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Tóquio 2020

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Jogos Olímpicos

Porque é que Caeleb Dressel está sem medalha nesta foto? Porque os campeões também se fazem de gestos

O nadador norte-americano, que poderá ganhar um total de sete medalhas nestes Jogos Olímpicos, venceu o primeiro ouro esta segunda-feira, na estafeta dos 4x100 livres. Na volta de honra, entregou a sua medalha a Brook Curry, o homem que fez as meias-finais mas acabou descartado do quarteto para a final

Maddie Meyer/Getty

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Ele pode levar para casa até sete medalhas, mas Caeleb Dressel sabe que tal só poderá acontecer with a little help from his friends. Porque quatro dessas possíveis medalhas virão de estafetas onde um homem, mesmo que rapidíssimo, nada pode sozinho. Esta segunda-feira, no Centro Aquático de Tóquio, a final dos 4x100 metros livres dava ao super-atleta norte-americano, aquele que dizem ser o mais próximo de Michael Phelps que por aí anda, a primeira hipótese de medalha.

Como normalmente acontece, a estafeta norte-americana apresenta um alinhamento diferente nas meias-finais, em que a qualificação está praticamente garantida. Tudo para poupar as grandes estrelas para a final. Caeleb Dressel ficou a descansar no domingo, na final substituiu Brook Curry e foi logo o primeiro a entrar na piscina com a stars and stripes na touca e sua grande tatuagem a desenhar-se em todo o braço esquerdo.

E, como seria de esperar, deixou os Estados Unidos já com avanço na primeira perna. Seguiram-se Blake Pieroni, Bowen Becker e Zach Apple. Nenhum deles é Dressel e por isso a vitória esteve longe de ser por larga margem, com Itália e Austrália a chegarem perto, mas a primeira medalha de ouro para o atleta da Florida estava garantida.

Nuns Jogos Olímpicos sem público, os pódios tornaram-se numa espécie de protocolo chato, sem picos de energia ou gente a vociferar hinos com toda a sua alma. Há demasiado silêncio, demasiado espaço vazio. Os nossos ouvidos não zunem com aquela acústica da emoção. Mas a classe vale tanto com milhares a ver ou sem ninguém nas bancadas. E na volta de honra, apenas para delegações e jornalistas verem, Caeleb Dressel mostrou que não é apenas um atleta de exceção: também é um rapaz cheio de classe.

Vendo Brook Curry nas bancadas, Dressel tirou a sua medalha de ouro do pescoço, aproximou-se do colega e deu-lhe a sua medalha. Afinal de contas, Curry é parte integrante daquele conjunto de homens, os mais rápidos a revezarem-se pelas piscinas olímpicas.

Tom Pennington/Getty

Todos os nadadores que participam nas estafetas, seja nas meias-finais ou nas finais, têm direito à sua medalha. Apesar de não ter subido ao pódio, Brook Curry receberia também o ouro, mas o gesto de Dressel passa a mensagem necessária: nenhum atleta de classe mundial ganha tudo o que ganha sem a ajuda de colegas, mesmo que estes sejam um pouquinho menos talentosos.

O restante percurso e fotos para a impresa foram feitos com apenas três medalhas, com Dressel de peito despido, mas provavelmente de alma grande.

Caeleb Dressel é o principal favorito ao ouro nos 50 livres, 100 livres e 100 mariposa. Poderá ainda participar em outras três estafetas, além da que já ganhou esta segunda-feira.

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    Jogos Olímpicos

    Dizem que é o sucessor de Michael Phelps. É rápido como nenhum outro e esperam dele nada mais, nada menos do que a excelência olímpica. E medalhas, muitas medalhas. Ele só quer nadar rápido. Este texto é parte da série com que a Tribuna Expresso lança os potenciais atletas-estrela a acompanhar nos Jogos Olímpicos de 2020