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Este é o shaper de Gabriel Medina: “Ele começou a crescer algo deformado: bunda muito grande e perna grossa”

Todos os irmãos são 'doutores', ele ainda tentou sê-lo, mas as pranchas de surf não deixaram. João Cabianca tem 55 anos, é shaper há mais de 30 e faz as pranchas que Gabriel Medina tem debaixo dos pés há uma década. Pagou do próprio bolso as primeiras que desenhou para o brasileiro, por ser amigo do padrasto, quando ele ainda era "um puto chato", antes de virar o " The Freak Kid" que explodiu num evento em França, aos 15 anos. Diz que os shapers mais jovens "dependem muito das máquinas"

Diogo Pombo

João 'Johnny' Cabianca tem 55 anos, vive no País Basco e há três anos criou a própria fábrica de pranchas. Antes, trabalhou na Pukas.

Ilmo Niittymäki

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Como é que alguém nascido em São Paulo começa a fazer pranchas de surf?
Da pior maneira possível: escondido [ri-se]. A minha família é muito grande, tenho seis irmãos e há dois dentistas, uma psicóloga, um agrónomo que trabalha numa quinta da família, outra que é professora universitária e eu faço pranchas de surf [volta a rir-se].

Na altura, quando começou, ainda era coisa de marginal.
Pois era. Na época, nos anos 60, o surf era bastante mal visto no Brasil. Tive que estudar muito durante toda a minha vida, sou formado em Desenho Industrial, fiz uma pós-graduação, tudo para tentar parar de pensar em surf. Mas não teve jeito. Também tive um restaurante, fui trabalhar para a fazenda do meu pai, entrei duas vezes na Universidade de Odontologia e não fui para a frente [mais risos]. O meu pai era professor lá, então não teve jeito.

Chegou a ter brigas com os seus pais por causa disso?
Não, não, foi tudo muito tranquilo. Bom, todos os irmãos me apoiam, mas o meu pai é de uma geração no Brasil em que era mais difícil eles acompanharem. Para ter uma ideia, os meus pais nunca se interessaram em conhecer uma fábrica de pranchas.

Nem hoje em dia?
O meu pai tem 85 anos, a minha mãe tem 83 e para eles pegarem um avião para cá, agora, já fica difícil. Eles não conhecem a minha fábrica nova. Este ano completamos 3 anos aqui no País Basco. Apesar de tudo, a minha família é 100%.

Gosta mais de surfar ou de fazer pranchas?
Vou-te contar a verdade: eu sou um pai velho. Casei-me tarde, tinha 50 anos quando nasceu o meu primeiro filho e com 53 nasceu a minha filha. Agora tenho 55. A vontade que tenho em pegar onda e surfar é muito grande, por outro lado, o tempo dentro da fábrica e com a família... Mesmo morando à frente da praia, às vezes passo um mês sem tocar com o pé na água. O País Basco também não ajuda, você tem que entender que aqui faz um frio do ca***** [ri-se]. A água é muito fria. Mas, ao fim de semana, quando dá, o meu filho já me pede para ir para a água ou estarmos na areia, a brincar. Aí eu vou entrando, surfo uma horinha e pronto, está bom.

O Gabriel Medina não tinha mais ou menos a idade do seu filho quando o conheceu?
Para você entender a cronologia, eu saí de São Paulo quando me formei na faculdade e fui morar para Maresias, no litoral do estado. Morava ali porque já frequentava muito a casa de verão dos meus pais, na praia de Guaecá. O Charles, padrasto do Gabriel, era um amigo meu, estávamos juntos durante todo o fim de semana, e ele foi dos primeiros a mudar-se para a praia. Ele era mais louco do que eu no negócio de morar na praia. Foi viver para Maresias e eu, em 1997, também me mudei para lá porque montámos um restaurante juntos. Nessa época, a Simone, mãe do Gabriel, que tem uma irmã gémea, a Simone, eram as meninas da praia. Estávamos sempre todos juntos. O Gabriel nasceu mais um naquela praia. Quando o Charles começou a namorar com a Simone, ele também tinha, ao lado do nosso restaurante, uma pequena de surf, onde vendia roupa e pranchas usadas.

E o Gabriel foi lá buscar uma?
Tinha cinco ou seis anos e era daqueles putos chatos. Ficava ali, pegava nas pranchas usadas e ia para a praia. Ficava com ela o dia inteiro. O que tem para fazer em Maresias? Ou você vai surfar, ou vai pescar. Não tem o que fazer. Era essa a vida que a gente gostava: fazer desporto, correr na praia, fazer alguma atividade. E o Gabriel cresceu assim, a usar as pranchas do padrasto.

Medina a celebrar a vitória no ISA Games de 2010, perto de Auckland, na ilha norte da Nova Zelândia

Medina a celebrar a vitória no ISA Games de 2010, perto de Auckland, na ilha norte da Nova Zelândia

Hannah Peters

Que idade tinha ele quando lhe fez a primeira prancha?
Uma vez, a Simone pediu-me uma prancha. Já morava na Europa, até estava em Portugal, vivia em Santa Cruz. A fábrica da STO, do Hugo Cartaxana, fui eu que montei. Morava ali, mas, no verão, passava muito tempo no Brasil, só voltava para Portugal em março. Quando me mudei para a Pukas também não tinha tanta atividade de produção no inverno. A fábrica quase parava no inverno, eles até me diziam para voltar só no final de fevereiro. Foi durante um desses tempos em que ficava no Brasil que a Simone falou comigo: "Dá para fazer uma prancha para o Gabriel?". Tinha uma prancha lá abandonada em minha casa. Descasquei-a, refiz o shape todo, laminei, dei-a muito barata à Simone e acho que foi a primeira prancha que fiz para o Gabriel.

E depois?
Como já estava a morar na Europa perdi o contacto. Em 2006 e 2007, a atividade na fábrica da Pukas já começou a ficar muito mais intensa no inverno. Já passava só o Natal e o Ano Novo no Brasil e, em janeiro, tinha que regressar. De um mês reduziu para 20 dias e, depois, já eram só 10. Chegava ao Brasil e não via o Charles ou o Gabriel. Perdemos o contacto durante uns dois ou três anos.

Como é que voltaram a falar?
Em 2008, houve um ISA Games em Hossegor. Trabalhava na Pukas e fazia as pranchas do Wade Tokoro, do Havai. Ele ligou-me a perguntar se podia fazer uma para um atleta dele que ia participar no ISA Games, o Keanu Asing. Fiz a prancha e fui entregá-la durante o campeonato, lá em Hossegor. Quando a entreguei, olhei para o lado e vejo o Gabriel. O moleque tinha 13 anos e olhou-me com aquela cara: "Pô, você 'tá fazendo uma prancha para ele e não dá uma para mim?". Abracei-o, falámos, conversa vai e conversa vem. Quando cheguei ao Brasil no Natal, o Charles veio falar comigo e disse que, no próximo ano, iam estar a competir na Europa e perguntou se eu podia dar uma força. "O que precisar eu estou aí". Foi quando começou, realmente, a nossa ligação.

Tinha começado o boom do Medina no Brasil?
Já havia a história que estava a construir nos sub-14 e sub-15. Ele foi campeão de vários campeonatos e conseguiu classificar-se para o King of Gromets, em França. Antes, em Santa Catarina, competiu num evento de seis estrelas [antiga hierarquia máxima das etapas do circuito mundial de classificação] e ganhou-o, com 15 anos, ao Neco Padaratz na final. O nome dele explodiu no Brasil e aqui na Europa também já se falava alguma coisa sobre ele. Eu ficava quieto, não é? Não vou falar do que não sei. Será mais um miúdo emocionado ou será mesmo um atleta? Foi aí que o Charles me ligou e disse-lhes para ficarem comigo, que tinham casa, prancha, tudo. Havia uma resistência da Pukas na altura. Não é australiano, nem americano, então não dá para fazer uma prancha - tem que pagar. Respondi que o Charles era meu irmão, eram meus amigos, que o filho dele era bom e talentoso, então paguei as pranchas do meu bolso. Disse ao Charles que só me pagaria se gostasse. O Gabriel gostou de uma prancha e fez todos os campeonatos daqui - Pantin, Zarautz, Lacanau - com ela.

João Cabianca estará em Portugal entre 21 a 22 de setembro, no festival Surf Out, no Estoril

João Cabianca estará em Portugal entre 21 a 22 de setembro, no festival Surf Out, no Estoril

Ilmo Niittymäki

Safou-se bem?
Em Zarautz ganhou a expression session, em Pantin o pessoal já falava muito dele no microfone da praia, onde acho que chegou aos quartos-de-final. Quando chegou ao King of Gromets foi uma sova: nesse campeonato fez cinco notas 10, duas na final. Para um moleque de 15 anos, essa competição tinha um peso muito grande em termos de exposição. A prova reunia os melhores sub-15 do mundo na altura. E a estrutura de campeonato que havia em Hossegor era uma de CT, então os juízes eram todos do mundial e as baterias aconteciam nos intervalos do campeonato dos 'grandes'. Imagina, estava toda a gente a assistir. Um dos modelos de prancha que hoje uso para o Gabriel, o TFK, vem daí - The Freak Kid. Quem deu o nome foi o Martin Potter [ex-surfista e atual comentador da World Surf League], porque quando o Gabriel ia para uma bateria, o Martin ficava excitado e dizia: "Look, the freak kid is coming again!". E aí começámos a trabalhar juntos.

Quando arrancou a ascensão do Medina.
Dos 15 anos até hoje foi bem radical. O que ele fez antes de entrar no tour e o que fez durante o tour acho que nenhum atleta fez, nem o próprio Kelly Slater. Aconteceu me menos tempo e de uma maneira muito intensa. Um miúdo entra com 17 anos no circuito e ganha logo duas etapas? [ri-se].

Também porque vinha de um país que, historicamente, não tinha tradição no surf.
Na cultura do surf você tem os EUA e a Austrália. Eles são os donos da festa, acabou. O brasileiro é um convidado e deve baixar a cabeça. Mas o brasileiro não gosta de baixar a cabeça. O europeu dança a música como tem de ser dançada, então, o brasileiro já tem o problema de ocupar espaço. A gente acaba por ser mal vista pela nossa atitude, pela extravagância na torcida e tudo isso. Por outro lado, o brasileiro plantou muita coisa que hoje vem sendo usada. Antes do Gabriel não existia essa coisa de pai, mãe e família frequentarem os campeonatos.

Durante este tempo todo, o Gabriel ficou mais exigente no feedback que lhe dá em relação às pranchas?
Desde o início que foi o Charles a comandar o processo. É o olho e a sensação do Gabriel. Ele sente coisas a surfar dentro de água e o Charles vê o que tem, ou não, expressão. O Gabriel até pode dizer que a prancha é boa e o Charles diz-lhe para tentar fazer uma coisa. Se ele não conseguir, o Charles diz que a prancha não é boa. A coisa fica bem definida. Hoje, basicamente, a gente funciona como um tripé porque, com o tempo - o Gabriel já está com 25 anos -, ele ganhou uma voz. O Charles tem uma comunicação direta comigo o Gabriel também, vamos trocando informação e chegamos a um ponto. A coisa está mais ou menos mastigada desde 2011, quando ele entrou para o tour. Tenho um quiver [conjunto de pranchas] certo para Jeffreys Bay e para Teahupo'o, por exemplo. Então é só dar uma limadinha naquele detalhe.

Já não é preciso retocar muitas coisas?
O Gabriel já não tem variado tanto o peso. Peguei uma fase muito ruim com ele, em 2011 e 2012, quando mudou muito o corpo. Ele começou a crescer algo deformado: o pé cresceu mais do que o peito, a perna fica mais grossa e a barriga mais fina. Ficou com a bunda muito grande e a perna muito grossa. Só depois é que ganhou ombro e braço. Mas ele nunca deixou de usar as minha pranchas. Este ano completamos 10 anos a trabalhar juntos e acho que ainda há muita coisa para acontecer.

Gabriel Medina, aos 15 anos, quando venceu o King of the Groms, em França. Em baixo, do lado esquerdo, o padrasto Charles a carregá-lo nos ombros

Gabriel Medina, aos 15 anos, quando venceu o King of the Groms, em França. Em baixo, do lado esquerdo, o padrasto Charles a carregá-lo nos ombros

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Como são as pranchas que costuma trazer para surfar na etapa de Peniche?
Até ser campeão mundial, em 2014, ele não era um atleta que usava muitas pranchas durante o ano. Usava o número justo, uma média de 30/35 por ano. Quando ganhou o título foi abordado por muitas marcas e empresas grandes de surf, que lhe ofereceram um número ilimitado de pranchas, mais salário. Foi quando disse ao Charles que não podia competir com essa galera, era uma fase em me estava a desligar da Pukas e a começar o meu negócio sozinho. Se temos que pôr um fim nisso, então é agora, com amizade. E ele disse-me para fazer 100 pranchas por ano, ou seja, 10 por etapa. Entre 2015 e 2017 fiz esse número, fora as pranchas de treino, de pré-temporada, para janeiro e fevereiro, quando ele viaja para algum lado, normalmente para o Havai. Nesses treinos ele quebra muitas pranchas porque tenta muitas manobras novas. Quando chega às etapas de França e Portugal costumo variar alguma coisa de curva, de concave, uma medida nova, porque estou mais perto. Quando vai para Peniche, o Gabriel, por norma, leva alguma que funcionou bem em Hossegor, mais as 10 ou 12 pranchas que faço. Ele está sempre a viajar com umas 15 pranchas e, hoje em dia, um saco só carrega cinco. É muita prancha. Houve um ano em que me pediu para fazer um 6'3 para Supertubos e só costuma fazer essas pranchas para o Havai, ou Margaret River [Austrália]. Costumo fazer 5'10'', 5'11'' ou 6'0. Basicamente, o quiver de Portugal seria o mesmo de França, que está entre o 5'10'' e o 6'1''. Todas têm 19'' de largura, variando de 27/16 para 25/16, depende da situação. Os litros em volume da prancha básica está nos 28,5 e vai até aos 29.

Não é uma prancha pesada?
O Gabriel está com 80 quilos, sempre ali à volta. Não vamos dizer que é uma prancha muito grossa. Vejo as pranchas do John John [Florence] e mesmo as do Kolohe [Andino] - têm mais volume de borda do que as do Gabriel. Mas, na mudança de corpo que teve há três anos, ele, realmente, estava a usar pranchas com muita borda. Tanto que os próprios comentadores estereotiparam isso de dizerem que a prancha dele é muito grossa. Não, ele está com uma prancha bem equilibrada e nada agressiva em termos de tamanho.

Quão grande é a influência de um shaper no desempenho de um surfista de competição?
Tenho uma teoria: olha os 10 primeiros do tour. Todos trabalham com apenas um shaper e já há algum tempo. O Kano Igarashi trocou há um ano e já está a melhorar. Basicamente, o que você vê é que os melhores sempre trabalharam só com um nome. Quando você entra no QS, na turma lá de baixo, aí você vê que o atleta está à procura de uma solução e vai tentar usar tudo o que lhe dê uma sensação boa. Vai disparando para todo o lado e não sei se dá, ou não, algum resultado. Quando o shaper tem proximidade com o atleta consegue criar um positivismo maior, no sentido de passar baterias.

[entretanto, toca um telefone, João Cabianca atende e, durante uns segundos, conversa em espanhol.]

Sabe, o surf moderno trouxe muitos segmentos novos. O mais engraçado são os coaches, os novos técnicos. Normalmente, são ex-atletas ou pais. Muitas vezes, você não tem que agradar o atleta, tem é que agradar a eles [ri-se].

O shaper brasileiro conheceu Charles, o padrasto de Gabriel Medina, em Maresias, no litoral do estado de São Paulo.

O shaper brasileiro conheceu Charles, o padrasto de Gabriel Medina, em Maresias, no litoral do estado de São Paulo.

Ilmo Niittymäki

Acha que ser shaper é uma arte inata ou que é algo que pode ser ensinado?
Os melhores shapers, aqueles que estão na frente, têm uma bagagem dentro da fabricação de pranchas que não é só o shape. Eles têm a lixa, as laminações, outros conceitos de quilha, então é um somatório de tudo. Estamos numa época em que as máquinas de controlo numérico ajudam muito na produção. Hoje há programas de desenho muito avançados. Os scanners digitais trazem conforto para os novos shapers, mas vejo pessoas limitadas a trabalhar.

Confiam muito nas máquinas?
Dependem muito delas. Sou do tempo em que era a empurrar no bloco ou então não saia a prancha. Os shapers antigos continuam aí, a Channel Island e a Rusty, por exemplo. Há muitas com a minha idade ou mais velhos. Todos trabalhámos dentro da fábricas de laminação, com lixa, pintávamos com o que fosse. Acho isso muito importante. A indústria das prancha está a ir num caminho que fará com que acabe o meu romantismo. O meu modelo de produção vai acabar. Ainda lamino e uso a lixa. Mas os velhos ainda estão aí.

O ano passado, o Bob McTavish esteve em Portugal.
Tem 78 anos! Quando ele vai à Pukas trabalhar, todo o mundo fica abismado ao ver a disposição dele, do velhinho, que vai para cima e faz. Ele teve um problema financeiro complicado que não permite que pare, tudo bem, mas o bicho está lá. Tem um histórico como desenhador de pranchas e expoente shaper da velha geração australiana que são muito bonitos. Ele ainda é muito procurado.

É sobre esse lado mais romântico que vem falar ao Surf Out Portugal, em setembro (21 a 22)?
Já participei em algumas feiras. Fui a uma, na Califórnia, que já existe há oito ou 10 anos e tem um campeonato de shapers. Geralmente, elegem o nome de um famoso, convidam-te a participar e o público fica à volta da sala a ver-te reproduzir um modelo de prancha do nome que está a ser homenageado. Em 2017 foi o Al Merrick, então eu e outros 14 shapers fomos mostrar a nossa habilidade a reproduzir uma prancha. São feiras bem positivas e quando falei com o Salvador [Stilwell, um dos organizadores do festival português] ele achou uma boa ideia. Gosto muito de fazer uma prancha ao vivo, mostrar um pouco a minha técnica dos anos 80.

Fica nervoso por estar tanta gente a ver?
Não, não. Não sei se a minha prancha é boa ou má - erro muito. Mas aprendi a ser rápido. Sou de uma época em que tínhamos de ser rápidos a produzir. A ideia é ter um microfone para ir interagindo com as pessoas que estão a assistir, se tiverem alguma pergunta. Ou mesmo para eu ir explicando o que estou a fazer. Assim fica bem ilustrativo, a pessoa vê como acontece. Agora, se me montam uma sala de laminação, também vou laminar. Faço tudo.