Federações de andebol e voleibol falam de taxas próximas dos 100% de atletas vacinados

Lusa

Miguel Pereira

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O futebol profissional português tem perto de três quartos de jogadores vacinados contra o novo coronavírus, que provoca a covid-19, tendência similar a três das cinco principais modalidades de pavilhão consultadas pela agência Lusa.

De acordo com a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), que elaborou em julho um plano de vacinação a aplicar junto das 34 sociedades desportivas, em sintonia com a Direção-Geral da Saúde (DGS), 73,7% dos futebolistas da I e II Ligas estão inoculados.

Numa visão holística, 58,8% dos agentes desportivos (atletas, treinadores ou dirigentes) dos dois escalões aderiram ao processo durante este ano, contribuindo para uma menor incidência de pessoas dos clubes com testes positivos e de surtos em plena competição.

Ao fim de quase 10 jornadas completas nos dois escalões, a entidade liderada por Pedro Proença só foi obrigada a adiar o jogo entre Académica e Estrela da Amadora (2-2), da quarta ronda da II Liga, devido a uma série de casos de infeção no emblema ‘tricolor’.

Os clubes inscritos nas provas europeias foram os primeiros a ter os atletas inoculados, numa ação em que a LPFP também procurou sensibilizar as gerações jovens através do futebol, operacionalizando uma campanha denominada “Tu estás em jogo: vacina-te!”.

Quem recusou tomar a vacina continua a ter de se submeter a um teste PCR com resultado negativo antes de cada duelo, ao passo que quem já debelou a infeção pelo novo coronavírus, apenas necessita de receber uma dose, em vez das habituais duas.

Os médicos de cada clube, tal como em 2020/21, têm de passar um atestado de aptidão de todos os elementos que vão marcar presença na ficha de jogo, indicando se estes estão vacinados, recuperaram da infeção nos 180 dias anteriores ou testaram negativo.

No país do mundo com maior taxa de cobertura da população com a vacinação completa contra a covid-19 (87%), de acordo com o portal Our World in Data, esse lastro vai sendo refletido nos campeonatos nacionais de andebol, basquetebol e voleibol a nível sénior.

A Federação de Andebol de Portugal indicou à Lusa na última semana de outubro que estavam inoculados 98,7% de atletas nas Ligas masculina e feminina, respetivamente.

Quanto aos dados fornecidos pela Federação Portuguesa de Voleibol, essa percentagem também estava muito próxima dos 100% e apenas um clube, que não foi identificado, comunicou àquela entidade ter no plantel um atleta não vacinado, por opção pessoal.

Já a Federação Portuguesa de Basquetebol obteve respostas de oito dos 12 clubes do campeonato masculino, para uma taxa de 91,3%, e de seis dos 12 da feminina, para 91,8%, resistindo poucos casos de jogadores que prescindiram de serem vacinados.

Se a Federação de Patinagem de Portugal não tem contabilidade feita sobre a matéria, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) não respondeu às questões enviadas pela Lusa sobre a amostra de inoculados nos campeonatos de futsal e na Liga de futebol feminino.

Ainda assim, uma substancial parte desse grupo de atletas sem imunização nas diversas modalidades corresponde a pessoas que já recuperaram da infeção há menos de meio ano, mas vão aguardando por indicações da DGS para se poderem vacinar em breve.

Tal realidade deu-se na seleção nacional de futebol antes da participação no Euro2020, quando “a quase totalidade” da comitiva foi inoculada em tempo útil, à exceção de “algumas pessoas” que já tinham lidado com o vírus anteriormente, face a uma prova marcada por constantes mudanças de hotéis, centro de treinos, estádios e países.

A vacinação como conselho em vez de dever no âmbito no desporto foi normalizada a partir dos Jogos Olímpicos Tóquio2020, seguindo a recomendação do Comité Olímpico Internacional, que firmou um memorando de entendimento com os laboratórios Pfizer e BioNTech para fornecer vacinas aos atletas e membros das delegações participantes.

A Missão portuguesa levou 92 praticantes à capital do Japão, entre 23 de julho a 8 de agosto, mas vacinou com antecedência 121 - dois recusaram -, incluindo aqueles que viajaram na qualidade de parceiros de treino e todos os potenciais selecionados, numa fase da preparação em que a comitiva não estava fechada e havia prazos para cumprir.

Se o Comité Olímpico de Portugal teve 248 pessoas inoculadas, incluindo praticantes, oficiais e árbitros, a Missão paralímpica contabilizou dois árbitros, 41 oficiais e 45 atletas, dos quais 33 marcaram presença em Tóquio2020, de 24 de agosto a 5 de setembro.