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Tóquio 2020

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Jogos Olímpicos

Telma Monteiro: "Não sei o que vai ser o futuro, mas se eu quiser ir a Paris, eu vou"

Judoca portuguesa sublinhou a tristeza de deixar os Jogos de Tóquio tão cedo na competição, com uma adversária que apostou numa estratégia defensiva, obrigando-a a longos momentos de ataque, mas aos 35 anos não descarta uma ida a Paris 2024

RUNGROJ YONGRIT

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Às vezes as coisas não correm exatamente como estávamos à espera. Telma Monteiro entrou no sorteio dos -57kg como cabeça de série e com o estatuto de campeã da Europa - além da medalha de bronze conquistada há cinco anos nos Jogos do Rio. Apesar das lesões que vão atormentando a melhor judoca portuguesa de sempre, as medalhas estavam no horizonte.

“Sinto-me muito triste, porque queria avançar mais na competição. É uma sensação diferente de frustrada e desiludida, porque sinto que dei tudo o que tinha. Saí exausta, lutei os 10 minutos para ganhar e por isso fico triste de não ter conseguido. O meu objetivo era chegar mais à frente”.

Telma Monteiro caiu ao segundo combate, após um duelo com a polaca Julia Kowalczyk, número 14 do ranking. Sobre a adversária, ou melhor, a estratégia da adversária, Telma frisou a postura defensiva, “um pouco expectante, talvez receosa de tomar a iniciativa”. As despesas tiveram de ser feitas pela experiente portuguesa.

“Eu percebi que tinha a estratégia certa, a fixar bem a pega e tentar projetar. O combate foi-se prolongando e ela não tinha iniciativa. Desgasta imenso, estava a atacar muito, a fazer muita força, e ela muito defensiva. Ao fim de 10 minutos, já é difícil ser explosiva como sou”, analisou, não querendo comentar a arbitragem, num combate em que perdeu com três castigos, todos eles já no golden score, que se arrastou por mais de cinco minutos.

Admitindo a ambição “de chegar ao pódio ou fazer melhor que no Rio”, onde foi 3.ª, Telma que diz que não mudava nada à sua preparação. “Foi um último ano muito difícil, como para toda a gente, fui campeã da Europa, pontuei no Masters, e evoluí muito até aqui”, recordou.

Agora é descansar. Mas as perguntas sobre o futuro a uma judoca de 35 anos são inevitáveis.E Telma garante que Paris 2024 não é uma porta fechada. “Não sei o que vai ser o futuro, mas se eu quiser ir a Paris, eu vou. Disso tenho a certeza”, frisou na zona mista do Nippon Budokan, em Tóquio, um local quase espiritual para o judo e que recebeu a modalidade não só em 2021 como nos Jogos de 1964. No entanto, a portuguesa diz que “tomar alguma decisão agora seria errado” e que há várias coisas para colocar na balança antes de o fazer. Estar num nível alto será essencial, senão nem vale a pena.

“Para Paris, será um apuramento olímpico muito exigente e eu não consigo pensar em chegar a um nível mais ou menos. O nível de exigência que tenho é que decide. Não quero ser uma atleta de alta competição mais ou menos. Quero pensar que posso ganhar sempre. Tenho de estar disponível para treinar a um nível que me permita pensar que eu posso ganhar sempre”, atirou.

Com Telma Monteiro sabemos que só não poderemos contar quando ela própria o decidir. A desilusão poderá demorar a passar, mas dar a volta também é uma das suas especialidades.