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Tóquio 2020

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Jogos Olímpicos

Hoje há festa na casa dos Abe: os irmãos Uta e Hifumi são campeões olímpicos de judo

A ideia de vencer como uma dupla de irmãos começou em 2018, quando ambos venceram os Mundiais de Judo de Baku. A partir daí, aquele tímido desejo passou a fronteira do impossível para o lado mais bonito do desporto, a arte das possibilidades e do sonho

Hugo Tavares da Silva

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Não dá para imaginar as bulhas lá em casa, quando eram pequenos, mas a luta fora daquelas quatro paredes dar-lhes-ia, mais tarde, uma gloriosa e dourada fama.

Esta é a história de Uta e do irmão mais velho, Hifumi, dois atletas de judo japoneses que sonhavam em fazer algo importante para a família Abe.

A ideia de vencer como uma dupla de irmãos começou em 2018, quando ambos venceram os Mundiais de Judo de Baku. A partir daí, aquele tímido desejo passou a fronteira do impossível para o lado mais bonito do desporto, a arte das possibilidades e do sonho.

Nessa altura, depois da prova no Azerbaijão, Hifumi admitiu que, mais do que garantir títulos consecutivos, queria que a dupla de irmãos beliscasse a glória. Depois de Uta fazer o seu trabalho, Hifumi, hoje com 23 anos, não quis facilitar: “Depois da minha irmã mais nova ter vencido, fui para a final com ainda mais determinação para ganhar”.

E, com uma pandemia e adiamento pelo meio, lá chegaram aos Jogos Olímpicos, logo no país deles. Uta admitira antes do arranque: “Não teria chegado tão longe sem o meu irmão. É impossível saber se eu teria sequer começado a aprender judo sem ele”. Uta começou a praticar judo aos cinco anos.

Harry How

Este domingo, perto da hora de almoço em Lisboa e já início da noite em Tóquio, Uta voltou a competir primeiro, inspirando quem sabe o irmão para o feito familiar. Ou dando-lhe uma injeção da tal determinação que ele falara em Baku.

Uta, uma das grandes sensações do judo internacional, conquistou a medalha de ouro depois de bater a francesa Amandine Buchard, na final da categoria de -52kg. Foi necessário disputar-se o período de golden score. Um aviso por postura defensiva para a judoca japonesa, de 21 anos, poderia ter ditado outro desfecho do derradeiro combate.

Depois da manobra que lhe garantiu o primeiro ouro olímpico, caíram lágrimas pelo rosto de Uta. Pouco depois entraria o irmão em ação, na final da categoria -66kg.

Harry How

Um waza-ari ao georgiano Vazha Margvelashvili escancaria o céu para a família Abe, com Hifumi a imitar a irmã mais nova, a tal menina que começou a aprender sobre judo graças a ele.

Enquanto o irmão inspirava o aroma do triunfo, Uta ia saltando de alegria, feliz, feliz. Afinal, Uta até já havia avisado ao que iam numa entrevista antes dos Jogos Olímpicos: "25 de julho vai ser o dia em que eu e o meu irmão vamos brilhar".

Hoje há festa na casa Abe.