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Tóquio 2020

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Jogos Olímpicos

Alana Smith não chegou às medalhas no skate olímpico, mas provocou mudanças no mundo do desporto. É uma atleta não binária

Alana Smith participou na competição feminina de skate, categoria street, mas deixou claro que os seus pronomes não são os mesmos que os das restantes concorrentes. Aos 20 anos, Smith faz história ao ser uma de três pessoas não binárias a participar nos Jogos Olímpicos

Rita Meireles

Patrick Smith

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As medalhas no torneio olímpico de skate já foram entregues, mas a competição continua a dar que falar.

No dia da final feminina, Momiji Nishiya, Rayssa Leal e Funa Nakayama roubaram todas as atenções ao vencerem as primeiras medalhas olímpicas da modalidade. Mas entre o grupo de atletas estava também Alana Smith, natural dos Estados Unidos, que orgulhosamente ergueu, durante a competição, o skate onde tinha escrito os pronomes “they/them”.

Smith anunciou recentemente a sua identidade não-binária, ou seja, que não se reconhece em nenhum dos géneros, seja a nível social ou biológico. E foi aos Jogos com um objetivo claro, que acabou por conquistar, ainda que tenha ficado fora do pódio.

“O meu objetivo ao entrar nisto era ser feliz e ser uma representação visual para humanos como eu”, lê-se, na conta do Instagram de Smith.

Além disso, considera que esta competição foi, para si, uma escolha entre a felicidade e a medalha. E escolheu a primeira.

“Escolhi a minha felicidade em vez da medalha. De tudo o que fiz, quis sair disto [participação nos Jogos Olímpicos] sabendo que fui eu e estava genuinamente a sorrir”, continua na mesma publicação.

Instagram

A participação de Alana Smith acabou por gerar uma série de críticas aos comentadores da prova. É que, ainda que estivessem escritos no skate, nem sempre os pronomes corretos foram utilizados ao longo das transmissões.

O erro levou a uma onda de indignação nas redes sociais, que levaram a "NBC", o canal de televisão nos EUA que detém os direitos de transmissão dos Jogos Olímpicos que trocou os pronomes durante a prova, a emitir um pedido de desculpas em nome dos seus comentadores.

“A NBC Sports está empenhada em - e compreende a importância de - utilizar pronomes corretos para todos em todas as nossas plataformas. (...) Lamentamos este erro e pedimos desculpa Alana e todos os nossos telespetadores”, lê-se no comunicado.

O efeito “Alana Smith” alastra agora por diversos meios de comunicação, que começam a reconhecer a importância de não falhar nestas questões. Durante a transmissão da prova no canal brasileiro "Sportv", a comentadora e skater Karen Jonz informou os espetadores de que ela e os restantes comentadores estavam a pesquisar a forma correta de usar os pronomes, uma vez que Alana iria competir em seguida.

Smith pertence a um grupo de mais de 160 atletas da comunidade LGBTQ+ que competem nos Jogos Olímpicos deste ano, segundo avança a NBC News.