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Tóquio 2020

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Jogos Olímpicos

Tem 12 anos, é da Síria e começou a jogar ténis de mesa para fugir do caos: Hend Zaza é a benjamim de Tóquio

A jovem jogadora de ténis de mesa, natural da Síria, já enfrentou mais desafios do que muitos dos adultos que vão estar presentes nos Jogos Olímpicos. E tem apenas 12 anos. A preparação para a competição não foi fácil, mas a ambição de lá chegar falou mais alto

Rita Meireles

LOUAI BESHARA

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Os primeiros meses de 2021 não foram tempos fáceis. Entre confinamentos e números recorde associados à pandemia causada pela covid-19, poucas boas notícias surgiram nessa altura. Mas houve pelo menos uma, que, em fevereiro, saiu de Amã, capital da Jordânia, para os quatro cantos do mundo.

Hend Zaza, natural da Síria, confirmou a sua presença no torneio olímpico feminino de ténis de mesa dos Jogos Olímpicos de Tóquio, após o triunfo no torneio de qualificação olímpica do Sudoeste Asiático, frente à libanesa Mariana Sahakian.

E o motivo pela qual esta notícia ecoou pelo mundo é que Hend tinha apenas 11 anos, o que faz dela, agora com 12 anos, a atleta mais nova dos Jogos Olímpicos de 2021 e a mais nova desde que, há 52 anos, Beatrice Hustiu competiu em patinagem artística nos Jogos Olímpicos de Inverno de 1968.

Mais: na história dos Jogos, nunca antes um atleta natural da Síria se qualificou para o torneio de ténis de mesa, independentemente do género. Esta que é uma modalidade que não coloca mínimos ou máximos em relação à idade dos praticantes.

Hend Zaza nasceu em Hamã, uma cidade no centro da Síria, fortemente afetada pela guerra e por ataques terroristas. O ténis de mesa foi a forma que primeiro o seu irmão e depois ela encontraram para se manterem afastados do caos. A primeira vez que pegou numa raquete tinha apenas cinco anos, em 2014, e dois anos depois já estava a viajar com o irmão para competir e ganhar experiência em jogos contra atletas mais velhos.

Eva Jeler, da Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF), foi quem reparou nela a nível internacional, enquanto competia no World Hopes Week & Challenge, no Catar.

"Raramente vi um jogador nesta idade jogar com tanta alegria e treinar com tanta intensidade como Zaza. Ela nunca andou para apanhar a bola, ela correu. Embora a técnica precisasse e ainda precise de ser melhorada, a sua determinação, resistência e vontade de jogar e ganhar são quase uma garantia para o sucesso no futuro", afirmou Eva Jeler em entrevista ao website da ITTF.

Para quem ainda não conhecia este lado de Zaza, a determinação da jovem ficou clara logo após a qualificação para Tóquio, quando, também em entrevista à ITTF, garantiu: "Se eu não puder ir aos Jogos Olímpicos este ano por causa do coronavírus, irei em 2024".

LOUAI BESHARA

Hoje continua a treinar com o treinador de sempre, Adham Aljamaan, no Al-Muhafaza Table Tennis Club, em Damasco, capital da Síria. Um espaço muito diferente do que vai encontrar em Tóquio, mais pequeno e com pouca iluminação, que prova a capacidade de Zaza de desafiar todas as probabilidades e chegar a um dos maiores palcos do desporto mundial. Ou não tivesse a jogadora já enfrentado tantas adversidades, desde uma pandemia a um cenário de guerra.

E, contra todas as adversidades, venceu o título nacional em todas as categorias - cadetes, juniores e seniores - e é a única a conseguir alcançar este feito na Síria.

Em Tóquio, Hend Zaza vai agora enfrentar algumas das melhores jogadoras de ténis de mesa do mundo, mas se há alguém pronta para qualquer desafio é ela. O primeiro jogo está marcado para o dia 24 de julho e Zaza terá pela frente Liu Jia, da Áustria.