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O nervoso miudinho e a "bandeira às costas" de Frederico Morais até Tóquio: "Tenho a certeza que os resultados vão aparecer"

O único português a competir no circuito mundial da World Surf League lamenta o facto de os surfistas não irem poder experienciar a Aldeia Olímpica, pois estarão a cerca de 90 quilómetros de Tóquio. Frederico Morais revelou que vai "pensar heat a heat" na competição de surf, para "ir crescendo, fazendo o [seu] campeonato"

Lusa

Ed Sloane/Getty

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Frederico Morais é um dos três representantes portugueses na estreia olímpica do surf nos Jogos Tóquio 2020, assumindo o orgulho do contingente de surfistas, com a promessa de que os resultados vão aparecer.

“Termos três representantes no surf é uma grande conquista. Para mim, é uma conquista e um orgulho e tenho a certeza que vamos dar tudo para ter o melhor resultado. Qualquer competidor quer ganhar, caso contrário não era competidor, mas é preciso fazer todo o trabalho atrás das cortinas e entrar na água e surfar. É no que eu estou focado e, por isso, tenho a certeza que os resultados virão”, afirmou Frederico Morais.

Em entrevista à agência "Lusa", o surfista natural de Cascais, de 29 anos, admitiu alguma ansiedade com o aproximar da competição, prevista entre 25 e 28 de julho, na praia de Tsurigasaki, a pouco menos de uma centena de quilómetros da capital japonesa, que acolhe os Jogos entre 23 de julho e 8 de agosto.

“Agora uma pessoa sente que vai mesmo acontecer e está a aproximar-se e o nervoso miudinho começa a aparecer, mas é bom sinal”, admitiu o representante nacional na competição masculina, enquanto Teresa Bonvalor e Yolanda Sequeira vão disputar a prova feminina.

Com a descontração que o caracteriza fora de competição, Frederico Morais lamentou que a envolvência olímpica lhe vá passar um pouco ao lado, porque os representantes do surf vão estar “um bocado afastados”, rematando, com otimismo: “Vai ser pacífico”.

“Para nós vai ser um bocado igual [a uma etapa do circuito mundial], porque não vamos ficar na Aldeia Olímpica. Vamos ficar perto da praia, que é a 90 quilómetros de Tóquio, por isso, vão ser as mesmas caras de sempre, com quem compito quase todos os dias. Claro que vai ser completamente diferente, mas acho que, por isso, não vou conseguir aproveitar todo o ambiente olímpico”, referiu.

Apesar de ainda não ter alcançado nenhum triunfo no circuito mundial de surf, Kikas já tem experiência em pódios, com os terceiros lugares alcançados no Rip Curl Narrabeen Classic, na Austrália, este ano, no Oi Rio Pro, no Brasil, em 2019, e o segundo lugar no Corona Open J-Bay, na África do Sul, em 2017.

O estatuto olímpico, na maior competição desportiva do mundo, é, para o cascalense, mais um momento em que vai defender Portugal.

“Eu sinto que a responsabilidade é a mesma, porque no circuito mundial, sendo o único representante há alguns anos, tenho a bandeira às costas e tenho essa responsabilidade acrescida. Claro que os Jogos são o pico do desporto para qualquer atleta e, obviamente, vamos ter mais olhos em cima de nós e, talvez, alguma pressão. Mas eu gosto de encarar tudo da mesma maneira para não criar uma maior pressão em mim. Assim fica mais fácil lidar com o que eu sei e estou habituado, para resultar da melhor forma”, relativizou.

Na primeira ronda, Kikas vai defrontar o japonês radicado em Portugal Kanoa Igarashi, o francês Jeremy Flores e o peruano Miguel Tudela. Os dois primeiros avançam para a terceira eliminatória, relegando os outros dois para a repescagem, disputada em dois heats de cinco surfistas, que afasta os dois últimos da competição.

“O foco é o mesmo. Gosto de encarar como encaro o circuito mundial, pensar heat a heat, ir crescendo, fazendo o meu campeonato. O mais importante é estar focado, fazer o meu surf e, depois, os resultados virão”, frisou o surfista luso.

Menos certo está Frederico Morais com as condições do oceano Pacífico, em Chiba: “Tenho andado a ver e as previsões são de ondas muito pequenas, mas pode ser que o mar colabore connosco e nos dê uma ótima surpresa para o campeonato. Se não, também estamos habituados e fazemos surf no que houver”.

Com a estreia olímpica da modalidade a aproximar-se, o único surfista português no circuito principal reconhece que este novo estatuto vai conferir mais objetivos nos mais jovens.

“Eu acho que sim, para os miúdos e para quem sonha ser surfista vê que há um futuro. Acredito que o surf veio para ficar, nos próximos Jogos Olímpicos vai ser no Tahiti [Polinésia Francesa], por isso, é aproveitar estes e focar nos próximos”, realçou.

Se o ambiente olímpico em Tóquio2020 vai ser diminuto, pelas restrições provocadas pela pandemia e pela distância de Chiba à capital nipónica, em Paris 2024 vai ser praticamente nulo, o que, no entanto, não desmobiliza Frederico Morais: “Primeiro tenho de passar por estes e, depois, começou a pensar no futuro. Quero focar-me nestes e dar o meu melhor”.