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Jesus é brasileiro

Grêmio x Flamengo: Jesus remoça, Gabigol marca, Mengão ganha

Vitória do Flamengo sobre o Grêmio por 1 a 0 foi injusta por um lado e justíssima por outro: puniu quem mais chances de gol teve, premiou a melhor equipa do campeonato. A Tribuna Expresso convidou o jornalista brasileiro Plínio Fraga para escrever sobre Jorge Jesus e o Flamengo com o tom, o sotaque e o ritmo certos do Brasilerão

Plínio Fraga

Juliana Flister

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Um velho treinador brasileiro dizia: “A bola pune”. Tentava exemplificar que um time que não sabe aproveitar a superioridade que tem em campo pode perder a partida por um capricho, uma bola vadia – aquela perdida na vida –, como dizem os peladeiros.

Na partida desse domingo em Porto Alegre contra o Grêmio, o Flamengo de Jorge Jesus sofreu pressão na maior parte do jogo, mantendo apenas 31% de posse de bola, deu apenas 9 chutes a gol contra 22 do adversário e atuou por 20 minutos com um jogador a menos, obrigando que o time recorresse a chutões para livrar-se da bola tal encurralado estava.

Mas o Flamengo venceu por 1 a 0, gol do centroavante Gabriel aos 37 minutos, de pênalti, originado na única jogada - troca rápida e precisa de passes - em que lembrou o brilho da equipe que encanta o Brasil desde julho.

Se a bola puniu o Grêmio nessa partida, privilegiou a jornada espetacular do Flamengo de Jorge Jesus, que obteve a 25.ª vitória em 34 jogos, somando 81 pontos, recorde no campeonato brasileiro, a melhor campanha da história nacional.

A tudo caminhar bem, o Flamengo pode bater 15 recordes técnicos até o final do campeonato: número de pontos corridos, vitórias, gols marcados, entre outros.

A vantagem

O Flamengo abriu 13 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, o Palmeiras. Pode ser campeão no próximo domingo, sem nem mesmo entrar em campo, com quatro rodadas de antecipação, caso a equipe palmeirense não vença seu próximo adversário, o mesmo Grêmio batido neste domingo.

Azar de Renato Gaúcho, o treinador gremista, que se tornou o maior antagonista a Jorge Jesus no campeonato brasileiro e pode entregar a ele de bandeja o título nacional.

Antes de o Flamengo eliminar o Grêmio na Libertadores, com um pungente placar de 5 a 0, Renato ironizara a ascensão - para ele misteriosa - de Jesus, lembrava a tradição do clube gaúcho em títulos, tricampeão da Libertadores da América, e fez troça dos 65 anos do português.

Imaginava que uma vitória em Porto Alegre aliviaria a dor da derrota de goleada no jogo anterior. Chegou a colocar três centroavantes em campo para vencer. Mas não conseguiu. Renato Gaúcho reclamou de que o pênalti a favor do Flamengo foi marcado incorretamente, porque a bola tocou no braço apoiado no chão de um defensor. Jesus disse que a interpretação do árbitro para o lance foi precisa.

Os adversários

O Flamengo jogou sem seis titulares. Conseguiu fazer um bom primeiro tempo, impondo-se ao adversário, mas recuou totalmente na segunda etapa, preservando o placar favorável.
Como tudo está dando certo para o Flamengo, a vitória - injusta no domingo - premia os seis meses revolucionários de Jesus na equipe carioca.

Ao final, o treinador português foi cumprimentado por Renato Gaúcho. O gremista admitiu: “Eles mudam meio time e continuam jogando bem. Tenho de reconhecer”.

Ao tempo em que atuavam como jogadores, Jorge Jesus e Renato Gaúcho, tinham ao menos uma coisa em comum: vasta cabeleira que descia à linha dos ombros, com cabelos pretos com ondulações típicas de quem faz escova. Jesus é de 1954; Renato, de 1962. Os oito anos que os separam só permitiram que fossem jogadores no mesmo período por seis anos: de 1983 a 1989. Jesus esteve em campo entre 1973 e 1989; Renato, entre 1983 e 1995.

Na beira do gramado deste domingo, fisicamente Renato parecia bem mais jovem que o colega português. No entanto, profissionalmente, coube a Jesus o papel de remoçar o futebol brasileiro, comandando uma equipe que ruma para um título inquestionável.