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Tóquio 2020

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Jogos Olímpicos

Os milionários em Tóquio e os que precisam de crowdfunding: a li$ta da Forbes

Entre os atletas que estão a competir nos Jogos Olímpicos há duas realidades distintas e a comitiva norte-americana é a prova disso. De um lado o 10.º atleta mais bem pago do mundo, do outro uma medalhada que ao ver-se sem patrocínios teve que recorrer a uma página de angariação de fundos para conseguir chegar a Tóquio

Rita Meireles

Ethan Miller

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A menos de um mês do início dos Jogos Olímpicos de Tóquio, a revista Forbes lançou a lista dos atletas mais bem pagos do mundo. Entre o grupo liderado por Conor McGregor, é necessário descer até à 10.ª posição para encontrar o primeiro atleta da lista com presença marcada nos Jogos. Trata-se de Kevin Durant, jogador de basquetebol norte-americano, que faturou um total de 63,6 milhões de euros.

O jogador dos Brooklyn Nets regressou à quadra esta época depois de um ano parado por causa de uma lesão no tendão de Aquiles. Além dos ganhos associados ao basquetebol, ‘KD’ é também investidor em mais de 40 empresas e um dos donos dos Philadelphia Union, equipa de futebol da MLS.

A segunda atleta a marcar presença nesta lista em Tóquio é Naomi Osaka. A tenista japonesa é uma de apenas duas mulheres entre os 50 atletas mais bem pagos do mundo, ao lado de Serena Williams. No total, Osaka arrecadou um total de 51 milhões de euros.

Além do basquetebolista e da tenista, há ainda outros nomes nesta lista que estão a representar os seus países nos Jogos Olímpicos. Como Damian Lillard (34,4 milhões de euros), basquetebolista dos Portland Trail Blazers, e o favorito à medalha de ouro no ténis masculino Novak Djokovic (29,3 milhões de euros).

Tim Clayton - Corbis

Mas se isto é o normal para alguns dos atletas que estão reunidos em Tóquio, para outros este cenário não podia estar mais longe da realidade.

Do lado oposto, há muitos atletas para quem todas as competições contam, uma vez que todos os prémios monetários são necessários. E após um ano onde nem sempre tiveram onde competir, por causa da pandemia de covid-19, chegam agora ao maior palco do desporto mundial. Sem prémio monetário.

Sarah Hirshland, diretora executiva do Comité Olímpico e Paralímpico dos EUA, em entrevista ao website USA Today, realçou que muitos destes atletas são “trabalhadores clássicos” e, além das provas em que competem, participam em diversas presenças ou discursos para as quais são convidados. Quando tudo isso é cancelado, torna-se difícil.

John Nubani representa diversos atletas de atletismo, principalmente norte-americanos, e não tem dúvidas em relação à existência de dois pontos opostos entre os atletas. “A maioria dos atletas está sob esse contrato de seis dígitos e alguns não têm contratos, pelo que o dinheiro gerado a partir do prémio monetário é essencial para a sua subsistência como atleta e permite-lhes pagar a sua renda, obter alimentação, etc.”, referiu na mesma publicação.

O preço de competir

A provar este cenário está um estudo realizado em 2020, com atletas de 50 países em treino para os Jogos Olímpicos. Entre os inquiridos, 58% afirmaram que não se consideram “financeiramente estáveis”.

Sendo assim, chegar a Tóquio foi tudo menos fácil - e não foi só pela dificuldade das provas de apuramento. Como já se tem tornado regra, todos os anos vários atletas recorrem às ferramentas digitais para angariar dinheiro que financie a sua preparação e chegada aos Jogos. Porque nem todos conseguem contar com o apoio de patrocinadores.

Monica Aksamit venceu a medalha de bronze no torneio de esgrima dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. É responsável por todas as despesas envolvidas nos dias de competições, entre viagens, hotéis ou a própria inscrição. Com um calendário de treinos bastante exigente, o que torna impossível ter um outro trabalho ao mesmo tempo, a atleta norte-americana teve que recorrer ao website ‘GoFundMe’ e pedir ajuda para as despesas da caminhada para os JO de Tóquio.

Devin Manky

“Infelizmente, sendo a esgrima um desporto de nicho, mesmo uma medalha de bronze olímpica não garante um patrocinador. O dinheiro que ganhei através de pequenas campanhas nas redes sociais tem ido para a dívida que tenho da qualificação para os Jogos Olímpicos de 2016, que ainda estou a pagar até hoje”, lê-se no pedido de angariação de fundos da atleta.

Em entrevista ao "Insider", Monica Aksamit garantiu: “Definitivamente não sou a única [a passar por esta situação]”.

Uma vez nos Jogos Olímpicos, muitos dos adeptos assumem que os atletas vão tirar largas quantias desta participação. Mas a verdade é que, sem prémio monetário por parte do torneio e contando apenas com os prémios por medalhas que as federações por norma atribuem, a participação nos Jogos não coloca elevadas quantias de dinheiro nos bolsos dos protagonistas da competição.

Resta-lhes o momento de glória e o orgulho de representarem o seu país.