Tribuna Expresso

Perfil

PUBLICIDADE
Tóquio 2020

Tóquio 2020

Jogos Olímpicos

O andebol português e Tóquio 2020: "Não é só estar lá a comer sushi, vamos tentar mais uma vez fazer história"

Em estágio na Nazaré com um grupo de 20 jogadores, que será cortado para 15, o selecionador nacional Paulo Jorge Pereira lamentou a falta de reconhecimento da equipa, a primeira de uma modalidade coletiva de pavilhão a lograr uma qualificação olímpica: "No país em que estamos, o desporto não importa, não presta, não é nada - é futebol"

Lusa

ANNE-CHRISTINE POUJOULAT/Getty

Partilhar

O selecionador nacional de andebol, Paulo Jorge Pereira, disse esta quarta-feira querer "fazer história" nos Jogos Olímpicos Tóquio2020, garantindo que Portugal não vai ao Japão "só comer sushi".

"É um momento alto de qualquer desportista e vamos tentar mais uma vez fazer história. Não é só estar lá a comer sushi, vamos tentar mais uma vez fazer história", disse Paulo Jorge Pereira, no final de mais um dia de estágio na Nazaré, onde Portugal prepara a participação nos Jogos Olímpicos.

Apesar do entusiasmo com a presença no torneio olímpico - depois da tatuagem pela qualificação, prometeu fazer outra em caso de conquista de medalhas em Tóquio2020 -, o selecionador lamentou a falta de reconhecimento pelo feito obtido pela equipa nacional, que pela primeira vez conseguiu apurar Portugal para uma modalidade coletiva olímpica de pavilhão.

"Na situação em que estamos, no país em que estamos, o desporto não importa, não presta, não é nada - é futebol. Eu adoro futebol, mas reconheço que nós é como se não existíssemos", desabafou.

Paulo Jorge Pereira sublinhou os sacrifícios feitos pelos atletas nacionais. "Trabalhamos muito, esta gente sofre muito para poder competir por Portugal e devíamos ser um bocadinho mais reconhecidos. De qualquer maneira é o que temos, são estas as condições e aceitamo-las"”, salientou.

Na Nazaré, Portugal tem investido os primeiros dias de estágio sobretudo em trabalho físico e já se nota os efeitos.

"Pouco a pouco eles já estão a adquirir níveis físicos interessantes", frisou o técnico, que aproveitará o encontro particular com o Brasil, na sexta-feira, para "tentar jogar bem", sem pensar no resultado, mas sim "na questão do processo [de jogo]".

Neste primeiro de três estágios estão em avaliação 20 jogadores, dos quais cinco ficarão de fora dos Jogos, segundo critérios já conhecidos pelo grupo.

"Os jogadores já sabem quais são as condições", porque "a gestão da expectativa é o mais importante", afirma Paulo Jorge Pereira.

Consequentemente, "aqueles jogadores que provavelmente poderão não vir a ser convocados, esses já sabem quem são", mas "está tudo a treinar feliz", acrescentou.

A presença no Europeu que qualificou para o pré-olímpico e no pré-olímpico que qualificou para os Jogos garante "mais probabilidade de aceder" a Tóquio 2020, "por uma questão de critério e de justeza. É isso que está em cima da mesa", afirmou o selecionador, lembrando, contudo, que "até dia 17 pode acontecer muita coisa".

Na Nazaré, o responsável pela seleção reforçou a relevância do primeiro jogo de Portugal, frente ao Egito, "uma equipa que pode ganhar a qualquer outra do grupo".

"Para nós vai ser extremamente importante o primeiro jogo, embora, aconteça o que acontecer no primeiro jogo, continuaremos em prova e as coisas continuam intactas até ao final. Era importante entrar bem", concluiu.