Tribuna Expresso

Perfil

PUBLICIDADE
Tóquio 2020

Tóquio 2020

Jogos Olímpicos

Steffi Kriegerstein foi medalha de prata nos Jogos do Rio. As sequelas da covid-19 vão deixá-la fora dos Jogos de Tóquio

Canoísta alemã de 28 anos viu-se obrigada a desistir da participação olímpica por ainda sentir os efeitos das sequelas da covid-19, três meses depois de ser diagnosticada

Lídia Paralta Gomes

Robert Michael/picture alliance via Getty Images

Partilhar

Tudo começou com sintomas que por esta altura já tanta gente conhece. Dores de garganta e tosse muito forte. Estávamos em dezembro e Steffi Kriegerstein, canoísta alemã, medalha de prata no K4 500m nos Jogos Olímpicos, apressou-se a fazer um primeiro teste à covid-19. Deu negativo.

“Mesmo assim fiquei em casa. De repente comecei a sentir dores horríveis no corpo, o pescoço pesado e a pele dorida”, conta a atleta de 28 anos, também duas vezes medalhada em Mundiais de canoagem. Voltou a repetir o teste e confirmou que estava infetada. E, numa entrevista ao diário “Bild”, explicou como a covid-19 destruiu o sonho de competir em Tóquio daqui a cinco meses e aumentar o seu currículo olímpico.

Após curar-se, Kriegerstein tentou voltar aos treinos, mas o seu corpo não respondia. Sentia cansaço, dores de cabeça persistentes, o coração acelerado, desconforto nos pulmões. Subir as escadas até ao 4.º andar do seu apartamento passou a ser uma tarefa hercúlea para uma atleta olímpica habituada aos maiores esforços nos caiaques. “Sempre que tentava recomeçar, surgiam novas sequelas. Cansei-me de lutar durante três meses”, admitiu ainda ao jornal alemão.

Desde dezembro que toda a preparação para Tóquio2020 foi deitada fora, com a alemã a ver-se obrigada a desistir das provas nacionais de qualificação olímpica. Apesar de se sentir a melhorar, a canoísta diz que nada pode fazer a não ser “dar tempo ao tempo e esperar que o corpo se decida a começar de novo”.

Numa mensagem deixada nas redes sociais, Kriegerstein frisa que a sua condição atual não lhe permite pensar “num dia a dia de treino normal” e que a prioridade agora é recuperar a sua saúde.

“Os grandes objetivos em que me foquei nos últimos quatro anos já não existem. Os Jogos Olímpicos estão longe para mim. No entanto, afundar-me em autocomiseração não é uma opção. Tenho todo o apoio da minha família, amigos, patrocinadores e equipa técnica”, escreveu a atleta.