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Tóquio 2020

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As futebolistas ajoelharam-se em protesto, mas a organização dos Jogos Olímpicos não vai partilhar estas fotografias

Antes dos jogos de futebol feminino que começaram esta quarta-feira, a organização dos Jogos Olímpicos de Tóquio e o Comité Olímpico Internacional enviaram uma mensagem às suas equipas de redes sociais para impedir a partilha dos registos fotográficos de todos os atletas que se ajoelharem

Rita Meireles

ASANO IKKO

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A lista de restrições continua a aumentar nos Jogos Olímpicos de Tóquio, mas a última em nada está relacionada com a covid-19. Na terça-feira, o Comité Olímpico Internacional (COI) e a organização dos Jogos Olímpicos de Tóquio informaram as suas equipas responsáveis pelas redes socias que estavam proibidas de publicar fotografias de atletas ajoelhados antes dos jogos, avançou o jornal "The Guardian".

Na mensagem foi feita uma referência ao jogo de futebol feminino entre a Team GB, equipa olímpica da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, e o Chile. Em relação à primeira equipa, era já certo que as jogadoras se iriam ajoelhar, uma vez que já o tinham confirmado antes dos jogos.

E assim foi.

Antes do jogo desta quarta-feira, as jogadoras de ambas as equipas ajoelharam-se. Seguindo-se as formações dos EUA, Suécia e Nova Zelândia. As imagens foram transmitidas ao vivo nas televisões, mas não chegaram a nenhuma das redes sociais dos Olímpicos, nem ao live blog (artigo em constante atualização) feito pela organização.

Este gesto, que tem sido repetido um pouco por todo o mundo e entre diversas modalidades, é uma forma de protesto contra o racismo e, sobretudo no contexto norte-americano, o abuso de força por parte dos polícias contra a comunidade afro-americana. Colin Kaepernick, jogador de futebol americano, foi o primeiro atleta a ajoelhar-se e vários o seguiram.

Steph Houghton, uma das capitãs da equipa da Grã-Bretanha, afirmou no final do jogo frente ao Chile que a decisão foi tomada entre toda a equipa, que considera importante mostrar apoio às pessoas que lidam com a descriminação. Foi isso que aconteceu a alguns jogadores da seleção inglesa após perderem a final do Euro 2020, frente à Itália. Bukayo Saka, Jadon Sancho e Marcus Rashford foram insultados e vítimas de ataques racistas nas redes sociais.

“Foi um momento de orgulho porque as jogadoras chilenas também se ajoelharam para mostrar como estamos unidos como desporto", disse Houghton após o jogo.

Os Jogos Olímpicos já foram palco de algumas das fotografias mais importantes da história do desporto. Como a dos norte-americanos Tommie Smith e John Carlos nos Jogos Olímpicos da Cidade do México, em 1968. Na cerimónia de entrega das medalhas, com um dos punhos erguidos, os atletas foram protagonistas de um protesto contra a segregação racial.

O "The Guardian" menciona que houve recentemente um relaxamento da Regra 50, que proibia os atletas de executarem manifestações políticas, religiosas ou raciais num qualquer espaço ou palco olímpico. O próprio presidente do COI, Thomas Bach, disse que o gesto do joelho era "permitido", pois não viola a tal Regra 50, furtando-se ainda assim a comentar a notícia avançada pelo "The Guardian".

Este ano estas fotografias vão ser novamente tiradas, mas aquelas que tiverem como protagonista um joelho a tocar no solo não serão partilhadas pela organização.