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Futebol nacional

Foi aprovada a dissolução do União da Madeira. Morreu o clube há muito moribundo

Uma assembleia de credores realizada esta terça-feira, no Tribunal do Funchal, aprovou a dissolução e encerramento do Clube Futebol União, mais conhecido como União, que ainda em 2016 competiu na I Liga. Os jogadores tinham dois meses de salário em atraso e, no fim de semana, a equipa, que estava no Campeonato de Portugal (4.ª divisão), falhou a partida em casa, com o Merelinense, por não ter equipamentos

Diogo Pombo

Em 2015, o União da Madeira festejava subidas à I Liga. Seis anos volvidos, o clube foi dissolvido

MANUEL DE ALMEIDA

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“O União está ligado à máquina e essa máquina pode desligar-se a qualquer momento”. A frase tem barbas, é de 2019 e saiu da boca de Jaime Gouveia, então um dos administradores da Sociedade Anónima Desportiva (SAD) do Clube Futebol União, aquando da visita da Tribuna Expresso à já moribunda agremiação, a titubear com salários em atraso, futebolistas alegadamente a dormirem onde pudessem no complexo desportivo e sem campo fixo para jogar. Descreviam-se os jogadores como “farrapos humanos”.

Esta terça-feira, a máquina há muito soluçante e a ameaçar gripar, foi desligada pela justiça.

Aprovou-se, no Tribunal do Funchal, a dissolução e encerramento do clube vulgarmente conhecido por União da Madeira, após proposta do administrador da insolvência. Escreve o “Diário de Notícias da Madeira” que o próprio representante do Governo Regional presente na audiência votou a favor. Os problemas financeiros que ressoavam em tudo o resto do dia a dia do clube eram demasiados.

No domingo, o União falhara o jogo com o Merelinense, apesar de jogadores e treinador terem comparecido no Campo Adelino Rodrigues, a casa possível no Funchal. “Não nos deram condições para que isso acontecesse, não nos deram equipamentos, nem tínhamos ninguém disponível para fazer a ficha de jogo”, lamentou, nesse dia, o guarda-redes André Lima, ao enumerar vários problemas recentes à agência “Lusa”.

O plantel, onde existiam 22 jogadores, vivia "completamente à deriva". O clube apenas pagara o primeiro salário desta época e tinha os últimos dois meses de ordenados por saldar com futebolistas que competiam no Campeonato de Portugal, a 4.ª divisão do futebol nacional.

No único jogo que o União fez, esta época, para a Taça de Portugal, em Oliveira do Hospital, a equipa foi obrigada a viajar para o Continente e regressar à Madeira no mesmo dia; pelo meio, os jogadores tiveram apenas direito a "uma sandes de queijo e fiambre, bolachas e água", pagas pelo pai de um deles. A equipa já tinha entrado em contacto com o Sindicato de Jogadores, pedindo ajuda financeira.

O União da Madeira, fundado em 1913, participara pela última vez na I Liga em 2015/16. Dois anos depois tombaria da II Liga e desde então que competia no Campeonato de Portugal, que esta época se tornou na 4.ª divisão do futebol português após a criação da Liga 3.