Tribuna Expresso

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  • O grande Taj Burrow não tem saudades: “Foram muitas viagens com os 32 tipos mais irritantes e apressados do mundo”

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    Nunca foi campeão do mundo, mas Taj Burrow acabou várias vezes em segundo lugar do tour, ganhou 13 eventos e, ao fim de quase 20 anos, fartou-se de viajar e de estar no meio do ambiente "intenso". Diz que se dá melhor hoje com os amigos que tem do circuito mundial, porque "já não há tretas e a amizade é mais genuína", está mais relaxado e, "basicamente, faz o que lhe mandam". O australiano, esteve no Ericeira Billabong Pro a comentar alguns heats, ainda é o único surfista a ter "a decisão louca" de escolher não entrar no circuito mundial apesar de se ter qualificado

  • Uri Valadão: "Quando ainda não era campeão mundial, tinha uma fome que me fazia ser obcecado. Depois, a mente tende a dar uma relaxada"

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    Uri Valadão foi o primeiro e, até agora, único brasileiro a vencer o título mundial de bodyboard depois de Guilherme Tâmega, o seis vezes campeão com quem nunca se importou de ser comparado. "Gostava, porque achava um elogio, sempre foi o meu ídolo", diz quem, aos 34 anos e 10 volvidos desde que foi o melhor do mundo, sente "a obsessão a voltar". Uri nasceu, literalmente, dentro de água, vendeu os prémios que ganhava em miúdo para ter dinheiro para viajar, admite que relaxou quando venceu o título e acha que talvez falte "um milionário que invista" no bodyboard

  • Diz quem lhe faz as pranchas: “Não queria fazer o que o Kikas faz, que é ter de surfar ondas de meio metro à volta do mundo”

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    Jason Stevenson nunca quis ser o centro da atenções: não inclui o nome nas pranchas que fabrica, apenas as iniciais, mais um símbolo de um trator, em memória do pai, que trabalhava nas minas de sal em North Stradbroke, na Austrália. Ele é um dos líderes da indústria, é quem faz as pranchas para Frederico Morais e esteve em Portugal para lhe desenhar mais algumas, na Ericeira. Diz que o português é dos surfistas mais fáceis com quem trabalhar e, por oposição, recorda como Andy Irons achava, sempre, que "as pranchas de toda a gente eram melhores do que as dele"

  • “Vim para Portugal porque o clima de agressão no Brasil aumentou. É por isso que um personagem como Bolsonaro tem esse destaque”

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    Isabela deixou o Brasil quando sentiu que as pessoas estavam “violentas umas com as outras”, clima no qual foi eleito “um personagem como Bolsonaro”. Escolheu mudar-se para Portugal pelas ondas, comida e "gente boa" quando já era quatro vezes campeã do mundo de bodyboard. No Brasil "cobram-lhe muito" para que ganhe um quinto título e iguale o recorde de Neymara Carvalho, por cá - onde há cinco mulheres no top-25 do ranking mundial - ficou "amiga das meninas todas", faz parte do Estoril Praia e "dá o máximo" para que "não haja áurea de superioridade" pelo que já ganhou

  • Este é o shaper de Gabriel Medina: “Ele começou a crescer algo deformado: bunda muito grande e perna grossa”

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    Todos os irmãos são 'doutores', ele ainda tentou sê-lo, mas as pranchas de surf não deixaram. João Cabianca tem 55 anos, é shaper há mais de 30 e faz as pranchas que Gabriel Medina tem debaixo dos pés há uma década. Pagou do próprio bolso as primeiras que desenhou para o brasileiro, por ser amigo do padrasto, quando ele ainda era "um puto chato", antes de virar o " The Freak Kid" que explodiu num evento em França, aos 15 anos. Diz que os shapers mais jovens "dependem muito das máquinas"

  • Bob McTavish, o pioneiro das pranchas pequenas que experimentou LSD antes de encontrar as Testemunhas de Jeová

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    Tinha 14 anos e quando mexeu na primeira prancha de surf, que lhe custou 10 dólares. Depois, na década de 60, foi dos primeiros shapers a fazer shortboards, numa época em que o surf ainda tinha toda a gente a colocar-se de pé em cima de longboards. Já esteve falido duas vezes nesta vida de fazer pranchas e foi “um hippie da contracultura”, que experimentou marijuana e ácidos, antes de as Testemunhas de Jeová lhe baterem à porta e darem a explicação para “o mundo estar uma bagunça”. Aos 74 anos, Bob McTavish não quer parar e gosta de fazer pranchas para “o surf bonito, que mostra o melhor das pessoas”

  • Mike Stewart: “Não interessa o tamanho da onda, basta a água salgada para te sentires melhor. É a única garantia que tenho na vida”

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    Faltou à própria cerimónia de graduation do liceu, algo que desaconselha a fazerem, para ir à primeira competição em que participou deitado numa prancha. Garante que está em melhor forma hoje, aos 55 anos, do que nessa altura. Chamam a Mike Stewart, nove vezes campeão do mundo, o padrinho do bodyboard, que teve “a sorte” de muito cedo ter começado a trabalhar com Tom Morey, o pai da modalidade, que se levantou da cadeira durante o seu casamento. Há Kelly Slater no surf e há Mike Stewart no bodyboard, a lenda viva que esteve em Viana do Castelo, na etapa do circuito mundial, e explicou à Tribuna Expresso como a animosidade entre as duas modalidades apareceu quando "a perceção de ser cool" começou a ser associada ao surf

  • João Kopke: “Se um surfista normal vivesse a minha vida durante um dia, ia dar em maluco”

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    João Kopke ouve amigos e outros surfistas dizerem-lhe que está a desperdiçar talento e que deveria usá-lo no circuito mundial de qualificação para tentar competir entre os melhores. Mas ele não é o típico surfista: antes foi campeão na ginástica acrobática e hoje também é músico, especializado no canto lírico e no contrabaixo, como instrumento. Aos 23 anos, João é mais o surfista menos surfista que tem hipótese de ser campeão nacional quase "sem querer", porque, "se for apenas competição, o surf "não [lhe] dá tudo o que tem de dar" e que ele recebe viajando, contando histórias, estudando e gravando vídeos ( Esta é a primeira entrevista da nova rubrica "H2O", em que a Tribuna Expresso falará com quem vive dos desportos de ondas.)