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Tóquio 2020

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Jogos Olímpicos

Mamona chegou, saltou, qualificou-se e foi à vida dela. "Já estou a pensar na recuperação, esta final olímpica vai ser dura"

A saltadora portuguesa fez 14.54 à primeira tentativa na qualificação do triplo e nem precisou de se esforçar mais, o que lhe dá mais tempo para recuperar. Para a final de domingo, não promete marcas mas, diz, está é "a oportunidade ideal para fazer melhor que os 14.66", ou seja, melhor que o seu recorde pessoal

JOSÉ COELHO/LUSA

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Nós é que somos os jornalistas, mas a primeira pergunta foi feita por Patrícia Mamona. “Alguém viu o meu salto?”. A tribuna de imprensa do Estádio Olímpico de Tóquio fica do lado contrário ao das caixas do triplo salto, por isso só ao longe deu para ver o voo de Patrícia, pela reação das colegas o salto parece bom e as informações digitais assim o confirmam: 14.54, bem acima da marca de qualificação de 14.40. Foi um início de jornada eficiente, nesta noite quente e absurdamente húmida na capital japonesa: Patrícia saltou, qualificou-se logo à primeira e foi tratar de descansar.

A pergunta de Patrícia não tinha uma razão: queria saber quão longe tinha ficado da tábua. A chamada foi conservadora, sim. A mais de 13 centímetros da linha que separa um salto válido de um salto nulo.

“É que eu à última tive de ajustar, ia sendo nulo!”. Mas não foi e Patrícia segue tranquilamente para a final olímpica, repetindo o Rio 2016, onde foi 6.ª, na altura com recorde nacional de 16,65. As decisões são já no domingo à noite em Tóquio, início da tarde em Lisboa (12h20).

Um problema técnico interrompe as declarações da atleta de 32 anos e Patrícia aproveita para dar um olhinho ao salto da rival Ana Peleteiro. A espanhola faz a sua melhor marca do ano, 14.62, e está também na final. Yulimar Rojas, a impressionante atleta venezuelana de 1,92m, que foi primeira na qualificação (14.77) mesmo num salto que até parecia estar a desfazer, festeja efusivamente a passagem de Peleteiro.

O nível do triplo salto feminino está talvez mais alto do que nunca, mas Patrícia está tranquila.

“Esta qualificação é fruto já de alguma experiência. Se há algo que me deixa às vezes nervosa são as qualificações, mas quando a marca é 14,40 e tu sabes que tens aquilo nos pés é uma questão só de pensar em saltar muito. Foi o que pensei”, diz, sublinhando a importância de ter conseguido a qualificação à primeira tentativa.

JOSÉ COELHO/LUSA

“Por vezes há nulos que nos deixam nervosos mas tive a felicidade de conseguir ajustar mesmo mesmo no fim, porque ia dar nulo. Saio daqui feliz, já estou a pensar na recuperação, porque esta final olímpica, como se vê, vai ser dura”, diz.

Mamona diz que não tem marcas na cabeça para domingo, mas que acredita que pode bater o recorde nacional, que agora já tem mais um centímetro que aquele conseguido há cinco anos no Rio. E, diz, “esta é a oportunidade ideal para fazer melhor que os 14.66”.

Quanto a favoritas, e apesar do intenso domínio de Yulimar Rojas nos últimos anos, diz que não há, até porque se pode chegar aos Jogos Olímpicos “como líder mundial, fazer três nulos e não se vai à medalha olímpica”. Uma medalha com a qual, garante, “todas as que vão à final sonham”.

A aclimatação a Tóquio

Fisicamente Patrícia diz estar bem, tem apenas as “mossas normais do triplo”. Mas, assegura, “quando estamos no momento de flow esquecemos tudo isso”

A atleta chegou o mais cedo que pode a Tóquio, até porque já teve uma má experiência passada com o clima extremo da capital nipónica, onde esta sexta-feira estiveram 30 graus e mais de 90% de humidade.

“Felizmente vim com algum tempo, vim com antecedência. Já tinha experiência de vir ao Japão que infelizmente correu muito mal e por isso percebi que tinha de vir muito mais cedo para me habituar às condições”, relata.

“É preciso estar muito atenta aos sinais do corpo, à hidratação, é muito importante estar sempre a repor com água e sais. E o facto de ter vindo mais cedo deu-me oportunidade de me habituar ao jet lag, às condições atmosféricas. Acho que me adaptei bem”, diz.

Pela facilidade com que chegou à final, e ainda com muita folga para crescer face àquela chamada, pode dizer-se até que Mamona parece em casa em Tóquio.