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Tóquio 2020

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Jogos Olímpicos

Ainda bem que vieste, Yolanda Hopkins: está nos quartos-de-final do surf olímpico após eliminar vice-líder do ranking mundial

Na praia de Tsurigasaki, em Chiba, a portuguesa foi melhor do que Johanne Defay, a francesa vice-líder do circuito mundial de surf onde Yolanda Hopkins nunca esteve. Mas, com esta vitória, está entre as oito melhores surfistas dos Jogos e garante mais um diploma olímpico para Portugal

Diogo Pombo

Ryan Pierse/Getty

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A água salgada de Tsurigasaki, em Chiba, a uns 30 minutos rodoviários de Tóquio, acordou rabugenta na segunda-feira japonesa, já bem de dia é nessas latitudes quando as ondas escuras da praia onde o surf se estreia em olimpismo estão mais vivaças, com mais força, se bem que esquizofrénicas na sua desorganização, para manterem Yolanda à tona.

O apelido que os Jogos lhe fixam é Hopkins, ela também é Sequeira, portuguesa de arraiais algarvios e mãe galesa, que pareceu ter sucumbido à dureza das condições quando perdeu na primeira ronda e foi parar à repescagem. Mas não, Yolanda sobreviveu, mais do que isso, melhorou-se e superou-se, ganhou a toda a gente e chegou aos oitavos-de-final para partilhar o oceano com Johanne Defay.

A francesa é um tubarão deitado sobre quilhas, por competir onde costuma (circuito mundial de surf) e estar classificada como está (2.ª do ranking da World Surf League) na elite que junta mulheres nas melhores ondas do mundo, a que Yolanda Hopkins não pertence por estes dias. Mas, no Japão, o destino é sua pertença.

A portuguesa qualificou-se para a estreia surfística pelos World Surfing Games, prova aberta a profissionais, semi-profissionais e amadores, Yolanda chegou à final e, nas ondas agitadas por um tufão nas imediações do Pacífico, tem a boa agressiva durante a meia hora de oceano que partilha com a mais laureada francesa.

Yolanda Hopkins apanha mais ondas, manobra-as com a arte e o engenho possíveis nas condições assim-assim que Defay nunca alcança, gere as prioridades que lhe calham como o neurocirurgião de bisturi milimétrico, carrega constantemente sobre a pressão que lança para o lado da francesa. A loira e sorridente surfista, campeã nacional em 2019, é líder da bateria quase do início ao fim.

A não pertencente à badalada elite fecha o heat com os 10.84 pontos que derrotam os 9.40 pontos da vice-líder do circuito reservado às melhores das surfistas, que, por acaso, até é patrocinada pela Deeply, uma marca portuguesa que não se descortina no Japão - os e as surfistas estão proibidos de mostrar os logótipos de quaisquer empresas que as apoiem, seja nas pranchas ou nos fatos de neoprene que vestem.

No início de junho, Yolanda Hopkins atravessou o Atlântico para garantir a qualificação olímpica em El Salvador. Julho ainda nem terminou e a luso-galesa está nos quartos-de-final da estreia do surf na caça às medalhas dos três metais preciosos, na mais preciosa das competições desportivas.