Tribuna Expresso

Perfil

Jogos Olímpicos
Ulisses Pereira

Ulisses Pereira

Vogal Comissão Executiva COP

Juntos pelo Desporto

Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje escreve Ulisses Pereira, vogal da Comissão Executiva do COP

Ulisses Pereira

Imagem da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016

NurPhoto

Partilhar

É inquestionável o desprezo a que o Desporto em Portugal tem sido votado pelo Poder Político no decorrer desta pandemia, que criou uma grave crise no movimento associativo, sem que quaisquer ajudas concretas tenham sido dadas para garantir a sua sustentabilidade.

O que se passou na recente discussão do Orçamento de Estado é bem revelador da forma como o Governo e os Partidos com maior representação parlamentar desvalorizaram uma atividade que é fulcral para o desenvolvimento da nossa sociedade, base para a existência de cidadãos mais saudáveis, solidários e ativos.

Não obstante ter sido criado pelo Estado o grupo de trabalho exigido na 1.ª Cimeira das Federações Desportivas, realizada em julho de 2020, tendo em vista a preparação de propostas para uma revisão do sistema de impostos e incentivos fiscais para o Desporto, nenhuma delas mereceu por parte do Governo a inclusão na sua proposta de Orçamento, mesmo as que não tinham qualquer impacto financeiro para o Estado. Uma desilusão completa agravada pela atitude dos dois Partidos com maior representação parlamentar, que não permitiram a aprovação das propostas que foram apresentadas por outros Grupos Parlamentares.

Um rotundo ZERO, um reafirmar que o Desporto se encontra no patamar mais baixo das opções políticas e sociais do atual Poder, que só se lembra dele como bandeira quando lhe interessa, quando os resultados internacionais valorizam o País, numa atitude de hipocrisia que a todos devia envergonhar.

E isto num quadro internacional em que a União Europeia, a que Portugal agora preside, apelou para que o Desporto não fosse esquecido pelos Governos Nacionais.

Em Portugal NADA, um profundo esquecimento, a diminuição do Orçamento de Estado para o Desporto, a inexistência de qualquer medida concreta que ajude a proteger a sustentabilidade das Associações Desportivas.

Os indicadores da atividade desportiva em Portugal caíram mais de 50% nos últimos meses, é brutal a redução do número de atletas federados, o financiamento público do setor não acompanhou o crescimento das despesas das Federações, as prioridades da Presidência Portuguesa no Conselho da União Europeia para o setor desportivo são de uma pobreza “franciscana”.

Isto enquanto o Ministro da tutela não fala sobre Desporto há mais de 10 meses, a não ser para se envolver em polémicas estéreis do mundo do futebol profissional. Aliás, só esta semana algo disse sobre a matéria, porque instado na Assembleia da República para o efeito.

Por tudo isto o Comité Olímpico de Portugal, o Comité Paralímpico e a Confederação do Desporto voltaram a convocar, para o passado dia 12, uma nova Cimeira das Federações Desportivas, numa plataforma agora alargada à Comissão dos Atletas Olímpicos, à Comissão dos Atletas Paralímpicos e à Confederação de Treinadores de Portugal.

Participaram neste encontro perto de meia centena de Federações Desportivas, que aprovaram por unanimidade uma moção sob o lema “JUNTOS PELO DESPORTO”, no qual se estabelece um plano de ação com 6 pilares:

1) Retomar as atividades do Desporto Federado em segurança, com uma especial atenção à vertente formativa;

2) Exigir ao Governo a criação de uma medida específica de apoio ao Desporto no âmbito do Mecanismo Europeu de Recuperação e Resiliência;

3) Articular com a Secretaria de Estado do Turismo a construção de um plano de aproveitamento das valências desportivas nacionais;

4) Intensificar as diligências para que finalmente se consiga uma revisão do sistema de incentivos fiscais para o Desporto;

5) Solicitar a uma entidade externa credenciada a realização de um estudo do impacto económico e financeiro da pandemia COVID-19 sobre as organizações desportivas nacionais;

6) Desenvolver uma campanha nacional, envolvendo todos os agentes desportivos, de sensibilização para as dificuldades porque passa o Desporto.

Um último apontamento para que não seja tudo negativo na análise do comportamento dos agentes políticos, para realçar a atitude positiva do Presidente do Conselho Económico e Social, que, em recente entrevista ao jornal “Expresso”, afirmou que o Desporto devia ter assento naquele Conselho.

Esperemos, agora, que não seja o Parlamento a inviabilizar essa visão, que corroboramos por inteiro