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Tóquio 2020

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Jogos Olímpicos

Pode a tecnologia no calçado ameaçar os recordes de Usain Bolt? O jamaicano acha que “é de rir”

Os recordes de Usain Bolt não pareciam fáceis de alcançar num futuro próximo, mas a verdade é que pode estar para breve. Tudo por causa da tecnologia

Rita Meireles

Ian MacNicol/Getty

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A última vez que participou nos Jogos Olímpicos, em 2016, ganhou tudo aquilo a que se propôs, como aliás tinha acontecido nas duas edições anteriores. No Rio de Janeiro, chegou ao ouro nos 100 metros, 200 metros e 4x100 metros, com a equipa da Jamaica. Este ano jogam-se, em Tóquio, os primeiros Olímpicos da era pós Usain Bolt e os atletas e marcas desportivas estão cada vez mais perto dos seus recordes pessoais.

A evolução tecnológica permite tudo e as sapatilhas usadas pelos atletas têm vindo a ser alvo de várias alterações que permitem que quem as use seja mais rápido. Esta não é a primeira vez que a tecnologia está em cima da mesa, mas até aqui, segundo Bolt, nunca foi autorizada.

“É estranho e injusto para muitos atletas, porque sei que no passado eles [empresas de calçado] tentaram e o corpo de dirigentes disse ‘não, não se pode mudar’, por isso, saber que agora o estão a fazer, é de rir”, disse, em declarações à "Reuters".

Quando soube da novidade, Bolt nem quis acreditar. Até porque estes sapatos de bicos capazes de fazer a diferença nos resultados finais, para o jamaicano, fazem com que os atletas hoje em dia partam em vantagem.

A desenvolver tudo isto estão marcas como a New Balance ou a Nike. E a usá-los estão atletas como os norte-americanos Trayvon Bromell e Sha’Carri Richardson.

Se, por um lado, a última não terá oportunidade de bater qualquer recorde no torneio Olímpico, por ter ficado de fora após suspensão, Bromell é o nome apontado quando o tema é ultrapassar os números de Bolt em Tóquio.

"Acho que não há muitos dados que mostrem que estão a ter uma melhoria tão grande", disse o atleta à "Reuters", retirando o mérito às sapatilhas.

Shelly-Ann Fraser-Pryce, da Jamaica, avança com a mesma ideia. A atleta da Nike considera que outra pessoa com as mesmas sapatilhas nos pés poderia não chegar aos mesmos resultados. Como o recorde que bateu no mês passado, ao registar o tempo mais rápido nos 100 metros dos últimos 33 anos. “Não vou colocar de lado o trabalho árduo que tenho feito e que o meu treinador tem posto em prática”, diz.

Ainda assim há quem aponte para o contrário.

O treinador Stephen Francis admite que os tempos estão a melhorar para os atletas que usam os novos modelos da Nike. Existem mesmo atletas que nunca correram tão rápido como estão a correr hoje em dia. Ainda assim, defende, esta é uma vantagem da qual qualquer pessoa pode beneficiar.

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