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Tóquio 2020

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Jogos Olímpicos

Duas finais na dressage para Rodrigo Torres honrar o bronze do bisavô em Berlim 1936

O cavaleiro alentejano fez equipa com Maria Caetano e João Miguel Torrão na final olímpica de dressage, em que Portugal acabou em 8.º. Na quarta-feira vai ainda à final individual com o cavalo Fogoso. E espera que lá em cima o bisavô Domingos de Sousa Coutinho, medalha de bronze nos Jogos de Berlim em 1936, possa estar orgulhoso

TIAGO PETINGA/LUSA

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São perto das 19 horas em Tóquio quando João Miguel Torrão dá um abraço a Equador, o seu cavalo Lusitano. Há finalmente uma brisa fresca no Equestrian Park, que recebe as provas de dressage nestes Jogos Olímpicos de Tóquio. Esta terça-feira já houve de tudo na capital japonesa: tufão, vento, chuva, para durante a tarde surgir de novo o calor tórrido dos últimos dias. Do topo das bancadas, vazias, vê-se o horizonte da metrópole, com o vermelho da Torre de Tóquio, em Minato, estrutura de metal inspirada na Torre Eiffel, a destacar-se por entre as luzes.

Lá em baixo, as coisas não correm tão bem assim à equipa nacional constituída por Maria Caetano, João Miguel Torrão e Rodrigo Torres, mas o regresso a uma final de dressage é desde logo um feito. A equitação é uma das modalidades em que Portugal conquistou mais medalhas, três bronzes em Paris 1924, Berlim 1936 e Londres 1948. O oitavo lugar desta terça-feira vale mais um diploma olímpico à comitiva nacional que, para já, ainda não tem medalhas.

Portugal deixou para o fim Rodrigo Torres com o cavalo Fogoso. Para ele esta final é ainda mais especial. Afinal de contas, uma dessas medalhas portuguesas na equitação foi conquistada pelo seu bisavô, Domingos de Sousa Coutinho, em Berlim. “Espero que ele esteja muito contente lá em cima”, diz o alentejano de 44 anos, orgulhoso por repetir a presença olímpica que lhe corre no sangue.

A equitação é um desporto de binómios e por isso no final a alegria era partilhada com Fogoso, um cavalo que pertence à família e que ajudou Rodrigo Torres, estreante nos Jogos Olímpicos, a conquistar a sua melhor pontuação de sempre.

Maria Caetano foi a primeira portuguesa em ação na final por equipas de dressage

Maria Caetano foi a primeira portuguesa em ação na final por equipas de dressage

TIAGO PETINGA/LUSA

“Estou muito feliz com o meu cavalo, deu-me tudo o que lhe podia pedir. Tive aqui a melhor nota de sempre e ter a melhor nota nuns Jogos Olímpicos… não posso pedir mais. Nunca pensei chegar à final, o cavalo superou-se”, frisou o atleta, que na zona mista do Equestrian Park falou ainda das dificuldades logísticas de trazer um cavalo numa longa viagem de 10 mil quilómetros entre Portugal e Tóquio.

Para habituar Fogoso ao clima extremo de Tóquio, Rodrigo Torres começou a treinar o cavalo no pico do calor alentejano há um mês. “A humidade e a temperatura são muito diferentes daquilo que temos em Portugal. Depois há ainda a questão do transporte”, conta. Para chegar ao Japão, os cavalos portugueses tiveram de fazer escala na Alemanha, antes disso quarentena e “imensos exames de sangue”.

Rodrigo Torres confessa que “estava com medo, porque as viagens de avião são difíceis”, mas que correu tudo bem. Como aliás se viu na pista, até porque o português também se qualificou para a final individual, na quarta-feira.

Quanto ao concurso, Portugal terminou em 8.º, com a vitória a sorrir à Alemanha, que revalidou assim o título conquistado no Rio e valendo também a Isabell Werth, uma verdadeira glória na modalidade, a sua 7.ª medalha de ouro olímpica, aos 52 anos - a primeira foi em Barcelona 1992. Os Estados Unidos surpreenderam a Grã-Bretanha, terminando com a prata.