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Tóquio 2020

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Jogos Olímpicos

Seleção não voou como uma borboleta ou picou como uma abelha, mas está aí a primeira vitória no torneio olímpico de andebol

Vitória por 26-25 frente ao Bahrain, conseguida nos derradeiros segundos, relança Portugal na luta pelos quartos de final

TIAGO PETINGA

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Durante boa parte do Bahrain - Portugal pareceu que a equipa do Médio Oriente estava a jogar com mais um. O facto de ter dois jogadores chamados Mohamed Ali poderá ter qualquer coisa a ver com isso, parece quase concorrência desleal. Graçolas à parte, se por vezes o Bahrain pareceu estar a jogar com mais um deveu-se mais a erros próprios da seleção nacional de andebol, que depois do mau arranque contra o Egito teve de sofrer até ao fim para garantir uma vitória tangencial (26-25) frente àquela que, no papel, surgia como a equipa mais frágil do Grupo B.

Portugal não voou como uma borboleta nem picou como uma abelha como o verdadeiro Ali fazia. A entrada foi boa, mas logo nos primeiros minutos da 1.ª parte começaram os problemas de eficácia e a dificuldade, no outro lado, em controlar uma equipa bastante móvel. Na baliza, um dos Mohameds Ali do Bahrain acordou seguramente sentido-se “The Greatest”. No total do jogo foram 10 defesas, na 1.ª parte muitas delas decisivas para manter Portugal a correr atrás do marcador. Ao intervalo, depois de uma ténue recuperação, o resultado estava nos 15-14 para o Bahrain.

Ao intervalo, Portugal estava com uma pobre percentagem de eficácia, nos 56%, para a qual também contribuíram as três bolas aos postes - falar de sorte ou azar em competição é sempre o caminho fácil, mas pareceu sempre faltar aquela fortuna extra a Portugal que o Bahrain ia tendo.

Na 2.ª parte, Portugal começou bem, empatou 15-15, mas as dificuldades da 1.ª parte mantiveram-se. Pouca eficácia, dificuldades em encarar a estratégia defensiva nos duelos, erros técnicos pouco comuns, com as perdas de bola a aumentarem conforme o relógio ia caminhando para horas perigosas. O Bahrain continuava na frente e talvez só a monstruosa exibição de Gustavo Capdeville, o verdadeiro "The Greatest" nas balizas nesta noite de segunda-feira no Yoyogi National Stadium, com 13 defesas, manteve Portugal à tona da água.

Só à entrada do derradeiro minuto Portugal conseguiu dar a volta e conseguir a primeira vantagem em largos minutos, desde o início da 1.ª parte. E depois foi preciso sofrer e festejar o falhanço de um livre de 7 metros por parte do Bahrain que daria o empate aos asiáticos para respirar de alívio com a primeira vitória de Portugal em Jogos Olímpicos, a primeira vitória de uma modalidade coletiva de pavilhão de uma seleção portuguesa.

Os quartos de final ficam agora mais perto e segue-se a Suécia, na quarta-feira.