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Uma crise renal depois, Emanuel Silva mantém olho nas medalhas em Tóquio: "objetivos intactos, ambição ao máximo"

O canoísta português, de 35 anos, falhou os Europeus de Poznan, na Polónia, devido a um problema nos rins, mas isso não desviou os objetivos de conquistar uma medalha este verão, na prova de 500 metros e K1 dos Jogos Olímpicos: "nada mudou (...) vou estar ainda com maior vontade"

Lusa

Julian Finney/Getty

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O canoísta Emanuel Silva garantiu, esta segunda-feira, que “nada mudou” nos objetivos de alcançar uma medalha nos K4 500 metros dos Jogos Olímpicos Tóquio2020, assegurando que a sua vontade de voltar rapidamente aos treinos é inexcedível.

“Não se muda de objetivos do dia para a noite. Isto dá-nos ainda mais vontade de mostrar que uma pequena pedra no caminho não nos vai desviar do objetivo”, vincou, em declarações à Lusa, o canoísta, medalha de prata em K2 1.000 metros em Londres2012, com Fernando Pimenta.

Uma crise renal na véspera de iniciar os Europeus, em Poznan, na Polónia, levaram à sua hospitalização, gorando-se a oportunidade de realizar um último teste internacional frente aos ‘rivais’, antes de Tóquio2020.

“Objetivos intactos, ambição ao máximo, resiliência máxima. Vivo da competição, do alto rendimento e não poder competir nestes Europeus foi ainda mais angustiante. Nos Jogos Olímpicos vou estar ainda com maior vontade”, vincou o experiente atleta, de 35 anos, reiterando estar mais “focado” do que nunca.

Emanuel Silva, que vai para os seus quintos Jogos Olímpicos, elogiou o desempenho dos seus colegas em Poznan - João Ribeiro foi vice-campeão da Europa em K1 500 e, com Messias Baptista, sétimo em K2 500, enquanto David Varela foi 17.º na estreia em K1 200 – e garantiu que em breve estará em forma idêntica.

“Estão todos em excelente momento de forma e rapidamente vou buscar o meu. O Rui Fernandes [treinador] tem conhecimentos suficientes para isso”, tranquilizou, sem desejar “ultrapassar patamares” na recuperação e lembrando os “ensinamentos” desta experiência.

A este propósito, recorda que tem “bem definidas” as prioridades, que passam pela saúde, pela família e só depois vem o desporto.

“Sem saúde não conseguimos fazer nada. Se algo corre mal com a família, o atleta não rende. É passo a passo. Encarar isto como mais uma aprendizagem, que precisamos estar sempre controlados e vigiados”, considerou, esperando que outras equipas e federações nacionais façam o mesmo para que este tipo de situação não se repita com ninguém, especialmente “numa grande competição”.

No lado positivo, o facto de o problema ter surgido “agora, na Polónia, na Europa, e a dois meses do momento mais importante do ciclo olímpico”.

Emanuel Silva agradeceu o “apoio incondicional” da sua equipa, do treinador, da federação e das “inúmeras mensagens” dos portugueses.

Dentro de uma semana, o canoísta deverá retirar o cateter, sendo depois avaliado o momento de voltar a sentar-se no caiaque, pelo médico Jaime Milheiro e por um urologista, sempre com a noção de que “a pressa é inimiga da perfeição”.