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Jesus é brasileiro

"O Raul José gritava lá de trás: 'Schweinsteiger, mister'. E o JJ para nós: 'É aquele loirinho da seleção, c...' Não conseguia dizer o nome"

Na semana em que Jorge Jesus pode conquistar o Brasileirão e a Copa dos Libertadores, a Tribuna Expresso avança com uma história por dia, partilhada por quem com ele conviveu numa longa carreira. Esta terça-feira é o dia de Cândido Costa, que foi treinado por J.J. no Belenenses

Cândido Costa (depoimento recolhido por Alexandra Simões de Abreu)

Rui Duarte Silva

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Tenho várias histórias com o Jorge Jesus, mas aquela que guardo com particular entusiasmo, em que penso às vezes quando vou a conduzir e dá-me sempre vontade de rir, aconteceu no Belenenses, na semana que antecedeu o jogo com o Bayern de Munique.

Nós tínhamos sido apurados para a Taça UEFA e calhou-nos o Bayern Munique no sorteio. O primeiro jogo iria ser disputado lá, na Alemanha. O Jorge Jesus já era bastante nervoso e interventivo, e fazia-o habitualmente com grande intensidade, é algo característico dele, mas nessa semana estava particularmente alterado.

Afinal de contas, era o Bayern de Munique que o Belenenses tinha pela frente. Na altura, ainda não eram muitos os confrontos europeus que ele tinha tido e isso colocou-o em êxtase, estava absolutamente "louco", com todas as aspas.

Alexander Hassenstein

Na quarta-feira fizemos uma sessão de vídeo. Fomos todos para uma sala e o Raul José, que era o adjunto dele, estava ao pé da máquina de slides, numa zona mais retirada. Ele iniciou a palestra falando um pouco da equipa do Bayern de Munique de forma geral.

Depois, a dada altura, começam a passar slides com os jogadores do Bayern de Munique. Ia entrando um a um, mas só o rosto deles e a posição em que jogavam, não dizia o nome do jogador. Entrou o guarda-redes, ele falou um pouco sobre o Kahn: "O Kahn vocês todos conhecem..."

Depois entrou o quarteto defensivo e nós todos com muita atenção, como era sempre exigido por ele, não havia palhaçadas. Ele com aquela marca muito dele. Fez uma pequena referência a todos individualmente.

Até que entra o meio-campo e a primeira fotografia que aparece é do Schweinsteiger, pá, é um nome um bocado complicado. E ele, naquele jeito dele começa: "Ora, aqui no meio joga o... Ó Raul, como é que se chama aqui o coiso?" E o Raul lá atrás diz: "Schweinsteiger, mister". E ele para um bocado. Nós a olhar para ele. E ele: "Como?" E o Raul outra vez: "O Schweinsteiger, mister". E vai ele assim para nós: "É aquele loirinho da seleção, ó c.... Joga para c..." Não disse o nome [risos].