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Tóquio 2020

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Tom Daley chegou ao ouro, 13 anos depois: “Sinto-me muito orgulhoso em dizer que sou homossexual e campeão olímpico”

Depois de duas medalhas de bronze, a espera de Tom Daley terminou. Ao lado de Matty Lee, o atleta britânico subiu, em lágrimas, à posição mais alta do pódio, nesta que é a sua quarta tentativa. No final, comemorou a vitória com uma mensagem à comunidade LGBTQ

Rita Meireles

OLI SCARFF

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No Reino Unido chamam-lhe “The Daley wait”. Trata-se de um período de espera que começou nos Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim, e só terminou esta segunda-feira, em Tóquio. Treza anos e quatro Jogos depois, Tom Daley venceu a tão desejada medalha de ouro.

Foi no quarto salto que a porta do ouro se abriu para Tom e Matty Lee, na prova masculina de saltos para a água sincronizados. Um erro da dupla chinesa constituída por Cao Yuan e Chen Aisen valeu o primeiro lugar à Team GB com 93,96 pontos. Seguiram-se 89,76 pontos no quinto round e 101,01 no mergulho final, que correspondeu à rotina mais difícil da prova.

Com os russos Alexsandr Bondar e Viktor Minibaev já instalados na terceira posição, Daley e Lee tiveram que suster a respiração até ao salto final dos chineses, que não conseguiram ir além da prata.

Na final os britânicos somaram 471,81 pontos e a medalha de ouro, os chineses ficaram perto com 470,58 e a segunda posição e, a completar o pódio, os russos chegaram aos 439,92.

“Eu ainda não consigo acreditar no que está a acontecer”, afirmou Tom Daley à "BBC", após vencer a medalha de ouro, realçando ainda a sua boa forma, num momento em que muitos possam ter considerado que já estaria de fora.

Jean Catuffe

E esta reação não é de estranhar. Ou não estivesse ele a lutar por este momento desde os Jogos Olímpicos de Pequim, num caminho pautado por altos e baixos.

Em 2008, com apenas 14 anos, já tinha uma legião de fãs enorme que torceu por ele em força na China. Mas o resultado não foi o melhor. A parceria com Blake Aldridge não resultou e a dupla terminou na última posição nos 10 metros sincronizados. A solo, chegou ao sétimo lugar.

Nos Jogos Olímpicos de Londres venceu a sua primeira medalha de bronze, na competição individual, e a segunda, também de bronze, chegou no Rio de Janeiro, em 2016, ao lado de Daniel Goodfellow.

Mas este nem sempre foi um percurso fácil.

Enquanto competia em Pequim, Daley dava voz aos jovens que passavam pelo problema que o próprio enfrentou: o bullying nas escolas. No ano anterior aos Jogos em Londres, enfrentou o momento mais difícil da sua vida, quando Robert Daley, o seu pai, morreu após lhe ter sido diagnosticado um tumor cerebral. Mais tarde, viu-se obrigado a lidar com diversos rumores sobre a sua sexualidade.

O ouro nos Olímpicos foi, então, o momento da consagração do atleta, que já tinha chegado ao mesmo resultado ao nível europeu, mundial e da Commonwealth. O upgrade na medalha em relação aos outros anos deve-se, em parte, ao momento que está a viver. Daley, casado com Dustin Lance Black desde 2017, foi pai no ano seguinte e considera que isso lhe ofereceu uma “mentalidade diferente” na preparação e chegada a Tóquio.

Após a entrega das medalhas, Tom não perdeu a oportunidade de se apresentar ao mundo e deixar uma mensagem à comunidade LGBTQ.

“Sinto-me muito orgulhoso de dizer que sou um homem homossexual e campeão olímpico. Quando eu era mais novo, pensava que nunca iria conseguir conquistar nada por causa de quem eu era. Ser campeão olímpico agora só mostra que se pode alcançar qualquer coisa”, afirmou.

Daley fez questão de dizer àqueles que se sentem sozinhos, que não estão. “Tu podes conquistar tudo e tens aqui grande parte da família que escolheste pronta para te apoiar”, disse.

O atleta britânico volta a competir no próximo sábado, às 7h em Portugal, desta vez sozinho, nos 10 metros masculinos.