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Tóquio 2020

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Jogos Olímpicos

Pequenas gigantes em Tóquio: Momiji Nishiya e Rayssa Leal têm 13 anos e fizeram história no skate

A final feminina do skate, categoria street, decorreu entre danças e muitas brincadeiras entre as participantes. No fim, foram duas jovens de 13 anos que foram sem medos atrás do ouro e da prata, confirmando que o futuro da modalidade está em bons pés

Rita Meireles

LIONEL BONAVENTURE

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Há pódios e pódios. Este foi histórico por diversos motivos, mas o principal é que as duas primeiras classificadas da prova têm apenas 13 anos.

Lembra-se do que estava a fazer com essa idade?

A japonesa Momiji Nishiya e a brasileira Rayssa Leal estavam a vencer a medalha de ouro e prata, respetivamente, em Tóquio, na estreia do skate, categoria street, nos Jogos Olímpicos. Pódio esse que ficou completo com a japonesa Funa Nakayama, de 16 anos, no bronze. Com uma média de idades de 14 anos, este é o pódio mais jovem da história dos Jogos.

A vitória de Nishiya, que surgiu um dia depois de o também japonês Yuto Horigome ter chegado ao ouro no evento masculino, foi o resultado dos 15,26 pontos obtidos pela jovem, que superou os 14,64 de Rayssa e os 14,49 da compatriota.

Pelo caminho deixaram algumas das veteranas da modalidade, como a número um do ranking, Pamela Rosa. A brasileira de 22 anos era a favorita para as medalhas, mas não conseguiu garantir presença na final. Nishimura, a vencedora do mundial de skate, na categoria street, também estava no lote de favoritas, mas não foi além do oitavo lugar.

Patrick Smith/Getty

Nishiya tornou-se também a japonesa mais nova de sempre a vencer uma medalha.

A nível global, ficou a poucos dias do título. A norte-americana Marjorie Gestring continua a ser a medalhada mais nova da história dos Jogos Olímpicos, com 13 anos e 267 dias. Caso as duas primeiras posições do pódio tivessem sido ao contrário, Rayssa ficaria com o recorde a nível mundial. É que a japonesa venceu com 13 anos e 330 dias e a brasileira com 13 anos e 203 dias.

As medalhas dos atletas japoneses podem ser a peça que faltava para que o país comece a olhar para a modalidade com outros olhos. No Japão, este desporto é olhado de uma forma bastante negativa, sendo que até foram colocados cartazes no exterior do recinto onde decorreu a competição onde se lê “skating banned” - banido andar de skate.

Já Rayssa, ou ‘fadinha’, como é conhecida no Brasil, espera que esta competição tenha servido para que ninguém volte a questionar a igualdade de género na modalidade.

“Acho que todos os desportos são válidos para meninos e meninas, não há barreiras no desporto”, afirmou na conferência de imprensa, após a final.